Ter uma bolsa do modelo Birkin ou uma Kelly, da marca francesa Hermès, é desejo de colecionadores e fashionistas. Mais do que status, esses modelos têm se mostrado ativos de investimento rentáveis.
A Hermès mantém a exclusividade com um sistema rígido de cotas: cada cliente pode comprar no máximo duas bolsas por ano e, para chegar a esse ponto, precisa construir um relacionamento prévio com a marca. Essa escassez ajuda a sustentar a valorização de mercado.
A liquidez é alta no mercado de segunda mão, o que transforma as bolsas em reservas de valor com características raras no consumo de luxo: escassez, durabilidade e prestígio.

Retorno histórico acima do S&P 500 e do Ibovespa
Um estudo divulgado pela Front Row, empresa focada na revenda de itens de luxo novos e semi novos mostra que, entre 2014 e 2024, bolsas Hermès tiveram retorno médio de 13,9% ao ano, superando índices de referência. No mesmo período, o CDI registrou média de 1,6% em dólar, o Ibovespa ficou em 3,3% e o ouro negociado na B3 teve 5,6%. A valorização acumulada em dez anos chegou a cerca de 270%.
Para comparação, o S&P 500, principal índice da bolsa americana, apresentou crescimento médio de 10,1% ao ano em dólar no período, enquanto o Ibovespa, em reais, avançou 125% em dez anos, ou aproximadamente 8,4% ao ano, de acordo com dados da B3 e da Refinitiv, fornecedora global de dados e infraestrutura para o mercado financeiro. Considerando a cotação atual do dólar a R$ 5,48, os 13,9% de valorização anual das bolsas Hermès equivalem à cerca de 76% a mais do que o retorno médio do Ibovespa e quase o dobro da performance do ouro.
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Casos de valorização de bolsas no Brasil
No Brasil, o mercado também cresce. A empresária Andrea Bogosian iniciou sua coleção em 2010 e percebeu em 2015 que havia ali um potencial de retorno financeiro. Ao observar o mercado de revenda, notou que peças usadas eram negociadas por valores muito superiores aos de loja. Segundo ela, a união de paixão, exclusividade e estratégia financeira fez com que o closet se transformasse em portfólio de ativos.
Em conversa com a Forbes, Lilian Marques, CEO da Front Row, bolsas feitas há dez, vinte ou trinta anos podem ser revendidas em condições impecáveis. A conservação é reforçada pelo serviço de manutenção oferecido pela própria Hermès, conhecido como “spa da bolsa”, que ajuda a preservar a estética e sustentar a valorização.
Nem todo item de luxo é investimento
Especialistas alertam que nem todos os artigos de grife apresentam retorno. Roupas e calçados, por exemplo, perdem valor rapidamente e dificilmente se tornam itens colecionáveis. Mesmo entre as bolsas, há diferenças significativas. Modelos Chanel clássicos podem desvalorizar até 50% logo após a compra, enquanto edições limitadas da Hermès bem preservadas tendem a manter ou aumentar o valor de mercado.
O segredo, segundo Marques, está em três fatores: saber escolher o modelo certo, armazenar em boas condições e identificar o momento ideal de revenda. A variação de preço também está ligada à procedência e à disponibilidade no mercado secundário.
Escassez como motor do mercado de segunda mão
Enquanto grupos de luxo listados em bolsa, como a LVMH, enfrentaram queda de aproximadamente 30% em suas ações em 2023, impulsionada pela guerra comercial entre Estados Unidos e China, o mercado de bolsas Hermès seguiu em alta. O mecanismo de cotas e a produção limitada garantem demanda permanente e sustentam a valorização.
A liquidez elevada no mercado de segunda mão faz com que as bolsas Hermès sejam comparadas a obras de arte, cujo valor pode se multiplicar ao longo dos anos. Assim como no mercado artístico, a curadoria e o conhecimento do investidor são determinantes para a rentabilidade.
Perspectiva de crescimento do setor
A Bain & Company aponta que o consumo ligado a experiências de luxo, incluindo artigos colecionáveis, superou a média de crescimento global em 2024, com hospitalidade respondendo por 80% do total.
Já o mercado de residências assinadas por marcas de luxo, as chamadas branded residences, cresceu 230% na última década, segundo a Savills International Development Consultancy. Embora o segmento de bolsas seja distinto, ambos reforçam a tendência de consumidores priorizarem produtos exclusivos e de longa durabilidade.


