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Gol e Azul encerram negociações de fusão

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A tentativa de fusão entre as companhias aéreas Gol Linhas Aéreas e Azul Linhas Aéreas chegou ao fim após nove meses de negociações. Em comunicado ao mercado na noite de quinta-feira, 25 de setembro, as empresas informaram que não haverá continuidade do processo que poderia resultar na criação da maior companhia aérea do país em participação de mercado.

A holding Abra, controladora da Gol, destacou que não houve avanços recentes nas discussões devido ao foco da Azul em seu processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, conhecido como Chapter 11.

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Alta nas ações de Gol e Azul reflete a reação do mercado ao fim das negociações de fusão | Foto: Reprodução/Canva
Alta nas ações de Gol e Azul reflete a reação do mercado ao fim das negociações de fusão | Foto: Reprodução/Canva

Repercussão no mercado financeiro

O anúncio repercutiu imediatamente no mercado de capitais. As ações preferenciais da Azul (AZUL4) registraram alta de cerca de 14% na manhã desta sexta-feira, 26 de setembro, enquanto os papéis da Gol (GOLL4) subiram em torno de 8%.

Segundo informações da B3, o desempenho positivo reflete a expectativa de investidores sobre o redesenho das estratégias individuais das duas companhias. A valorização das ações também sinaliza confiança do mercado na capacidade das empresas em dar prosseguimento aos seus planos de capitalização e reestruturação.

Histórico das tratativas entre Gol e Azul

O acordo inicial para explorar a fusão foi firmado em janeiro de 2025, em um contexto econômico diferente do atual. Naquele momento, a Gol passava por processo de Chapter 11 nos Estados Unidos, enquanto a Azul buscava renegociar suas dívidas.

Em junho, a Gol concluiu seu processo de reestruturação e anunciou foco em crescimento orgânico. Já a Azul entrou com pedido de Chapter 11 posteriormente, apresentando plano de refinanciamento de dívidas e captação de recursos. A expectativa era de que, após a conclusão dessas etapas, as negociações pudessem ser retomadas, o que não ocorreu.

Avaliação regulatória e entraves legais

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) já havia se posicionado sobre as tratativas. No início de setembro, o presidente do órgão, Gustavo Augusto, afirmou à Reuters que as companhias deveriam evitar declarações públicas sobre a fusão sem que houvesse uma proposta formal.

Segundo Augusto, operações desse porte precisam ser tratadas com cautela, dado o impacto que podem ter no mercado aéreo e na concorrência. Ele reforçou que qualquer anúncio sem submissão formal ao Cade poderia confundir investidores e consumidores.

Acordo de codeshare também é encerrado

Paralelamente à fusão, as duas companhias mantinham desde 2024 um acordo de codeshare, que permitia a venda de passagens de voos operados pela outra empresa. Esse acordo também foi encerrado.

A Gol informou que as passagens emitidas durante a vigência do codeshare continuarão válidas e que os voos programados serão honrados. A Azul destacou, em fato relevante, que seguirá concentrada no fortalecimento de sua estrutura financeira e manterá o mercado atualizado sobre os próximos passos.

Perspectivas para o setor aéreo

O fim das negociações ocorre em um momento de recuperação gradual do setor de aviação civil no Brasil. De acordo com dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o número de passageiros transportados no país em julho de 2025 cresceu 6,5% em relação ao mesmo período de 2024.

O setor ainda enfrenta desafios relacionados ao custo do combustível, que representa cerca de 40% das despesas operacionais, segundo levantamento do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea). A volatilidade do preço do petróleo e a cotação do dólar, atualmente em R$ 5,54, pressionam o caixa das companhias.

Continuidade das operações

Apesar do encerramento das negociações de fusão, tanto Gol quanto Azul reforçaram que manterão o foco em ampliar rotas, melhorar a experiência dos passageiros e consolidar suas estratégias individuais de mercado.

As empresas também destacaram que seguirão em contato com autoridades regulatórias e investidores para avaliar alternativas de fortalecimento financeiro e operacional.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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