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Volta ao presencial: queda no home office expõe diferenças de renda e deslocamento no país, mostra IBGE

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Desde o Censo de 2010 até o de 2022, o Brasil registrou uma queda no percentual de pessoas que trabalham em casa. É o que mostram dados divulgados pelo IBGE. Em 2022, apenas 16,9% da população ocupada trabalhava em casa ou na própria propriedade, proporção bem inferior aos 22% registrados em 2010, quando esse número estava em torno de 18 milhões de pessoas.

Além desse recuo no home office, o levantamento revela como muitos trabalhadores voltaram a depender de deslocamento para exercer suas atividades. Os resultados apontam também desigualdades regionais, de cor e de renda no acesso ao local de trabalho ideal.

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Dados do Censo revelam retrocesso no trabalho em casa e mostram novas rotas que brasileiros percorrem para chegar ao emprego diário | Foto: Reprodução/Canva

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Dados do Censo revelam retrocesso no trabalho em casa e mostram novas rotas que brasileiros percorrem para chegar ao emprego diário | Foto: Reprodução/Canva

IBGE mostra nova realidade do trabalho em casa

Em 2010, cerca de 22% dos trabalhadores brasileiros (aproximadamente 18 milhões de pessoas) realizavam seu trabalho dentro de casa ou propriedade. Em 2022, esse número caiu para 16,9%, equivalente a cerca de 14,7 milhões de pessoas.

Assim, embora o modelo remoto tenha ganhado força durante a pandemia de covid-19, o Censo revela que parte dessa mudança perdeu força no período pós-pandemia, com retrocesso para o presencial ou semi-presencial.

No mesmo estudo, o Censo aponta que 88,4% da população ocupada trabalhava no próprio município de residência, sendo que desses 71,4% o faziam fora da residência. Ou seja, apenas 16,9% trabalhavam em casa, enquanto os demais se deslocavam até o local de trabalho.

Deslocamentos e meios de transporte

Com o retorno ao trabalho presencial, muitos brasileiros enfrentam deslocamentos diários. O Censo 2022 indica que o meio de transporte mais utilizado é o automóvel, usado por 32,3% dos que se deslocam para o trabalho. Em seguida aparecem o ônibus (21,4%), andar a pé (17,8%) e motocicleta (16,4%).

Já entre aqueles que precisam se deslocar para outro município, a proporção é de 10,7% dos trabalhadores. Do total, 7,9 milhões dessas pessoas realizam esse trajeto pelo menos três dias por semana.

Quando se olha para o tempo de deslocamento, 57% dos trabalhadores levam entre 6 minutos e meia hora para chegar ao trabalho, o que corresponde a cerca de 40 milhões de pessoas.

Nas regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro esse tempo médio tende a se estender. Em São Paulo, cerca de 27,9% das pessoas gastos mais de uma hora no trajeto; no Rio de Janeiro, esse percentual sobe para 29,8%.

Em casos extremos, algumas cidades da Região Metropolitana do Rio lideram os índices de trabalhadores que levam duas horas ou mais para se deslocar. Em Queimados, por exemplo, 12,5% dos trabalhadores afirmaram gastar esse tempo diário no trajeto.

Desigualdades no tempo e nos meios de transporte

O Censo do IBGE também mostra que o tempo de deslocamento está ligado a fatores socioeconômicos e de raça. Entre pessoas negras, 16,4% afirmam gastar pelo menos uma hora ou mais no trajeto de casa ao trabalho, contra 10,4% entre pessoas brancas.

Quanto ao meio de transporte, também há diferença expressiva:

  • 42,9% das pessoas brancas usam automóvel para ir ao trabalho, mais que o dobro da proporção entre pessoas pretas.
  • 57,8% dos trabalhadores com ensino superior completo usam automóvel, enquanto entre aqueles com ensino médio completo esse percentual cai para 28,6%.
  • Para as pessoas sem instrução ou com ensino fundamental, o modo mais comum é ir ao trabalho a pé, com 25,6% dos casos.

Além disso, quem usa ônibus como meio principal pelo menos meia hora no trajeto soma 70% desse grupo. Para quem usa trem ou metrô, 52,2% levam pelo menos uma hora para chegar ao trabalho.

A mudança no perfil de trabalho remoto

Os dados revelam que, apesar da popularização do trabalho remoto, o cenário voltou a se inclinar para o presencial. A retração no percentual de quem trabalha de casa pode ser explicada por decisões de empresas de reduzir dias remotos, reorganizar equipes ou retomar atividades presenciais intensamente.

Em análises recentes, especialistas apontam que algumas empresas começam a limitar o home office ou adotá-lo apenas de forma parcial, integrando modelo híbrido.

Uma pesquisa da empresa Michael Page, especializada em recrutamento, mostra que 37,8% dos profissionais atualmente adotam modelo híbrido, enquanto apenas cerca de 19,9% trabalham totalmente de forma remota.

Esse reposicionamento das organizações pode indicar que a flexibilidade conquistada nos anos mais recentes está sendo revisitada, sobretudo em empresas maiores ou com estrutura mais tradicional.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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