O estado de Sergipe vem inovando e acaba de entrar para a história da tecnologia no Brasil. Uma parceria entre o aplicativo de delivery iFood e a empresa nacional Speedbird Aero colocou em prática uma das primeiras operações de entrega por drones em áreas urbanas do país.
Os testes, realizados com autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), mostraram que as aeronaves não tripuladas podem ser aliadas importantes para reduzir custos e tempo de entrega no setor de alimentação.
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O exemplo mais simbólico foi o trajeto entre Aracaju e Barra dos Coqueiros, que antes levava cerca de uma hora por terra e agora é feito em menos de um minuto pelo ar. O objetivo não é substituir os entregadores humanos, mas tornar o processo mais eficiente. O drone faz o trecho mais demorado, e o entregador assume o pedido a partir de um ponto de coleta próximo ao cliente.
Segundo o diretor de Logística do iFood, Rodolfo Klautau, o modelo “multimodal” é o futuro da empresa. “O iFood combina bicicletas, motos, carros, barcos, robôs e agora também drones para conectar um ecossistema de entregas com mais precisão. O drone entra para resolver trechos que não fariam sentido para o entregador, que continua sendo alocado em rotas mais produtivas”, explicou em comunicado oficial.
Tempo e custo reduzidos nas entregas em Sergipe
O sistema criado em Sergipe foi pensado para funcionar sete dias por semana, durante 10 horas por dia, com capacidade de atender até 280 pedidos diários. A fase atual é resultado de um projeto iniciado em 2021, quando o iFood e a Speedbird Aero realizaram os primeiros testes no estado.
Com o aval da Anac, essa é a primeira autorização permanente para transporte de alimentos por drones na América do Sul. A conquista coloca o Brasil entre os países pioneiros no uso comercial de drones para entregas.
De acordo com a Speedbird Aero, a operação reduz o tempo médio de entrega e o consumo de combustível, o que diminui também a emissão de gases poluentes. A empresa afirma que o modelo pode representar economia de até 30% nos custos logísticos das plataformas de delivery, considerando o menor deslocamento de motocicletas e o uso mais racional das rotas urbanas.
Avanço regulatório e tecnologia nacional
A Anac autorizou os voos sobre áreas com circulação de pessoas após uma série de testes de segurança e desempenho realizados entre 2021 e 2024. Os drones utilizados são fabricados no Brasil e passam por inspeções rigorosas antes de cada operação.
Em nota, a agência destacou que o processo de certificação considerou “critérios de segurança equivalentes aos aplicados à aviação civil tripulada”, reforçando que a operação representa um passo importante para a consolidação da mobilidade aérea urbana.
Para o CEO da Speedbird Aero, Manoel Coelho, o avanço representa um marco para o setor. “A retomada e expansão do projeto em Aracaju é um marco não apenas para o iFood e a Speedbird, mas para todo o setor de mobilidade aérea no Brasil. É a primeira autorização permanente da Anac para voos sobre áreas com circulação de pessoas. Essa conquista demonstra que a inovação feita no Brasil tem maturidade para transformar realidades urbanas, encurtando distâncias e criando soluções logísticas sustentáveis”, afirmou à revista Forbes.
Impacto na logística e nos empregos
De acordo com o iFood, o uso de drones não elimina postos de trabalho, mas reorganiza as etapas da entrega. Em vez de percorrer grandes distâncias, o entregador atua em áreas mais concentradas, o que reduz custos com combustível e aumenta a produtividade.
Os voos são planejados para complementar o trabalho humano, especialmente em regiões com obstáculos naturais, como rios, ou trânsito intenso. O trajeto pelo ar evita congestionamentos e reduz o tempo de espera para restaurantes e consumidores.
Além de ganhos logísticos, o projeto em Sergipe serve como laboratório para futuras aplicações no transporte de medicamentos, exames laboratoriais e equipamentos médicos, áreas que podem se beneficiar da rapidez dos drones.
Segundo dados da consultoria PwC Brasil, o mercado global de drones deve movimentar US$ 54 bilhões (cerca de R$ 305 bilhões) até 2030, com destaque para setores de logística, segurança e infraestrutura.
Brasil entre os pioneiros na América Latina
O projeto de Aracaju coloca o Brasil ao lado de países como Chile e México, que já testam entregas aéreas em pequena escala. Em comparação, os testes da Speedbird Aero são os únicos na região com autorização permanente da autoridade de aviação civil.
A operação ainda está em fase de ampliação, mas já é considerada estratégica para o desenvolvimento de novas rotas automatizadas e integração com sistemas de entrega terrestre. A expectativa é que, até o final de 2026, outras capitais brasileiras com topografia favorável recebam projetos semelhantes.


