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Economia circular ganha força no combate ao aquecimento global

A economia circular é um modelo produtivo que busca diminuir o desperdício e a poluição ao reinserir recursos no ciclo produtivo, substituindo o sistema linear tradicional — baseado em extrair, produzir, consumir e descartar. A proposta é que os produtos, materiais e recursos sejam utilizados o máximo possível, prolongando seu valor e reduzindo a pressão sobre os ecossistemas.

O tema ganhou destaque na pauta da COP30, que será realizada entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025, em Belém (PA). Os debates sobre economia circular estão previstos para os dias 10 e 11, na Green Zone e na Blue Zone, espaços dedicados às discussões climáticas e tecnológicas.

Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), a adoção em larga escala desse modelo poderia reduzir em até 39% as emissões globais de gases de efeito estufa até 2032. Isso porque a economia circular prioriza o reuso, a reciclagem e a regeneração, diminuindo a necessidade de novas extrações de matérias-primas e o descarte inadequado de resíduos.

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Empresas e governos buscam fortalecer a economia circular como caminho para reduzir emissões, reaproveitar recursos e impulsionar um modelo de produção mais sustentável | Foto: Reprodução/Canva
Empresas e governos buscam fortalecer a economia circular como caminho para reduzir emissões, reaproveitar recursos e impulsionar um modelo de produção mais sustentável | Foto: Reprodução/Canva

Brasil avança na economia circular, mas ainda enfrenta desafios estruturais

No Brasil, a transição para a economia circular é considerada estratégica tanto para o meio ambiente quanto para a competitividade das empresas. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o país gera 82,5 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos por ano, e cerca de 40% desse volume ainda é destinado a lixões ou aterros irregulares.

O Programa de Transição Ecológica (PTE), lançado em 2024 pelo governo federal, apoia ações voltadas à circularidade. O programa prevê incentivos financeiros e técnicos para projetos de substituição de lixões por aterros sanitários, fortalecimento da coleta seletiva, apoio a catadores de materiais recicláveis e incentivo à criação de produtos com foco na durabilidade e reaproveitamento.

Outro eixo do programa é a construção de biorrefinarias para produção de biocombustíveis a partir de óleo de reuso. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o Brasil produziu 6,5 bilhões de litros de biodiesel em 2024, movimentando cerca de R$ 31,8 bilhões no setor. A ampliação de plantas baseadas em resíduos poderia aumentar esse volume e reduzir a dependência de combustíveis fósseis.

Setor privado adota práticas sustentáveis

Empresas brasileiras vêm adotando a economia circular como estratégia de negócio e de sustentabilidade. Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), publicado em agosto de 2025, revelou que 61% das indústrias já implementam práticas circulares, como o reaproveitamento de resíduos, uso de matéria-prima reciclada e redesign de embalagens.

O levantamento também mostrou que as companhias que adotam esse modelo registraram redução média de 17% nos custos operacionais e aumento de 12% na eficiência energética. A principal barreira, contudo, ainda é o investimento inicial, especialmente para micro e pequenas empresas, que representam 98% dos negócios no país, segundo o Sebrae.

A Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) lançou, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a plataforma Recircular Brasil, voltada à integração entre indústrias, cooperativas e consumidores. O objetivo é facilitar a troca e o reaproveitamento de materiais, conectando quem gera resíduos a quem pode transformá-los em insumos produtivos.

Potencial econômico e ambiental da circularidade

O avanço da economia circular pode representar ganhos expressivos para o país. Estudo da Fundação Ellen MacArthur, referência global no tema, estima que o modelo poderia gerar R$ 400 bilhões em ganhos econômicos anuais até 2030 no Brasil, considerando redução de desperdícios e novos negócios sustentáveis.

O setor de reciclagem, por exemplo, movimentou R$ 67 bilhões em 2024, de acordo com a Associação Brasileira de Reciclagem (Abre). Mesmo assim, apenas 4% dos resíduos sólidos urbanos são reciclados no país, enquanto países da União Europeia atingem índices superiores a 40%.

Além do benefício econômico, o impacto ambiental é direto. O Banco Mundial estima que o descarte inadequado de resíduos gera custos anuais superiores a R$ 14 bilhões ao Brasil, considerando os gastos públicos com limpeza urbana e danos à saúde e ao meio ambiente. A implementação de práticas circulares pode reduzir significativamente essas despesas.

Economia circular como ferramenta contra o aquecimento global

De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), cerca de 45% das emissões globais estão relacionadas à produção e ao uso de materiais, como aço, cimento, plásticos e alimentos. A economia circular atua justamente na diminuição dessa pegada, promovendo ciclos fechados de produção e consumo.

A adoção do modelo é vista como uma das estratégias centrais para o Brasil atingir as metas de neutralidade climática até 2050, compromisso firmado durante a COP26, em Glasgow. Especialistas afirmam que, ao reinserir produtos e insumos no mercado e prolongar sua vida útil, o país reduz tanto as emissões quanto o consumo de energia e recursos naturais.

Durante a COP30, os debates devem abordar ainda a criação de indicadores de circularidade e mecanismos de crédito de carbono para empresas que comprovem redução de emissões por meio de práticas circulares. A expectativa é que os resultados sirvam de base para futuras políticas públicas voltadas à descarbonização da economia.

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