Os mercados argentinos registraram forte alta nesta segunda-feira, 22 de setembro, depois que os Estados Unidos afirmaram que “todas as opções estão na mesa” para apoiar o governo de Javier Milei. A sinalização foi feita pelo secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, que mencionou possibilidades como linhas de swap, compras diretas de moeda e aquisição de dívida pública em dólar.
Ele destacou que a Argentina é considerada um “aliado sistêmico importante” dos EUA na América Latina. A declaração trouxe alívio a investidores que vinham se desfazendo de ativos argentinos diante das incertezas políticas e econômicas.
Leia também: Pix Parcelado pode virar realidade com novas regras do Banco Central

Recuperação das ações e títulos argentinos
Com a fala de Bessent, ações argentinas negociadas em Nova York avançaram mais de 10%. Um índice específico desses papéis chegou a subir quase 12%. Já os títulos da dívida argentina, com vencimento em 2046, tiveram valorização de 6,7 centavos de dólar, alcançando 53,85 centavos de dólar. Na conversão, o papel passou a valer cerca de R$ 3,12 (cotação de R$ 5,80 por dólar).
O peso argentino também reagiu. A moeda local subiu 2%, chegando a 1.446 pesos por dólar, o que equivale a aproximadamente R$ 250,67 por dólar. Essa valorização ocorreu após o Banco Central argentino gastar mais de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,8 bilhões) em reservas na semana anterior para tentar segurar a cotação.
Contexto de perdas recentes
O movimento de recuperação ocorre depois de semanas de forte pressão. Os títulos argentinos acumulavam queda superior a 20% em 2025. Além disso, o peso vinha se aproximando do limite inferior da banda cambial estabelecida pelo governo.
A situação se agravou após denúncias de corrupção em torno de aliados de Milei e pela derrota de seu partido em eleições locais na província de Buenos Aires. O episódio aumentou as dúvidas sobre a capacidade política do presidente de implementar medidas de estabilização econômica.
Medidas fiscais no setor agrícola
No mesmo dia em que recebeu apoio verbal dos Estados Unidos, o governo argentino anunciou a suspensão temporária dos impostos sobre exportações de grãos. A medida vale até o fim de outubro, período que inclui as eleições de meio de mandato, agendadas para o dia 26.
Segundo analistas, essa decisão pode estimular o setor agrícola, que é fundamental para as exportações argentinas e para a entrada de divisas no país. A expectativa é de que a iniciativa também ajude a reduzir a pressão sobre o câmbio.
Olhar dos investidores
Para especialistas, o anúncio dos EUA serviu como um “freio de emergência” diante da deterioração do mercado argentino. Alejo Czerwonko, diretor de investimentos para mercados emergentes nas Américas do UBS, afirmou à Reuters que a intervenção de Bessent trouxe um peso significativo, oferecendo ao governo Milei uma “janela crítica” antes das eleições.
Já Kathryn Exum, da gestora Gramercy Funds Management, destacou que a ajuda externa, somada às medidas fiscais, pode ajudar a Argentina a preservar suas reservas cambiais. Mas alertou que a manutenção dessa melhora vai depender da postura do governo após a votação de outubro.
Perspectivas
Apesar da recuperação momentânea, os títulos argentinos seguem com rendimentos elevados, entre 16% e 26%, sinal de que os investidores ainda enxergam riscos elevados. A trajetória futura vai depender tanto das negociações com os EUA quanto da capacidade do governo Milei de manter estabilidade política interna.
*Entrevistas concedidas ao G1.


