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Ladrões invadem o Louvre à luz do dia e levam joias da monarquia francesa

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O Museu do Louvre, em Paris, um dos lugares mais visitados e importantes do planeta, viveu uma cena de filme de ação na manhã deste domingo, 19 de outubro. Um grupo de criminosos invadiu o prédio à luz do dia e roubou nove joias históricas que pertenciam a antigas rainhas e imperatrizes da França. O assalto, que durou apenas quatro minutos, deixou o país em choque e provocou o fechamento imediato do museu.

Segundo o ministro do Interior da França, Laurent Nuñez, três ou quatro assaltantes usaram um guindaste acoplado a um caminhão e uma mini serra elétrica para quebrar janelas e entrar na Galeria de Apolo, uma das áreas mais famosas do Louvre, voltada para o rio Sena. Eles estavam vestidos como operários e conseguiram acessar o andar onde ficam expostas as joias da antiga monarquia francesa. Depois de pegar as peças, fugiram em uma scooter, uma moto pequena, que também foi localizada horas depois.

Joias são roubadas no Museu do Louvre
Museu mais famoso do mundo fecha após roubo; coroa da imperatriz Eugênia foi achada danificada nas ruas de Paris | Foto: Reprodução / Divulgação/ Museu do Louvre

Poucas horas após o crime, uma das joias foi encontrada: a coroa da imperatriz Eugênia, esposa de Napoleão III, que estava quebrada em uma rua próxima ao museu. A peça tinha 1.354 diamantes e 56 esmeraldas. Outra joia, ainda não identificada, também foi recuperada pela polícia.

Tesouro da história francesa

As joias levadas estavam expostas na Galeria de Apolo, criada no século XVII (17) a pedido do rei Luís XIV, o “Rei Sol”. Essa galeria é uma das mais visitadas do Louvre e guarda parte do tesouro da Coroa Francesa, ou seja, as joias que pertenceram aos reis e imperatrizes que governaram o país antes da República.

Conforme o governo francês, as peças roubadas pertenciam a figuras importantes da história, como a imperatriz Eugênia, a rainha Maria Amélia, a rainha Hortênsia e a imperatriz Maria Luísa, que foi casada com Napoleão Bonaparte. Entre as peças levadas estão tiaras, colares, brincos e broches, todos com pedras preciosas de grande valor.

O Ministério da Cultura da França divulgou a lista das joias roubadas:

  • Tiara da rainha Maria Amélia e da rainha Hortênsia;
  • Colar de safiras das mesmas rainhas;
  • Brincos de safiras do mesmo conjunto;
  • Colar de esmeraldas da imperatriz Maria Luísa;
  • Par de brincos de esmeraldas da mesma imperatriz;
  • Broche conhecido como “broche relicário”;
  • Tiara da imperatriz Eugênia;
  • Broche conhecido como “grande laço de corpete” da imperatriz Eugênia.

Essas peças são consideradas de valor inestimável, não apenas pelo ouro, diamantes e esmeraldas, mas principalmente pelo significado histórico. São objetos ligados à história da monarquia e à identidade cultural da França.

Louvre: símbolo de arte e poder

O Museu do Louvre é o mais famoso e visitado do mundo, recebendo quase 9 milhões de pessoas por ano, sendo 80% turistas estrangeiros.

Joias são roubadas no Museu do Louvre
O prédio, que já foi um palácio real, guarda mais de 33 mil obras de arte, entre esculturas, pinturas e antiguidades vindas do Egito, da Grécia e da Roma Antiga | Foto: Reprodução / Wikimedia

Entre as peças mais conhecidas estão a Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, a Vênus de Milo e a Vitória de Samotrácia. Também está ali o famoso diamante Régent, de 140 quilates, descoberto na Índia em 1698, que foi usado por reis e por Napoleão Bonaparte. O diamante Régent não foi levado pelos ladrões e segue protegido.

A Galeria de Apolo, onde ocorreu o roubo, foi reconstruída após um incêndio e dedicada ao deus grego Apolo, símbolo da luz e das artes. Além de sua beleza arquitetônica, o local representa o orgulho da França em preservar seu passado.

Por isso, o presidente Emmanuel Macron classificou o roubo como “um ataque ao patrimônio e à história do país”. Ele prometeu que os autores serão encontrados e punidos. “Recuperaremos as obras e os responsáveis serão levados à Justiça”, disse.

O roubo cometido no Louvre é um ataque a um patrimônio que prezamos porque faz parte da nossa história. Recuperemos as obras e os autores serão levados à justiça. Tudo está sendo feito, em todos os lugares, para alcançar esse objetivo, sob a liderança do Ministério Público de Paris. O projeto Louvre Nouvelle Renaissance, que lançamos em janeiro, inclui segurança reforçada. Ele garantirá a preservação e a proteção do que constitui nossa memória e nossa cultura.

Roubo relâmpago e fuga cinematográfica

Segundo o ministro Laurent Nuñez, a ação foi extremamente rápida. Em quatro minutos, os criminosos conseguiram acessar a galeria, quebrar as vitrines e pegar as joias. Eles haviam feito um reconhecimento prévio do local, o que mostra que eram ladrões experientes. Um deles, segundo testemunhas, usava um colete amarelo da Prefeitura de Paris, o que pode ter ajudado o grupo a se misturar com trabalhadores da área.

O roubo aconteceu por volta das 9h30 da manhã (4h30 em Brasília), quando o museu acabava de abrir as portas ao público. Assim que o alarme disparou, os seguranças fecharam os portões e evacuaram os turistas. Ninguém ficou ferido.

As primeiras investigações indicam que o grupo escapou em alta velocidade pela autoestrada A6, que liga Paris ao sudeste da França. O Ministério Público francês já abriu uma investigação para identificar e prender os envolvidos.

A ministra da Cultura, Rachida Dati, afirmou que as joias roubadas representam um “patrimônio mundial de valor inestimável”. Ela também confirmou que o museu ficará fechado “por razões excepcionais” até que todos os vestígios do crime sejam analisados.

Repercussão e impacto para a França

O roubo das joias do Louvre causou uma enorme repercussão dentro e fora da França. Para muitos franceses, foi uma humilhação nacional. O político Jordan Bardella, líder do partido de ultradireita Reunião Nacional, classificou o caso como “insuportável” e disse que o governo falhou na proteção de um símbolo do país.

Nos últimos meses, outros museus e lojas de luxo em Paris também sofreram assaltos milionários, o que tem aumentado a sensação de insegurança. Em setembro, pepitas de ouro foram roubadas do Museu Nacional de História Natural, e porcelanas chinesas desapareceram de um museu em Limoges. Joalherias de marcas famosas, como Louis Vuitton e Chanel, também foram alvo de bandidos que usaram carros para destruir vitrines e levar produtos.

Esse novo roubo no Louvre acende um alerta sobre a fragilidade da segurança dos museus franceses. O próprio ministro do Interior admitiu que o sistema de vigilância do país ainda tem falhas. Segundo ele, o governo trabalha em um plano de reforço, mas nem o Louvre foi poupado de vulnerabilidades.

O caso também traz lembranças de outros episódios famosos. O último roubo no Louvre havia sido em 1998, quando uma pintura do artista francês Camille Corot desapareceu e nunca mais foi encontrada. O mais famoso de todos, porém, ocorreu em 1911, quando a Mona Lisa foi roubada por um ex-funcionário do museu.

O quadro foi recuperado dois anos depois, na Itália, e o episódio ajudou a transformar a obra na pintura mais famosa do mundo | Foto: Reprodução / Wikimedia

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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