A demanda por fertilizantes no Brasil deve atingir 58,5 milhões de toneladas por ano em 2030 e chegar a 73,1 milhões de toneladas em 2036. A projeção foi feita nesta terça-feira, 2 de setembro, por José Carlos Polidoro, representante do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), durante congresso da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), em São Paulo.
Segundo Polidoro, o aumento será puxado pela expansão da agricultura e pela recuperação de áreas de pastagens degradadas. O país já figura entre os maiores consumidores globais de fertilizantes, ocupando a quarta posição no ranking mundial, de acordo com relatório da Secretária Especial e Assuntos Estratégicos.

Situação atual do mercado de fertilizantes
Em 2024, o Brasil registrou entregas de 45,6 milhões de toneladas de fertilizantes, segundo informações da Anda. Esse número deve subir mais de 28% até 2030, acompanhando a necessidade de maior produtividade agrícola para atender à demanda interna e externa.
De acordo com a cotação do dólar nesta terça-feira, 2 de setembro (R$ 5,41 por US$ 1, segundo Banco Central), cada avanço no volume movimenta bilhões em equivalência no mercado de insumos, já que boa parte dos fertilizantes utilizados no país é importada.
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Recuperação de pastagens como motor de crescimento
O Brasil possui cerca de 82 milhões de hectares de pastagens degradadas, conforme destacou Polidoro. Metade dessa área poderia ser convertida em lavouras agrícolas, processo que exigirá maior uso de fertilizantes.
Além disso, aproximadamente 60% dos agricultores familiares nunca utilizaram adubos químicos, o que representa uma frente adicional de crescimento para o setor. A introdução dessas práticas deve ampliar a produtividade em pequenas propriedades e fortalecer a produção voltada para o abastecimento nacional.
Logística e desafios regionais
Embora o cenário aponte para expansão, especialistas do setor ressaltam os desafios logísticos. Estados como Mato Grosso, maior produtor de grãos do país, enfrentam dificuldades na distribuição de fertilizantes devido à distância dos principais portos e à infraestrutura limitada de transporte.
O escoamento dos produtos depende de rodovias e ferrovias que ainda carecem de investimentos. Essa limitação pode gerar custos adicionais para produtores e encarecer a cadeia de suprimentos agrícolas.
Dependência das importações
O Brasil é altamente dependente das importações para atender sua demanda por fertilizantes. De acordo com dados do Ministério da Agricultura, cerca de 85% dos insumos utilizados no país vêm do exterior. Os principais fornecedores são Rússia, Canadá, China e Marrocos.
A variação cambial exerce grande influência nesse mercado. Considerando a taxa de câmbio atual, qualquer oscilação no dólar pode impactar significativamente os custos para o agricultor brasileiro. Em 2024, por exemplo, a importação de fertilizantes movimentou mais de US$ 25 bilhões, o equivalente a R$ 135,2 bilhões.
Perspectivas globais e papel do Brasil
O aumento da demanda brasileira se insere em um contexto global de expansão do uso de fertilizantes. A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) estima crescimento de 1,2% ao ano na demanda mundial até 2030.
Por ser um dos maiores produtores agrícolas do planeta, o Brasil desempenha papel estratégico nesse cenário. A ampliação da oferta de alimentos para exportação, especialmente soja, milho e café, deve continuar impulsionando o consumo interno de adubos químicos.
Expansão da agricultura familiar e sustentabilidade
O uso de fertilizantes também poderá avançar entre agricultores familiares, responsáveis por cerca de 70% dos alimentos consumidos no país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Políticas públicas de incentivo ao crédito e programas de assistência técnica podem estimular a adoção de insumos modernos, equilibrando aumento de produtividade e sustentabilidade. A recuperação de pastagens degradadas, por sua vez, tem potencial de reduzir a pressão por novas áreas de desmatamento.
Expectativas do setor
Empresas ligadas ao agronegócio avaliam que a adoção crescente de fertilizantes será decisiva para manter a competitividade do Brasil no mercado internacional. O setor deve se preparar não apenas para ampliar a produção, mas também para lidar com gargalos logísticos e riscos cambiais.


