É consenso entre especialistas que o ideal é contratar um seguro de vida o quanto antes, de preferência assim que a pessoa se torna financeiramente independente. No entanto, muitas pessoas deixam esse planejamento para mais tarde e acabam encontrando barreiras relacionadas ao custo elevado ou até mesmo à idade limite estabelecida pelas seguradoras.
De acordo com a Superintendência de Seguros Privados (Susep), autarquia federal que regula o setor, não existe uma determinação legal que estabeleça limite de idade para contratar seguro de vida. As seguradoras, no entanto, são livres para avaliar os riscos e definir suas próprias condições, o que inclui aceitar ou não clientes em faixas etárias mais avançadas.

Limite de idade definido pelas seguradoras
Na prática, a maioria das seguradoras aceita a contratação de seguros de vida até os 75 anos. Algumas, em casos específicos, oferecem produtos para clientes de até 85 anos. Já modalidades como seguro contra doenças graves, acidentes ou seguro funeral costumam ter limite mais baixo, geralmente até os 70 anos.
Esse recorte acontece por causa da avaliação de risco. Quanto mais idade, maior a probabilidade de morte e, consequentemente, mais caro se torna o prêmio — valor pago pelo segurado para manter a cobertura. Para calcular os preços, as seguradoras utilizam tábuas biométricas, que são projeções estatísticas de mortalidade da população.
A Susep explica que embora não haja limitação de idade, é comum que o custo aumente de forma significativa conforme a idade do segurado.
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Diferença de custo entre os modelos
Existem dois principais tipos de seguro de vida: o de repartição simples e o capitalizado.
No modelo de repartição simples, o prêmio mensal aumenta com a idade, já que o risco de morte cresce ao longo do tempo. No capitalizado, o valor é mais alto desde o início, mas se mantém fixo durante todo o contrato.
Segundo simulação da FenaPrevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida), para um seguro de vida com capital segurado de R$ 100 mil, os valores médios de prêmio mensal no modelo de repartição simples são:
- 60 anos: R$ 200,18
- 65 anos: R$ 336,78
- 70 anos: R$ 533,46
- 75 anos: R$ 848,36
Já no modelo capitalizado, os valores médios são mais altos no início, mas variam menos:
- 60 anos: R$ 358,64
- 65 anos: R$ 436,18
- 70 anos: R$ 522,11
- 75 anos: R$ 673,41
Isso significa que, entre os 60 e 75 anos, o custo do seguro no modelo de repartição simples aumenta mais de 324%, enquanto no capitalizado a alta é de cerca de 88%.
Quando contratar pode ser mais vantajoso
Segundo Nelson Emiliano, presidente da comissão atuarial da FenaPrevi, quem contrata o seguro ainda jovem tende a se beneficiar do modelo capitalizado, pois mantém a mensalidade estável ao longo do tempo. Já para quem busca contratar em idade mais avançada, o modelo de repartição simples pode ser mais vantajoso financeiramente, apesar dos reajustes.
A escolha depende também do perfil do segurado, das coberturas desejadas e da análise individual de cada seguradora. Emiliano reforça que fatores como histórico de saúde e capital segurado também influenciam no cálculo do prêmio.
Alternativas para quem ultrapassa o limite de idade
Para idosos que não conseguem contratar um seguro de vida tradicional, existem outras opções de proteção financeira para a família.
Seguro funeral
Essa modalidade pode ser contratada por filhos, noras ou genros e permite incluir pais e sogros como segurados adicionais. Embora a maioria das seguradoras limite o titular a até 70 anos, os dependentes podem ser mais velhos. Segundo simulação da FenaPrevi, o custo médio de um seguro funeral gira em torno de R$ 10 mensais para cobertura básica de R$ 15 mil, considerando um titular de 45 anos.
Previdência privada (PGBL e VGBL)
Outra alternativa é investir em planos de previdência privada. Além de servirem como forma de acumulação de patrimônio, esses produtos permitem que o saldo seja transferido diretamente aos beneficiários, sem necessidade de inventário, o que garante maior agilidade em momentos de necessidade.
Planos de seguro empresarial
Para pessoas que permanecem ativas no mercado de trabalho em idade mais avançada, há a possibilidade de manter cobertura dentro de planos empresariais coletivos. Nesse modelo, o risco é diluído entre os funcionários, o que possibilita a inclusão de trabalhadores idosos no grupo segurado.
O setor de seguros no Brasil
O seguro de vida é um dos produtos mais relevantes dentro do setor de seguros no Brasil. De acordo com dados da FenaPrevi, o segmento arrecadou R$ 29,5 bilhões em prêmios no primeiro semestre de 2025, alta de 12% em relação ao mesmo período de 2024.
A procura por esse tipo de proteção financeira tem crescido especialmente entre famílias que desejam garantir suporte em situações inesperadas, em um cenário de maior conscientização sobre planejamento sucessório.


