IBOV 138.420 +0,82% USD/BRL 5,18 -0,34% EUR/BRL 5,62 +0,11% Bitcoin US$ 61.450 -0,38% Ethereum US$ 1.627 -0,67% Selic 9,75% estável IPCA 12m 3,84% -0,12pp Petróleo Brent US$ 82,40 +1,21%

Putin nega recessão, mas PIB da Rússia recua por dois trimestres seguidos

Por

·

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta sexta-feira, 5 de setembro, que a economia do país não está em estagnação, mesmo após dados do Banco Central russo indicarem dois trimestres consecutivos de retração no Produto Interno Bruto (PIB). A definição é considerada, entre economistas, como sinal de “recessão técnica”.

O discurso foi feito no Fórum Econômico de Vladivostok, porto no extremo leste do país. Putin defendeu os juros altos como forma de conter a inflação, apesar das críticas de empresários e banqueiros. Atualmente, a taxa básica russa está em 18% ao ano, uma das mais elevadas do mundo.

Leia também: Pix sofre quarto ataque hacker, mas sistema não registra prejuízos financeiros ou de dados

pesar da negativa de Vladimir Putin, a economia da Rússia registra dois trimestres de retração | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons
Apesar da negativa de Vladimir Putin, a economia da Rússia registra dois trimestres de retração | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Queda do PIB e juros elevados

Um relatório do Banco Central da Rússia apontou retração de 0,6% no PIB no primeiro trimestre de 2025 em relação ao trimestre anterior. Os dados oficiais do segundo trimestre ainda não foram divulgados, mas o gráfico da autoridade monetária já sugere novo recuo.

Economistas classificam dois trimestres seguidos de queda como “recessão técnica”. Ainda assim, o governo projeta crescimento de 1,2% para este ano, bem abaixo dos 4,3% registrados em 2024.

O aperto monetário começou no ano passado, quando os juros subiram para 21%, o maior nível desde os anos 2000. Em 2025, houve cortes graduais, chegando ao patamar atual de 18%. A inflação, que foi de 9,4% em junho, desacelerou para 8,79% em julho. A meta do banco central é reduzir o índice para 4% até 2026.

Vozes do setor financeiro

German Gref, presidente do Sberbank, maior banco estatal da Rússia e aliado político de Putin, disse na véspera que a economia vive uma “estagnação técnica” e defendeu cortes mais agressivos nos juros.

Putin rejeitou a avaliação e afirmou que os juros altos são necessários para manter a previsibilidade econômica. “Se a inflação dominar a economia, nada de bom resultará disso”, declarou.

Orçamento e dívida pública

Além dos juros, outro ponto de preocupação é o orçamento federal. Com a guerra na Ucrânia completando três anos e meio, os gastos militares pressionam as contas públicas. Ainda assim, Putin afirmou que não haverá aumento de impostos e disse que o país pode ampliar o déficit porque a dívida pública russa segue em nível considerado baixo.

Impacto global e no Brasil

A situação econômica da Rússia não fica restrita às fronteiras do país. Como grande exportador de energia e fertilizantes, qualquer movimento em sua economia pode gerar reflexos no mercado internacional.

Impactos no mundo:

  • Energia: a Rússia é um dos principais exportadores de petróleo e gás. Oscilações de produção ou exportação afetam os preços internacionais, impactando diretamente a inflação global.
  • Mercados emergentes: maior instabilidade russa pode levar investidores a retirar recursos de países em desenvolvimento, elevando os juros internacionais.
  • Geopolítica: uma economia mais fraca reduz a capacidade da Rússia de sustentar a guerra na Ucrânia, alterando negociações com China, União Europeia e Estados Unidos.

Impactos no Brasil:

  • Combustíveis: mudanças no preço internacional do petróleo se refletem no valor da gasolina e do diesel no Brasil.
  • Agronegócio: a Rússia é fornecedora de cerca de 20% dos fertilizantes usados pelo Brasil, segundo o Ministério da Agricultura. Qualquer redução nas exportações pode elevar custos da produção agrícola.
  • Comércio bilateral: em 2023, o fluxo comercial entre Brasil e Rússia somou US$ 11,7 bilhões (cerca de R$ 64 bilhões, considerando câmbio de R$ 5,48), com destaque para carnes, petróleo e insumos agrícolas. Uma crise russa pode reduzir esse volume.
  • Mercado financeiro: instabilidade aumenta a aversão ao risco global, o que pressiona moedas emergentes como o real e pode trazer impacto sobre a inflação doméstica.

Expectativas para os próximos meses

O Banco Central da Rússia deve se reunir em 12 de setembro para decidir os próximos passos da política monetária. Analistas do mercado financeiro local aguardam novos cortes, mas ponderam que uma redução acelerada pode reacender a inflação.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

Newsletter

As principais notícias de finanças no seu e-mail

Análises de mercado, economia e negócios. Sem spam, cancele quando quiser.