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Banco Central desativa tecnologia do Drex, mas projeto do “real digital” continua; entenda o que muda

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O Banco Central anunciou que vai desligar a tecnologia usada nas duas primeiras fases do Drex, o projeto piloto que testa uma versão digital do real e a digitalização de contratos e bens, como imóveis, carros e operações de crédito. A decisão levou muita gente a acreditar que o sistema estava encerrado, mas o BC afirma que o Drex não acabou. A mudança altera apenas o caminho e não o objetivo final.

Hoje, grande parte das operações financeiras ainda depende de cartório, papel e processos manuais. Se o Drex chegar ao público, essas tarefas podem ser feitas de forma digital, com menos burocracia e mais velocidade. O sistema também ajudaria bancos a liberar crédito mais barato, porque reduziria custos internos e diminuiria o tempo de análise de documentos.

Segundo o Banco Central, o modelo avaliado não entregou o nível de segurança necessário para proteger dados sensíveis e ainda tinha custo alto | Foto: Reprodução / Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Por que o BC desligou a tecnologia usada no piloto?

O teste inicial do Drex utilizava blockchain, um tipo de registro digital compartilhado por vários computadores. Essa tecnologia ficou famosa com as criptomoedas e funciona como um livro de anotações público. O problema é que, no sistema bancário tradicional, muitas informações precisam ser sigilosas.

A decisão foi informada a bancos, cooperativas e empresas de tecnologia que participavam dos testes. Elas ajudavam o BC criando soluções para esse novo ambiente financeiro. Entre as organizações envolvidas estavam grandes bancos, cooperativas de crédito e companhias de tecnologia. Uma terceira etapa do piloto estava prevista, mas agora será redesenhada.

O que pode acontecer com o Drex daqui pra frente?

Em vez de escolher a tecnologia primeiro, como aconteceu no piloto, o Banco Central agora pretende inverter a ordem. O plano é definir primeiro como o Drex poderá ser útil no dia a dia das pessoas e das instituições. Depois disso, será escolhida a solução tecnológica mais adequada.

A ideia central permanece: tornar serviços financeiros mais acessíveis, reduzir custos e acelerar operações. Mesmo que o blockchain tenha sido descartado por enquanto, outras alternativas existem. Há sistemas usados em cartões, bancos digitais e plataformas de pagamentos que conseguem processar grandes volumes de dados com segurança e sigilo. O BC também poderá escolher uma tecnologia que mantenha parte da lógica de rastreamento e transparência da blockchain, sem expor informações sensíveis.

Por que o Drex ainda interessa ao mercado?

O Drex não é só uma moeda virtual, mas um projeto prevê que bens e contratos possam ser registrados digitalmente, como acontece com veículos, imóveis e financiamentos. Isso facilitaria transferências e evitaria erros ou fraudes em papéis e assinaturas. Além disso, bancos e fintechs poderiam analisar dados com mais rapidez, tornando o crédito mais barato para empresas e consumidores.

Mesmo com a pausa na tecnologia de teste, o setor privado segue apostando em soluções parecidas. A Anbima, por exemplo, lançou uma plataforma para digitalizar ativos financeiros. Empresas de pagamento também têm estudado formas de usar moedas digitais estáveis, chamadas stablecoins, para movimentar dinheiro de forma mais rápida e barata. Esse movimento mostra que a digitalização do dinheiro é uma tendência global, com ou sem o Drex.

Como o Drex continua em desenvolvimento e não chegou às operações do dia a dia, a mudança do Banco Central não afeta ainda a população, que não tinha acesso à tecnologia em desenvolvimento. O desligamento da plataforma usada nas fases iniciais apenas atrasa o cronograma e aponta uma nova direção.

Se o projeto evoluir, o sistema pode ajudar em tarefas como:

  • transferência de imóvel sem cartório físico;
  • crédito mais rápido para produtores rurais;
  • menos papelada em bancos e financiadoras;
  • redução do custo dos juros;
  • compra e venda de veículos com menos burocracia.

Esses benefícios ainda dependem das próximas decisões do Banco Central e das regras que serão definidas na fase seguinte.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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