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Saiba como se aposentar com R$ 5 mil no INSS após os 45 anos

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As regras de contribuição da Previdência Social costumam confundir quem está pensando no futuro. Entre autônomos, a dúvida é ainda maior: vale a pena pagar o mínimo mensal ou investir para receber um benefício mais alto?

A resposta depende de planejamento. Pelas normas atuais do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), é possível chegar à aposentadoria com um benefício de cerca de R$ 5.000 mesmo começando a contribuir apenas depois dos 45 anos. Mas para isso é preciso seguir regras específicas e manter disciplina nas contribuições.

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Planejar o futuro exige disciplina e estratégia, o INSS pode ser um bom ponto de partida, desde que o trabalhador entenda o caminho das contribuições | Foto: Reprodução/Canva

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Planejar o futuro exige disciplina e estratégia. O INSS pode ser um bom ponto de partida, desde que o trabalhador entenda o caminho das contribuições | Foto: Reprodução/Canva

Como funciona o cálculo do INSS para aposentadorias

O valor da aposentadoria é calculado com base na média de 100% das contribuições feitas desde julho de 1994, conforme determina o artigo 26 da Emenda Constitucional n.º 103/2019 (Reforma da Previdência).

Atualmente, o teto do INSS é de R$ 8.157,41 (dados de 2025, segundo o Portal da Previdência). Isso significa que quem contribui sobre esse valor paga 20%, ou R$ 1.631,48 por mês, no código 1406, destinado a contribuintes individuais (autônomos).

O mínimo exigido para aposentadoria é de 15 anos de contribuição, além da idade mínima de 62 anos para mulheres e 65 para homens. Assim, alguém que começar a pagar aos 47 (mulher) ou 50 (homem) pode, em tese, alcançar o benefício dentro das regras vigentes.

Estratégias para CLT e autônomos

Segundo a advogada previdenciária Camila Pellegrino, do escritório Pellegrino & Galleti Advocacia, é possível receber R$ 5 mil se a média de contribuições for alta o bastante. “O cálculo do INSS é uma média de tudo o que foi pago. Então, quanto mais tempo a pessoa contribuir sobre valores próximos ao teto, maior será o benefício”, explica.

Quem trabalha com carteira assinada (CLT) tem as contribuições recolhidas automaticamente pela empresa. Se o valor estiver abaixo do teto, é possível complementar como autônomo para aumentar a média.

Por exemplo: se o empregador recolhe R$ 800 de contribuição mensal, o trabalhador pode pagar a diferença até atingir o teto de R$ 1.631,48, usando o mesmo código de contribuinte individual.

Para quem é totalmente autônomo, o ideal é manter o pagamento mensal em dia e sobre o teto. Caso contrário, o valor do benefício pode cair. “A Previdência é matemática pura. Cada atraso ou lacuna nas contribuições afeta diretamente o valor final”, reforça Pellegrino.

Cuidado com o histórico de contribuições

Quem teve períodos de trabalho informal, mudança de emprego ou queda de renda deve redobrar a atenção. O INSS calcula a média de todos os salários de contribuição. Assim, se houve meses pagos com base em valores menores, a média também diminui.

O ideal é procurar um especialista em direito previdenciário para avaliar o histórico e montar uma simulação. O custo médio de uma consulta, conforme a tabela da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), é de R$ 500. Em casos mais complexos, o pagamento pode ocorrer apenas no êxito, ou seja, quando o benefício for concedido.

O risco das mudanças nas regras

O Orçamento Federal de 2026 estima que os gastos com a Previdência Social ultrapassem R$ 1 trilhão, de acordo com dados do Tesouro Nacional. O envelhecimento da população e o alto número de trabalhadores informais — cerca de 40%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia), na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua, 2025) — pressionam as contas públicas.

Para o economista Fabio Giambiagi, pesquisador associado do FGV/IBRE (unidade da Fundação Getulio Vargas (FGV) dedicada à produção de estatísticas e pesquisas) é possível que novas reformas sejam feitas. “A previdência pública é deficitária e deve continuar assim. Mas não há risco de colapso, pois o Tesouro cobre o rombo”, afirma.

Previdência privada e investimentos como complemento

Mesmo seguindo as regras do INSS, depender apenas da previdência pública pode não garantir o padrão de vida desejado. Uma alternativa é diversificar o planejamento, incluindo investimentos de longo prazo.

As previdências fechadas, vinculadas a sindicatos e categorias, costumam ter taxas menores e sem fins lucrativos, segundo levantamento da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc). Além disso, investir em produtos como Tesouro Direto, fundos de renda fixa ou ações de empresas sólidas pode ajudar a formar uma reserva adicional.

Essas opções são especialmente importantes porque, mesmo ao se aposentar, grande parte das pessoas continua ativa — trabalhando, viajando e buscando qualidade de vida. Ter mais de uma fonte de renda ajuda a garantir tranquilidade financeira nessa fase.

*Entrevistas concedidas ao InfoMoney.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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