A atividade econômica da região Nordeste cresceu 4,0% em 2024, superando a média nacional de 3,8%, de acordo com o Boletim Macro Regional – Nordeste, divulgado em março de 2025 pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE). O resultado mostra a relevância da região no cenário econômico do país, mesmo diante de desafios nacionais como juros altos e inflação persistente.
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Estados que puxaram o crescimento
O desempenho foi impulsionado principalmente por Pernambuco e Ceará. Pernambuco registrou avanço de 4,7%, enquanto o Ceará apresentou crescimento de 5,5% em 2024, ambos sustentados pelos setores de serviços e pela indústria de transformação.
A Bahia também contribuiu para os números positivos, com crescimento de 3,1%. Apesar de ter ficado abaixo da média nordestina, o estado manteve trajetória de recuperação após um período de desempenho mais moderado.
Em valores ajustados pelo Produto Interno Bruto (PIB) per capita, a economia nordestina, que em 2023 girava em torno de R$ 22,7 mil anuais por habitante, registrou evolução compatível com a média nacional de R$ 46,3 mil, de acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Serviços como motor econômico
Entre os setores, os serviços tiveram papel central na expansão. Atividades ligadas ao comércio, ao turismo e à intermediação financeira mostraram desempenho relevante. Com isso, o setor respondeu por uma parte significativa dos R$ 2,6 trilhões movimentados pela economia nacional em serviços em 2024, dos quais o Nordeste teve participação aproximada de 14%, conforme dados do IBGE.
A indústria de transformação também registrou avanço na região, contribuindo para o saldo positivo. O segmento foi fortalecido por investimentos em polos industriais localizados em áreas metropolitanas, como o Complexo Industrial Portuário de Suape, em Pernambuco, e o polo automotivo instalado no Ceará.
Indústria extrativa em queda no Nordeste
O setor industrial como um todo cresceu 2,5% no Nordeste, abaixo da média nacional de 3,1%. O destaque negativo foi a indústria extrativa, que apresentou retração de 8,4%. O resultado reflete, principalmente, a queda na produção de minerais metálicos e não metálicos, além da desaceleração na exploração de petróleo e gás em algumas áreas.
Mesmo com a retração, a indústria nordestina ainda responde por cerca de 13% da produção nacional, mantendo importância estratégica para o desenvolvimento regional.
Desafios para 2025
Apesar do crescimento acima da média nacional, o cenário para 2025 exige cautela. O FGV IBRE aponta que a política monetária restritiva, com a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano, pode limitar a expansão do crédito e o consumo das famílias.
Além disso, a inflação acumulada em 12 meses, que chegou a 5,13% até agosto de 2024, pressiona os custos para empresas e consumidores. Esse ambiente pode reduzir a velocidade de crescimento observada em 2024.
Outro ponto de atenção é o mercado de trabalho. Embora a taxa de desemprego nacional tenha recuado para 7,4% no final de 2024, no Nordeste ela permanece mais elevada, em torno de 9,5%, segundo dados do IBGE. Esse índice reforça a necessidade de políticas de incentivo à geração de empregos de qualidade.
Perspectivas da região
O Boletim Macro Regional – Nordeste destaca que, para sustentar o ritmo de crescimento, será necessário estimular investimentos produtivos em infraestrutura, inovação tecnológica e qualificação de mão de obra.
A análise aponta ainda que os próximos meses serão decisivos para medir a resiliência da economia nordestina diante de um cenário nacional mais desafiador. Caso a desaceleração econômica se intensifique em 2025, a região poderá enfrentar limitações em manter taxas de crescimento superiores à média do país.