A dívida global chegou a US$ 337,7 trilhões, equivalente a R$ 1.806,3 trilhões, no fim do segundo trimestre de 2025, segundo relatório do Instituto de Finanças Internacionais (IIF). Esse valor recorde reflete uma expansão de mais de US$ 21 trilhões, cerca de R$ 112,3 trilhões acumulados no primeiro semestre do ano.
Esse salto foi impulsionado por condições financeiras mais flexíveis, enfraquecimento do dólar e postura mais acomodatícia dos bancos centrais em diversas economias centrais.
Leia também: Brasil reduz impostos de importação para 15 produtos não fabricados no país

Países que mais contribuíram para o salto da dívida
Entre as nações com maiores aumentos em termos de dívida externa, destacam-se China, França, Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e Japão. Parte desse incremento se explica pela desvalorização do dólar, que valoriza os montantes em moeda estrangeira.
O estudo do IIF observa que nos mercados emergentes (mercados de países em desenvolvimento), a relação dívida/PIB bateu 242,4%, atingindo um novo recorde, após ajustes do relatório anterior. No total, a dívida nas economias emergentes ultrapassou US$ 109 trilhões no segundo trimestre de 2025.
Relação dívida / PIB: sinais mistos
Globalmente, a razão dívida/produto permaneceu pouco acima de 324%, segundo os dados do IIF. Esse número indica que, em média, os países têm dívidas que correspondem a mais de três vezes o valor da produção anual agregada.
Ainda assim, algumas economias registraram queda nessa proporção, como Irlanda, Japão e Noruega, de acordo com o relatório. Por outro lado, países como Canadá, China, Arábia Saudita e Polônia apresentaram os maiores aumentos na relação dívida/PIB.
Pressão nos mercados emergentes e risco fiscal
Os mercados emergentes enfrentam forte pressão: segundo o IIF, há US$ 3,2 trilhões em resgates e vencimentos de títulos previstos para o restante de 2025. Esse cenário eleva o risco de tensões fiscais em países menos sólidos.
O relatório também alerta para a volatilidade dos “bond vigilantes” — investidores que vendem papéis de países cujas finanças consideram insustentáveis —, especialmente em economias maduras como Japão, Alemanha e França.
Dívida pública de curto prazo nos EUA
O IIF destacou que nos Estados Unidos, os empréstimos de curto prazo passaram a representar cerca de 20% da dívida total do governo e aproximadamente 80% das emissões do Tesouro.
Essa dependência acentuada de debêntures e títulos com vencimento rápido pode exercer pressão política sobre o Federal Reserve para manter taxas de juros baixas, o que pode comprometer a independência da política monetária.
O que isso significa para economias vulneráveis
Com dívida elevada, mercados emergentes ficam mais expostos a choques externos. A capacidade de refinanciar dívida em moeda estrangeira se torna mais sensível a variações cambiais, elevação de juros e fluxo de capital.
Países que dependem de financiamento externo podem enfrentar custos maiores de captação, maior risco cambial e necessidade de ajustes fiscais mais severos para manter credibilidade.


