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Trabalhadores de aplicativos mais que dobram em menos de dez anos, mostra Banco Central

Dados divulgados na última quinta-feira, 25 de setembro, pelo Banco Central (BC), revelam a rápida expansão do trabalho mediado por aplicativos no Brasil. O número de trabalhadores passou de 770 mil em 2015 para 2,1 milhões em 2024, um salto de 170% em menos de uma década.

O estudo aponta que o avanço foi favorecido pela disseminação da internet móvel, pelo aumento do uso de smartphones e pelo baixo custo de entrada nesse tipo de atividade | Foto: Reprodução/ Canva

As informações constam no Relatório de Política Monetária, elaborado com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No mesmo período, a população ocupada no país cresceu apenas 10%. A comparação indica que as funções ligadas a aplicativos foram uma das que mais se ampliaram dentro do mercado de trabalho brasileiro.

Participação no mercado

Apesar da alta, a fatia desses trabalhadores ainda é reduzida em relação ao conjunto de pessoas com emprego no país. O levantamento mostra que eles representam 2,1% da população ocupada e 1,2% do total de brasileiros em idade ativa.

Para o BC, isso significa que, embora o fenômeno seja expressivo, ainda tem peso limitado no quadro geral do emprego. Os vínculos formais e informais continuam predominando, enquanto o segmento digital avança de forma gradual.

Quem migrou para os aplicativos

O relatório destaca que a expansão não ocorreu substituindo outras ocupações. A maior parte dos que ingressaram nesse setor vinha de fora da força de trabalho, ou seja, estava sem emprego ou em situação de inatividade. Dessa forma, as plataformas têm funcionado como porta de entrada para o mercado, em vez de deslocar ocupações já existentes.

Esse movimento ajudou a reduzir a ociosidade de parte da população, oferecendo uma alternativa em momentos de maior dificuldade de recolocação.

Motivos do crescimento

O Banco Central identificou alguns fatores que explicam a forte adesão:

  • Tecnologia acessível: o uso cada vez mais comum de celulares inteligentes e a ampliação da rede de internet móvel viabilizaram o funcionamento das plataformas.
  • Barreira de entrada baixa: para iniciar, muitas vezes basta ter um telefone com conexão e, em casos de transporte ou entrega, um veículo, bicicleta ou motocicleta.
  • Autonomia de horário: a possibilidade de escolher quando e quanto trabalhar atraiu muitos interessados, especialmente quem já tinha outra ocupação.
  • Expansão da demanda: consumidores se acostumaram a pedir comida, transporte e serviços de forma digital, hábito reforçado durante a pandemia de covid-19.

Reflexos no emprego

Embora tenha absorvido milhões de pessoas, o modelo levanta discussões sobre estabilidade e direitos trabalhistas. A maioria atua como autônoma, sem registro em carteira, o que limita o acesso a benefícios como férias, 13º salário e aposentadoria.

Por outro lado, para muitos, os aplicativos se tornaram a opção imediata diante da falta de vagas tradicionais. O BC ressalta que, em momentos de crise, essas plataformas funcionam como um canal de absorção rápida da mão de obra.

Perspectivas futuras

O estudo não detalhou projeções para os próximos anos, mas relacionou o crescimento ao avanço tecnológico e ao aumento do consumo digital. Com isso, a tendência é que o setor siga em expansão, embora dependa do desempenho da economia e da regulação do trabalho por aplicativos, tema atualmente em debate no Congresso Nacional.

O governo discute formas de estabelecer garantias mínimas a motoristas e entregadores sem comprometer a flexibilidade, considerada um dos atrativos do modelo.

Comparação com o mercado geral

Enquanto as plataformas adicionaram cerca de 1,3 milhão de pessoas entre 2015 e 2024, o mercado de trabalho no geral incorporou quase 10 milhões. A diferença mostra que, embora menor em termos absolutos, o crescimento do segmento digital foi muito mais acelerado.

O relatório também observou que, inicialmente concentrados nas grandes capitais, os aplicativos hoje alcançam cidades médias e pequenas, ampliando o alcance do setor em todo o território nacional.

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