Como será o modelo de trabalho do futuro? Esse foi o debate da palestra “O Profissional do Futuro”, realizada nesta sexta-feira, 31 de outubro, no IA Brasil Experience, no Anhembi Arena, em São Paulo. O tema assombra muita gente (talvez esse tenha sido o motivo de discutir isso justamente no Dia das Bruxas?), mas trata-se de uma realidade que já atravessa diferentes áreas e vem gerando discussões, reflexões e uma verdadeira corrida por treinamentos sobre o uso da Inteligência Artificial (IA).
A convidada foi Michelle Schneider, autora do livro O Profissional do Futuro, palestrante do TEDx e professora da SingularityU Brasil. Michelle também atua como membro do conselho da Universidade Anhembi Morumbi e é reconhecida por traduzir o impacto das novas tecnologias no mundo do trabalho, de forma acessível e provocadora.

Outras inovações, como robótica, biotecnologia e computação quântica, também caminham ao lado da IA, tornando essa revolução diferente das anteriores, que eram movidas por um único avanço, como o vapor, a eletricidade ou a internet.
Segundo ela, o ritmo do progresso é impressionante: “Existe uma projeção de que até 2040 teremos cerca de 10 milhões de robôs humanoides no mundo.”
Apesar desse cenário de inovação, Michelle lembrou que o maior desafio talvez não seja técnico, mas psicológico. “Os humanos não foram criados para dobrar sua capacidade”, afirmou, referindo-se aos limites emocionais e mentais que enfrentamos ao tentar acompanhar o ritmo acelerado das máquinas e das mudanças.
As fases da inteligência artificial
Ao conduzir a conversa, a palestrante explicou de forma simples a evolução da Inteligência Artificial. Hoje, estamos na fase em que ela ajuda nas tarefas do dia a dia — desde escrever um texto até organizar uma agenda. O próximo passo, segundo Michelle, será a chamada Inteligência Artificial Geral, quando as máquinas conseguirão realizar diversas atividades tão bem quanto (ou até melhor do que) os humanos.
Depois disso, virá uma etapa ainda mais avançada: quando os sistemas serão capazes de aprender e se aprimorar sozinhos, sem depender das pessoas. Mesmo assim, ela reforçou que a IA deve ser vista como uma aliada, e não como uma ameaça: “Ela é uma ferramenta de ampliação das nossas possibilidades.”
“Eu passo boa parte do meu tempo estudando o futuro do trabalho e, quanto mais eu estudo, mais confusa eu fico. Praticamente todos os estudos têm dados até 2030, e depois disso ninguém sabe dizer qual será o impacto no mercado.”
Diante dessa incerteza, ela lançou uma pergunta essencial: como se preparar para um futuro que ninguém sabe exatamente como será?
Para isso, Michelle destacou quatro pilares fundamentais para o profissional do futuro:
- Letramento tecnológico, ou seja, entender como as novas tecnologias funcionam e como podem ajudar no trabalho;
- Inteligência emocional, para lidar com as mudanças e com as pessoas de forma equilibrada;
- Saúde mental, como base para manter um ritmo sustentável;
- Mente inovadora, aberta a aprender e a se adaptar constantemente.
Ela lembrou ainda que os ciclos de aprendizado estão cada vez mais curtos. “Hoje, os ciclos de habilidades duram cerca de seis meses.” Por isso, o valor de um profissional deixa de ser “eu sou o que eu sei” e passa a ser “eu sou o quanto eu me adapto”.
Um modelo de trabalho que leva pessoas ao limite
Entre as falas mais marcantes, Michelle destacou: “Enquanto a única métrica de sucesso for o lucro, o custo será humano.” Segundo ela, vivemos em uma sociedade onde “burnout é rotina e saúde é luxo”, o que torna urgente repensar o equilíbrio entre tecnologia, produtividade e bem-estar.

Encerrando sua fala, Michelle lembrou que, apesar de estarmos criando máquinas cada vez mais inteligentes, ainda não criamos consciência artificial.
“Estamos desenvolvendo inteligência artificial, mas não estamos criando consciência artificial. O sentir é uma característica só nossa — e é isso que vai nos diferenciar dos robôs. Precisamos ser melhores em ser humanos.”
Para ela, o futuro não depende apenas de quando a tecnologia vai chegar, mas de como vamos chegar até lá. Mesmo em meio às incertezas, sua mensagem final foi de esperança e responsabilidade: cada um de nós tem o poder de moldar seu caminho e de buscar uma vida mais equilibrada, saudável e, acima de tudo, humana.


