A cidade de Belém, no Pará, está na reta final dos preparativos para sediar a COP30 — a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que ocorrerá entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025. Apesar de alguns avanços, o acesso aéreo internacional à capital paraense permanece restrito e desponta como um desafio logístico para o evento.
Dados recentes apontam que o Aeroporto Internacional de Belém – Júlio Cezar Ribeiro (Val‑de‑Cans) registrou 2,7 milhões de passageiros entre janeiro e setembro de 2025, ocupando a 14.ª posição no ranking dos aeroportos brasileiros. Apesar disso, a participação da cidade no tráfego aéreo doméstico nacional é de 1,83%, enquanto nos voos internacionais esse índice cai para 0,28%.
Para o mês da COP30, em novembro, estão programadas 31 voos internacionais, com um total de 5.610 assentos, o que representa um aumento de 44% na oferta de assentos internacionais em relação a novembro de 2024. Mesmo com esse crescimento de dois dígitos, a oferta ainda está muito abaixo da demanda esperada — estimada em mais de 50 mil participantes estrangeiros, segundo entidades ligadas ao evento.
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Rotas e conexões aéreas internacionais ainda são limitadas
Atualmente, o terminal conta com apenas seis rotas internacionais regulares, nenhuma delas com voo diário. As conexões são: para Miami e Fort Lauderdale (EUA), Lisboa (Portugal), Bogotá (Colômbia), Caiena (Guiana Francesa) e Paramaribo (Suriname). Essa limitação representa um gargalo para a chegada de delegações de países europeus, africanos ou asiáticos, que necessitam fazer longas conexões.
Segundo reportagem, da África do Sul (Johanesburgo) até Belém, a viagem pode levar até 32 horas; de Pequim, entre Ásia, cerca de 35 h até 50 h dependendo das escalas. Esse cenário aumenta os custos, o tempo de deslocamento e a complexidade logística para quem participa do evento.
Voos domésticos e infraestrutura: avanço significativo
Em âmbito doméstico, o cenário tem sido mais favorável. Serão disponibilizados aproximadamente 245,7 mil assentos em voos domésticos para Belém durante o mês da COP, com um aumento de cerca de 19% em relação ao ano anterior. Serão realizados 1.395 voos domésticos no período.
No que diz respeito à infraestrutura, a concessionária Norte da Amazônia Airports (NOA) investiu R$ 450 milhões no projeto de modernização do aeroporto, que incluiu a ampliação da capacidade anual de atendimento de 7,7 milhões para 13 milhões de passageiros. A entrega das obras foi antecipada para coincidir com o evento.
Impactos econômicos e logísticos para a região
Apesar do incremento de voos e da modernização, a participação internacional reduzida evidencia que Belém ainda não está plenamente preparada para atender à demanda global que a COP30 trará. O déficit na malha internacional pode limitar o impacto econômico potencial do evento — como geração de empregos temporários, consumo em hospedagem, alimentação, transporte e turismo regional.
Além disso, especialistas apontam que a limitação das rotas internacionais pode levar delegados e participantes a optar por chegadas via outras capitais brasileiras e conexões terrestres ou fluviais até Belém, o que reduz o consumo local direto e estende o tempo de deslocamento. Essa situação exige da logística estadual e federal uma atuação pautada na eficiência e no planejamento detalhado de transporte, hospedagem e mobilidade urbana.
Desafios adicionais na operação da COP30
Em paralelo, o evento enfrenta outras questões logísticas que interagem com o sistema aéreo, como a capacidade de hospedagem, segurança, credenciamento e mobilidade urbana. Relatórios apontam que a cidade de Belém, apesar dos investimentos, ainda convive com restrições que vão além dos terminais aéreos. A complexidade da operação exige integração entre aeroportos, governo federal, estadual, municipal, empresas aéreas e organizadores do evento para garantir a chegada eficiente das delegações.
Outro aspecto é o legado que o evento pode deixar para a mobilidade da Região Norte — o fortalecimento da malha aérea, a ampliação da conectividade e a consolidação de Belém como hub internacional da Amazônia dependem do sucesso da operação.