A Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), criada para atender famílias de classe média, já alcançou R$ 3 bilhões em contratos de financiamento. O dado foi divulgado pelo presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, em entrevista ao programa CNN Money, nesta terça-feira, 30 de setembro.
Apesar do volume registrado, Carlos Vieira destacou que a expectativa inicial era de uma demanda maior. Segundo ele, o segmento ainda está em fase de adaptação. O executivo comparou a situação com o início do programa habitacional em 2009, quando também houve um período de ajustes até que construtoras e incorporadoras adaptassem os lançamentos às regras do MCMV.
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Crescimento gradual da Faixa 4 do MCMV
A Faixa 4 foi anunciada em julho de 2023 como parte da reformulação do Minha Casa Minha Vida. O objetivo é atender famílias com renda mensal entre R$ 8 mil e R$ 12 mil, patamar acima das três faixas tradicionais do programa.
Segundo Vieira, mesmo com o início mais lento, o segmento apresenta evolução consistente. “O mercado da Faixa 4 dobra mensalmente”, afirmou. Ele acrescentou que esse crescimento está ligado tanto à demanda por novos empreendimentos quanto ao interesse em retrofit, ou seja, a adaptação de prédios antigos para moradia.
A Caixa, que responde por cerca de 70% do crédito imobiliário no país, tem reforçado parcerias com construtoras para ampliar a oferta de imóveis dentro dessa faixa.
Importância do crédito imobiliário
O presidente da Caixa destacou ainda a relevância do financiamento habitacional para a economia brasileira. De acordo com ele, o banco produz R$ 1 bilhão em contratos imobiliários por dia, o que equivale a aproximadamente R$ 5,5 bilhões por semana.
A previsão para 2025 é encerrar o ano com R$ 250 bilhões em financiamentos habitacionais. Vieira justificou o resultado pelo aumento da renda familiar, mesmo diante de uma taxa básica de juros elevada, atualmente em 10,75% ao ano, segundo dados do Banco Central.
Ele também citou que, diariamente, a Caixa financia 19 novos empreendimentos e processa 318 mil simulações de crédito habitacional em suas plataformas digitais e agências.
Debate sobre taxação da LCI
Vieira aproveitou a entrevista para defender que as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) permaneçam isentas de tributação. A discussão sobre a possibilidade de taxar o produto tem avançado no Congresso Nacional.
Segundo o executivo, uma mudança na tributação impactaria toda a cadeia da construção civil, responsável por milhões de empregos e por uma fatia significativa do Produto Interno Bruto (PIB). A defesa também é compartilhada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), que atua junto aos parlamentares contra a medida.
O uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como base de financiamento para o setor foi outro ponto ressaltado pelo presidente da Caixa. Ele afirmou que a instituição reforça constantemente ao Legislativo a importância de preservar a destinação dos recursos do fundo para a habitação.
Novos serviços da Caixa
Além das iniciativas habitacionais, a Caixa Econômica Federal também prepara novidades em outras áreas. Vieira anunciou que, até o fim de outubro, o banco lançará sua própria plataforma de apostas esportivas, seguindo o modelo das casas de apostas digitais que vêm crescendo no Brasil.
Segundo ele, a plataforma terá foco no jogo responsável e seguirá os padrões já aplicados nas loterias operadas pela Caixa em todo o país. O objetivo é gerar arrecadação adicional para a União e ampliar as opções de serviços do banco estatal.


