Profissionais autônomos, como médicos, advogados, entregadores e motoristas de aplicativos, não têm acesso a benefícios trabalhistas garantidos pela CLT, como auxílio-doença, seguro-desemprego ou aposentadoria integral.
O Brasil conta hoje com 15,5 milhões de microempreendedores individuais (MEIs), segundo dados do Sebrae de agosto de 2025, e grande parte deles depende apenas da própria renda para sobreviver e sustentar a família.
Sem essa rede de proteção, a busca por seguros se torna uma estratégia fundamental. Em entrevista ao E-Investidor, Rodrigo Cunha, gerente de produtos e inteligência de mercado do Grupo MAG, esses profissionais precisam agir de forma preventiva para garantir tranquilidade em casos de imprevistos de saúde, invalidez ou morte.

Proteção da renda
O primeiro ponto de atenção para autônomos é a manutenção da renda. Um imprevisto pode comprometer meses de trabalho. O seguro de diárias por incapacidade temporária (DIT) é uma das principais alternativas, já que paga uma quantia mensal quando o profissional fica impossibilitado de atuar devido a acidente ou doença.
Também se destaca o seguro por invalidez, que indeniza em casos de invalidez permanente acidental ou por doença. Outros produtos que ajudam a preservar a renda são os de diária por internação hospitalar e o de cirurgia, voltados a cobrir despesas durante o período de tratamento e recuperação.
De acordo com a Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), o mercado de seguros de pessoas cresceu 8,4% no primeiro semestre de 2025 em relação ao mesmo período de 2024, movimentando R$ 36,8 bilhões. O aumento mostra que a procura por proteção financeira vem se ampliando entre diferentes perfis de trabalhadores.
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Proteção para familiares
O de vida tradicional continua sendo a principal forma de proteção para dependentes. Ele garante que, em caso de falecimento do segurado, os familiares recebam uma indenização capaz de manter o padrão de vida e cobrir despesas básicas.
Segundo levantamento da Susep (Superintendência de Seguros Privados), em 2024 foram pagos R$ 22,3 bilhões em indenizações de seguros de vida no Brasil. O dado reforça o papel desse produto como rede de amparo para famílias diante da perda do provedor de renda.
Proteção do patrimônio
Muitos autônomos utilizam bens pessoais para exercer suas atividades, como automóveis, celulares e até mesmo a própria residência em regime de home office. Nesse cenário, o seguro patrimonial ganha importância.
O seguro de celular, por exemplo, cobre roubo, furto ou danos ao aparelho, item essencial para motoristas de aplicativos e prestadores de serviços que dependem de comunicação constante com clientes. Já o seguro residencial protege imóveis usados tanto para moradia quanto como escritório.
A cobertura básica desses contratos inclui incêndio, queda de raio e explosões. Entre as opções adicionais, é possível incluir proteção contra alagamentos, danos elétricos, desmoronamento, quebra de vidros e roubo de bens.
Seguro “liga e desliga”
Uma inovação recente no mercado brasileiro é o seguro sob demanda, também chamado de “liga e desliga”. Esse modelo permite que o segurado ative ou desative a cobertura por meio de um aplicativo, pagando apenas pelo período de uso.
O formato se popularizou entre motoristas de aplicativo e entregadores, que podem contratar a proteção apenas durante a jornada de trabalho. O modelo torna a contratação mais acessível e adaptada à rotina irregular dos profissionais.
Seguro de responsabilidade civil
Outro produto relevante é o seguro de responsabilidade civil profissional, que cobre indenizações decorrentes de falhas técnicas, erros ou omissões durante a prestação de serviços.
No caso de médicos, a cobertura se aplica em situações como erro médico que resulte em sequelas ao paciente. Para advogados ou contadores, abrange cálculos equivocados ou aplicação incorreta de normas que causem prejuízos a clientes.
Esse tipo de seguro evita que um processo judicial coloque em risco o patrimônio pessoal do profissional e comprometa a continuidade de sua atividade.
Análise de perfil antes da contratação
Especialistas recomendam que os autônomos realizem uma análise consultiva antes de contratar qualquer seguro. O objetivo é identificar prioridades individuais e montar uma cesta de produtos de proteção adequada ao perfil e à renda disponível.
Segundo a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), o Brasil alcançou um faturamento de R$ 388 bilhões em seguros, previdência complementar aberta e capitalização em 2024, com crescimento de 12,2% frente ao ano anterior. O avanço mostra a relevância crescente do setor para trabalhadores de diferentes perfis, incluindo autônomos e MEIs.