O ranking global das Melhores Empresas do Mundo para Mulheres, divulgado pela revista Forbes em outubro de 2025, mostrou avanços importantes na presença feminina em grandes corporações. Neste ano, seis empresas brasileiras figuraram entre as 400 companhias de mais de 36 países que se destacam por práticas de inclusão e equidade de gênero.
A lista, elaborada pela Forbes em parceria com a consultoria Statista, ouviu cerca de 120 mil mulheres que trabalham em multinacionais de diferentes setores e continentes. Para ser considerada, a empresa precisava atuar em pelo menos dois continentes e empregar mais de 1.000 pessoas.
A edição de 2025 é liderada pela empresa Microsoft (EUA), seguida pela Roche Holding (Suíça) e pelo National Bank of Canada. Completam o top 5 a Hewlett Packard Enterprise (EUA) e a IKEA (Países Baixos).
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Empresas brasileiras entre as melhores do mundo
Entre as brasileiras, a Natura &Co foi a mais bem colocada, ocupando a 57ª posição global. A companhia, que já havia aparecido no ranking anterior em 39º lugar, mantém destaque por suas políticas de diversidade e liderança feminina — 55% das posições de gestão na empresa são ocupadas por mulheres, segundo relatório anual de sustentabilidade do grupo.
Outras cinco empresas brasileiras aparecem na lista pela primeira vez:
- Nubank (247ª posição)
- Bradesco (269ª)
- Vale (282ª)
- Gerdau (358ª)
- Embraer (384ª)
De acordo com a Forbes, o reconhecimento se baseia em indicadores como oportunidades de crescimento profissional, equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, políticas salariais transparentes e segurança no ambiente corporativo.
Panorama global da liderança feminina
Os resultados mostram que grandes empresas do setor de tecnologia e finanças continuam à frente nas práticas de igualdade de gênero. A líder do ranking, a Microsoft, com valor de mercado de cerca de US$ 3,3 trilhões (equivalente a R$ 18,7 trilhões), se destacou por ampliar benefícios de licença parental e programas de capacitação para mulheres em cargos técnicos e de liderança.
A Roche Holding, segunda colocada, é referência mundial em biotecnologia e medicamentos. A empresa, com sede na Suíça e valor estimado em US$ 230 bilhões (aproximadamente R$ 1,3 trilhão), aumentou em 42% a presença feminina em seu conselho executivo nos últimos cinco anos.
No terceiro lugar, o National Bank of Canada, fundado em 1979, reforçou políticas de paridade salarial e programas de mentoria, alcançando 49% de mulheres em cargos de decisão.
Tecnologia, consumo e varejo entre os setores mais inclusivos
A Forbes destacou que os setores de software, serviços financeiros, bens de consumo e varejo concentram as empresas mais inclusivas. Além da Microsoft, companhias como a Hewlett Packard Enterprise e a Apple também figuram no top 10 global, refletindo o aumento de mulheres em áreas tradicionalmente dominadas por homens.
No segmento de bens de consumo, a francesa L’Oréal, fundada em 1909 e avaliada em US$ 245 bilhões (R$ 1,39 trilhão), aparece na 6ª colocação. A empresa mantém programas globais de apoio à liderança feminina e à igualdade salarial em mais de 100 países.
A varejista IKEA, com sede nos Países Baixos, ficou na 5ª posição e é reconhecida por oferecer planos de carreira com foco em mães solo e profissionais em meio período. O grupo, fundado em 1943, fatura cerca de € 47 bilhões por ano (R$ 278 bilhões).
Avanços e desafios no mercado brasileiro
Apesar do destaque no ranking, os números gerais ainda mostram desafios no Brasil. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres brasileiras ganham, em média, 78% do rendimento dos homens, e representam 37,4% dos cargos de liderança.
A presença de seis empresas nacionais na lista da Forbes indica avanços, especialmente no setor privado, onde as políticas de inclusão têm sido cada vez mais valorizadas por investidores e consumidores. Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontam que companhias com maior diversidade de gênero registram até 20% mais produtividade e 30% maior retenção de talentos.
No Brasil, a Natura e o Nubank são frequentemente citados como exemplos de gestão inclusiva. A fintech, fundada em 2013, já conta com 47% de mulheres em cargos de liderança e 41% de profissionais negros no quadro geral, conforme relatório de diversidade de 2024.
Metodologia do ranking
O levantamento da Forbes avaliou mais de 1.000 multinacionais em 26 países, cruzando dados internos e externos sobre práticas de inclusão. As participantes responderam a questionários sobre diversidade, políticas de assédio, representatividade, programas de mentoria e equidade salarial.
As notas finais foram ponderadas de acordo com as respostas das funcionárias, que classificaram suas experiências em diferentes níveis hierárquicos. Apenas as 400 empresas com melhor desempenho geral foram listadas.


