IBOV 138.420 +0,82% USD/BRL 5,18 -0,34% EUR/BRL 5,62 +0,11% Bitcoin US$ 61.450 -0,38% Ethereum US$ 1.627 -0,67% Selic 9,75% estável IPCA 12m 3,84% -0,12pp Petróleo Brent US$ 82,40 +1,21%
Ao vivo

Brasil se torna principal destino de investimentos chineses fora da Europa

Por

·

O Brasil conquistou um novo posto de destaque no cenário internacional ao se tornar o terceiro maior destino de investimentos da China no mundo e o primeiro fora da Europa. Segundo um estudo divulgado pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), as empresas chinesas destinaram US$ 4,2 bilhões (cerca de R$ 21 bilhões) ao país em 2024, mais que o dobro do valor registrado em 2023.

Economia brasileira e investimentos chineses
Esse movimento ocorre em meio ao fortalecimento das relações diplomáticas entre os dois países e mostra que a presença chinesa no mercado brasileiro está cada vez mais diversificada | Foto: Reprodução / Canva

Além das áreas tradicionais, como energia e petróleo, os investimentos também chegam a setores inovadores, incluindo veículos elétricos e serviços digitais.

Crescimento acelerado

Durante o período de 2015 a 2019, os investimentos da China no Brasil se concentraram em projetos de grande porte, especialmente em petróleo, gás e linhas de transmissão elétrica. Naquela época, a média anual era de US$ 6,6 bilhões (aproximadamente R$ 33 bilhões), mas em iniciativas pontuais. Agora, a estratégia mudou: em 2024, foram anunciados 39 novos projetos, um número recorde, distribuídos em diferentes segmentos da economia.

Entre os exemplos mais recentes, estão a entrada das empresas de tecnologia Meituan e Didi no setor de entregas de alimentos. A chegada dessas companhias demonstra que a China não busca apenas negócios ligados à infraestrutura, mas também está de olho em setores que dialogam diretamente com o consumidor brasileiro.

Impactos econômicos

A presença chinesa traz ganhos importantes. A maior competição no mercado nacional tende a impulsionar a produtividade das empresas já instaladas e pode gerar avanços tecnológicos. No entanto, especialistas lembram que nem todos os efeitos são imediatos.

Grande parte das fábricas chinesas instaladas no Brasil ainda importa peças produzidas na própria China e realiza apenas a montagem final no território brasileiro. Esse tipo de operação, embora relevante, cria menos empregos e não estimula a formação de novas cadeias de fornecedores locais, essenciais para um crescimento econômico mais amplo.

Outro desafio é o ambiente de negócios no Brasil. O país ainda possui um sistema tributário complexo, leis trabalhistas rigorosas e custos de produção elevados, fatores que podem limitar a expansão de novas fábricas. Apesar dessas dificuldades, os números mostram que a China continua disposta a aumentar sua participação.

Relações diplomáticas

O avanço dos investimentos chineses está diretamente ligado ao fortalecimento das relações políticas entre os dois países. Em 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontrou duas vezes com o presidente Xi Jinping. Nessas ocasiões, foram firmados acordos em áreas variadas, reforçando o papel estratégico da parceria.

Esse movimento ocorre em um momento de tensão entre a China e os Estados Unidos. O governo americano, liderado por Donald Trump, intensificou a guerra comercial e impôs tarifas mais altas sobre produtos chineses. Como consequência, muitas empresas passaram a reduzir investimentos nos EUA — que somaram apenas US$ 2,2 bilhões (cerca de R$ 11 bilhões) no último ano — e buscar alternativas em países emergentes, como o Brasil.

Mesmo assim, os Estados Unidos continuam sendo a maior fonte de investimento estrangeiro direto no Brasil, com US$ 8,5 bilhões (aproximadamente R$ 42,5 bilhões) em 2024, de acordo com dados oficiais.

Desafios e polêmicas

Apesar da força dos números, nem tudo é positivo. Neste ano, a montadora chinesa BYD enfrentou um processo judicial após o resgate de 163 trabalhadores em condições degradantes durante a construção de uma de suas fábricas. A empresa negou as acusações, mas o episódio reforçou a importância da fiscalização e do cumprimento rigoroso da legislação trabalhista brasileira, que é bastante diferente das normas aplicadas na China.

Além disso, ainda existe a preocupação de que a dependência de importações de peças e componentes limite os benefícios que poderiam ser gerados por cadeias produtivas mais robustas dentro do país. Para muitos especialistas, a chave está em equilibrar a entrada de capital estrangeiro com políticas que incentivem a produção local e o desenvolvimento de fornecedores nacionais.

Futuro da parceria

O fato de o Brasil ter subido da nona para a terceira posição no ranking global de investimentos chineses em apenas um ano mostra que o país se consolidou como destino estratégico. O desafio agora é aproveitar essa oportunidade para estimular setores inovadores, gerar empregos de qualidade e reduzir a dependência de importações.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

Newsletter

As principais notícias de finanças no seu e-mail

Análises de mercado, economia e negócios. Sem spam, cancele quando quiser.

Publicidade