A presença da geração mais jovem no mercado de trabalho é um dos temas centrais para empresas que buscam renovar seus quadros e manter competitividade. No Brasil, dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgados pelo IBGE em maio de 2025, mostram que a taxa de desocupação entre jovens de 18 a 24 anos chegou a 16,4%, mais que o dobro da média nacional, que ficou em 7,5%. Esse cenário reforça a importância de iniciativas que aproximem os jovens do mundo profissional.
Martha Uribe, vice-presidente de pessoas da Nestlé Brasil, destaca que a retenção de talentos passa por oferecer experiências que valorizem o período em que os jovens permanecem na empresa.
“É preciso garantir que esse tempo seja marcado por oportunidades de aprendizado, desenvolvimento de habilidades e experiências transformadoras”, afirma a executiva em entrevista ao Meio&Mensagem.
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Programas de capacitação e primeira oportunidade para jovens
Segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), o Brasil criou 1,3 milhão de postos formais de trabalho no primeiro semestre de 2025. No entanto, jovens em busca do primeiro emprego ainda encontram barreiras. Muitas vagas exigem experiência prévia, o que gera um ciclo de exclusão.
Para reduzir esse obstáculo, a Nestlé mantém programas de estágio, jovem aprendiz e trainees. No processo de seleção para trainees em 2025, a companhia registrou cerca de 47 mil inscrições para apenas 20 vagas. A alta procura mostra que, mesmo em um cenário de descrença sobre carreiras longas em multinacionais, grandes empresas continuam sendo vistas como referência.
Além da experiência prática, a multinacional oferece iniciativas de formação. O Young Culinary Talents (YOCUTA) é um exemplo. Voltado a jovens apaixonados por gastronomia em situação de vulnerabilidade, o programa recebeu mais de 3 mil inscrições em 2025. Desses, cerca de 30 foram contemplados com bolsas de estudo em escolas de gastronomia e treinamento especializado.
Inclusão e diversidade como parte da estratégia
Outro ponto destacado por Martha Uribe é a importância de refletir a diversidade da sociedade brasileira no quadro de funcionários. Hoje, a Nestlé Brasil tem cerca de 44% de mulheres e mais de 50% de pessoas negras em seu time.
Segundo a PNAD Contínua, os jovens negros enfrentam uma taxa de desemprego de 18,2%, superior à média da população jovem em geral. Para enfrentar essa desigualdade, a companhia desenvolve programas voltados especificamente para a inclusão de pessoas negras, com deficiência e de diferentes origens socioeconômicas.
Empreendedorismo como alternativa
Com a escassez de vagas formais, programas de empreendedorismo também ganham destaque. O Sebrae estima que 4 em cada 10 jovens brasileiros entre 18 e 24 anos desejam abrir o próprio negócio. Para apoiar esse público, a Nestlé promove o Young Entrepreneurship Program (JEP), que fornece capacitação e ferramentas para o desenvolvimento de negócios próprios.
Segundo Martha, a proposta é complementar as iniciativas de contratação, ampliando as chances de inserção dos jovens na economia, mesmo quando não há absorção imediata pelas grandes empresas.
Habilidades mais valorizadas
O mercado de trabalho brasileiro tem exigido novas competências. Relatório do Fórum Econômico Mundial de 2023 já apontava que 44% das habilidades dos trabalhadores mudariam até 2027, principalmente pela digitalização e automação.
Na avaliação de Martha Uribe, algumas competências se destacam para os jovens:
- aprendizado contínuo e adaptabilidade diante de mudanças rápidas;
- curiosidade e inteligência emocional;
- habilidades de comunicação para além do meio digital.
Esses pontos, segundo ela, ajudam a preparar a juventude para ambientes em transformação constante e aumentam suas chances de empregabilidade.
Saúde mental e equilíbrio profissional
Outro desafio apontado é a pressão por resultados em um cenário econômico ainda instável. Levantamento da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) mostra que o Brasil é o país com maior prevalência de ansiedade no mundo, atingindo 9,3% da população. No ambiente de trabalho, isso se reflete em queda de produtividade e rotatividade.
Para enfrentar a questão, a Nestlé criou programas de bem-estar como o “Parceiros do Bem”, em parceria com o Hospital Albert Einstein. A iniciativa capacita colaboradores para oferecer apoio inicial a colegas em sofrimento emocional, atuando como pontos de acolhimento e encaminhamento a tratamentos adequados.
O impacto na economia
A inserção de jovens no mercado de trabalho tem reflexos diretos na economia. O IBGE estima que a população de 15 a 29 anos representa 23% dos brasileiros, ou cerca de 47 milhões de pessoas. Esse grupo corresponde a uma parcela significativa do consumo e da força produtiva do país.
Quando os jovens enfrentam dificuldade de inserção no mercado, há impactos tanto na arrecadação quanto no potencial de crescimento econômico. Por outro lado, quando recebem oportunidades de capacitação, emprego e empreendedorismo, tornam-se motores de inovação e de geração de renda.


