Um tornado de categoria EF3, com ventos de até 250 quilômetros por hora, atingiu o município de Rio Bonito do Iguaçu, no centro-oeste do Paraná, entre a tarde de sexta-feira, 7 de novembro, e a madrugada de sábado, 8 de novembro. O fenômeno deixou seis mortos, cerca de 750 feridos e mais de 700 imóveis destruídos, conforme informações oficiais da Defesa Civil do Estado.
A cidade, que tem pouco mais de 14 mil habitantes, ficou praticamente devastada: 90% das construções foram danificadas. Imagens registradas por moradores mostram casas destelhadas, veículos revirados e postes derrubados. Segundo o Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), o tornado se formou a partir de uma supercélula, tipo de tempestade mais severa registrada na meteorologia.
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Socorro e reconstrução em meio ao caos do tornado
O governo do Paraná mobilizou equipes de resgate, ambulâncias e aeronaves para atender as vítimas. Um hospital de campanha foi montado na cidade, e cerca de 3 mil imóveis ficaram sem energia elétrica. A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) também confirmou a interrupção temporária no fornecimento de água devido à destruição da rede de distribuição.
Segundo o secretário de Segurança Pública do Estado, Hudson Teixeira, o trabalho emergencial inclui a remoção de escombros, acolhimento das famílias e reparos na infraestrutura. “O cenário é de devastação, mas nossas equipes estão em campo desde as primeiras horas, priorizando o resgate e a assistência humanitária”, disse em entrevista coletiva.
O governador Ratinho Junior esteve no município na manhã de sábado, 8 de novembro, e declarou que a cidade terá que ser reconstruída praticamente do zero. A Defesa Civil Nacional estima que os prejuízos materiais possam ultrapassar R$ 200 milhões, considerando moradias, prédios públicos e infraestrutura destruída.
As vítimas e o impacto humano
As seis vítimas fatais já foram identificadas pelo governo estadual. São elas:
- José Neri Geremias, 53 anos, de Guarapuava;
- Julia Kwapis, 14 anos, de Rio Bonito do Iguaçu;
- Jurandir Nogueira Ferreira, 49 anos, de Rio Bonito do Iguaçu;
- Claudino Paulino Risse, 57 anos, de Rio Bonito do Iguaçu;
- Adriane Maria de Moura, 47 anos, de Sulina;
- José Gieteski, 83 anos, de Rio Bonito do Iguaçu.
Segundo o Corpo de Bombeiros, as buscas por desaparecidos na área urbana foram encerradas, mas equipes ainda sobrevoam regiões rurais. Mais de 500 pessoas estão desalojadas, e cerca de 200 estão abrigadas em escolas municipais.
O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social enviou 500 cestas básicas, 1.000 colchões e 2.000 cobertores ao município. Além disso, o Exército Brasileiro disponibilizou caminhões para o transporte de suprimentos e montagem de estruturas emergenciais.
Fenômenos extremos em alta no Brasil
Embora tornados sejam comuns em países como os Estados Unidos, o fenômeno é considerado raro no Brasil. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a média anual de registros no país é de 40 ocorrências, concentradas nas regiões Sul e Centro-Oeste.
O meteorologista Dayse Gouveia, do Simepar, explicou que as mudanças climáticas globais têm intensificado a ocorrência de tempestades severas no sul do país. “Eventos como esse são alimentados por massas de ar quente e úmido que encontram frentes frias intensas, especialmente na primavera”, afirmou em entrevista a CNN.
Em abril deste ano, um tornado de menor intensidade atingiu Douradina (PR), com ventos de até 120 km/h, deixando 22 feridos. Já o episódio em Rio Bonito do Iguaçu está entre os dez mais severos já registrados no Brasil, segundo levantamento do Inmet.
Repercussão nacional e mobilização solidária
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin lamentaram as mortes em publicações nas redes sociais. “Quero expressar meu profundo sentimento às famílias que perderam entes queridos e a todos os afetados”, escreveu Lula.
O governo federal enviou ao local a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e o ministro interino da Saúde, Adriano Massuda, além de equipes técnicas da Defesa Civil Nacional.
Campanhas de doação foram organizadas por prefeituras vizinhas e instituições como a Cruz Vermelha Brasileira e o Serviço Social do Comércio (Sesc). Os donativos incluem roupas, alimentos e materiais de construção. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou prioridade para restabelecimento de energia nas áreas afetadas.
Recuperação deve levar meses
A Defesa Civil informou que o levantamento completo dos danos levará até 30 dias. Após essa fase, será feito o plano de reconstrução. Técnicos estimam que cerca de 700 famílias precisarão de novas moradias, com custo médio de R$ 150 mil por residência, o que totaliza R$ 105 milhões apenas em habitação.
Segundo o Ministério das Cidades, o governo federal deve liberar recursos do Fundo Nacional de Calamidades Públicas (Funcap) para iniciar as obras emergenciais.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) alertou que novas tempestades podem atingir a região nos próximos dias, e orientou os moradores a manterem contato com a Defesa Civil e a evitarem áreas de risco.


