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Mercado privado vira símbolo de exclusividade financeira

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Durante décadas, investir no mercado exterior foi considerado o ápice da sofisticação financeira entre as grandes fortunas brasileiras. Manter parte do patrimônio em contas no exterior, acessar fundos internacionais e dolarizar ativos representava, além de uma estratégia de diversificação, um status social. Os chamados offshores (empresas, contas bancárias ou investimentos feitos em outros países) simbolizavam a ideia de estar à frente do tempo.

Esse quadro, no entanto, vem se transformando. A democratização dos serviços financeiros, a digitalização das plataformas de investimento e a maior integração global reduziram a exclusividade dos investimentos fora do Brasil. Hoje, embora seguir aplicando recursos no exterior continue relevante, já não é suficiente para garantir o status de distinção que marcou o passado.

O novo “código” de sofisticação financeira migrou para outra frente: o mercado privado, que abrange private equity (tipo de investimento em empresas que não estão na bolsa de valores. Ou seja, são empresas privadas), venture capital (investimento feito em startups ou empresas novas com alto potencial de crescimento, mas que ainda são arriscadas) crédito privado, ativos reais e co-investimentos em empresas antes da abertura de capital.

Mercado privado atrai investidores em busca de exclusividade e oportunidades além da bolsa | Foto: Reprodução/Canva
Mercado privado atrai investidores em busca de exclusividade e oportunidades além da bolsa | Foto: Reprodução/Canva

O que é o mercado privado?

O termo mercado privado refere-se a investimentos em ativos que não estão disponíveis em bolsas de valores. Entre eles estão participações em empresas em estágio inicial ou em expansão, projetos de infraestrutura, fundos de crédito privado e negócios estruturados em formato de club deals, que reúnem pequenos grupos de investidores qualificados em oportunidades específicas.

Segundo Wilson Barcellos, CEO da Azimut Brasil Wealth Management, o dinheiro pode abrir portas nesse universo, mas o acesso real depende de outros fatores. “É uma combinação de escala mínima, alinhamento de interesses e credibilidade”, afirmou em entrevista à Forbes Brasil.

Crescimento e potencial de retorno

Estar exposto a esse tipo de investimento é considerado um novo sinal de exclusividade. Além do aspecto social, há também fatores ligados à diversificação. Por se tratarem de ativos de baixa correlação com mercados listados, fundos de private equity e venture capital podem reduzir oscilações e ampliar o potencial de retorno de uma carteira.

Luis Ferreira, CIO e vice-CEO do EFG Asset Management para as Américas, destaca que “o diferencial desses investimentos está na possibilidade de acessar oportunidades globais e reduzir riscos de volatilidade”.

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O mercado privado global já é significativamente maior do que o mercado listado em bolsas. Estimativas citadas pela Forbes apontam que ativos privados movimentam cerca de 60 vezes mais do que empresas listadas.

Um exemplo citado por especialistas é a OpenAI, empresa de inteligência artificial avaliada em cerca de US$ 300 bilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 1,63 trilhão na cotação de setembro de 2025 (US$ 1 = R$ 5,43, segundo Banco Central). A companhia nunca abriu capital, mas figura entre os negócios mais valiosos do setor de tecnologia.

Barreiras de acesso

O prestígio do mercado privado se mantém, em grande parte, pela restrição de acesso. Esses fundos geralmente exigem aportes mínimos elevados, que podem ultrapassar US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,43 milhões). Além do valor, há barreiras intangíveis, como a necessidade de reputação consolidada e redes de relacionamento que facilitem a entrada em determinados veículos de investimento.

O ambiente regulatório também exerce papel importante. No Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) restringe a participação em alguns desses produtos a investidores qualificados, ou seja, aqueles com mais de R$ 1 milhão investidos, ou profissionais do mercado financeiro com certificações específicas.

Exclusividade além dos números

Para especialistas, o status de exclusividade não está apenas no tíquete de entrada. Ele envolve a capacidade de estar próximo de gestores, compreender o ciclo dos negócios e ter visão de longo prazo. Diferente de aplicações tradicionais, que oferecem liquidez diária, investimentos privados geralmente exigem prazos longos, de cinco a dez anos, até que haja retorno.

Apesar da limitação, esse segmento vem crescendo em relevância no Brasil, impulsionado pela sofisticação dos investidores locais e pelo interesse em oportunidades globais. Grandes gestoras internacionais têm ampliado presença no país para atender esse público.

Perspectivas para os próximos anos

O mercado privado deve seguir em expansão, impulsionado por setores como tecnologia, infraestrutura e energia renovável. A combinação de maior capitalização global e o interesse por diversificação de carteiras tende a fortalecer a busca por esses ativos.

Ao mesmo tempo, o debate sobre democratização segue em pauta. Plataformas digitais e fundos estruturados em formato de acesso ampliado começam a oferecer alternativas com tíquetes menores, embora ainda muito distantes da realidade da maior parte dos investidores.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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