O governo federal anunciou um investimento de R$ 107,1 milhões para impulsionar as cadeias produtivas de quatro produtos tradicionais da Amazônia Legal: açaí, castanha-do-Brasil, babaçu e cupuaçu.
A medida faz parte do projeto Coopera + Amazônia, lançado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) em parceria com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e o Sebrae. As informações foram divulgadas pela CNN Brasil em 17 de novembro de 2025, em reportagem assinada por Manoela Carlucci.
O objetivo central é fortalecer cooperativas extrativistas e ampliar o desenvolvimento regional com a floresta preservada. O programa também se alinha às diretrizes da Nova Indústria Brasil, que incentiva a agregação de valor a produtos da sociobiodiversidade.
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Como será aplicado o investimento do governo
O valor de R$ 107,1 milhões será distribuído ao longo de quatro anos. Segundo o MDIC, o projeto atenderá 50 cooperativas do Pará, Amazonas, Maranhão, Acre e Rondônia. A estimativa é alcançar cerca de 1.350 famílias extrativistas que dependem diretamente dessas cadeias produtivas para geração de renda. Os recursos devem financiar:
• Aquisição de máquinas e equipamentos
• Assistência técnica e extensão rural
• Soluções tecnológicas para aproveitamento de resíduos
• Fortalecimento da cultura cooperativista
Cada ciclo do programa terá duração de dois anos e atenderá 25 cooperativas por ciclo.
Cadeias produtivas de forte impacto na região
Os produtos contemplados pelo Coopera + Amazônia são pilares socioeconômicos da região. O açaí, por exemplo, movimenta bilhões de reais anualmente e é hoje um dos motores da renda de milhares de pequenos produtores do Norte. Já a castanha-do-Brasil e o babaçu são fundamentais para comunidades extrativistas, que dependem diretamente da coleta e do processamento manual desses frutos.
O cupuaçu, por sua vez, tem uso crescente na indústria alimentícia e cosmética, ampliando o potencial de diversificação de renda. Embora esses produtos tenham grande reconhecimento nacional e internacional, boa parte das famílias envolvidas ainda enfrenta dificuldades de acesso a crédito, infraestrutura e processos de industrialização.
Contexto econômico e ambiental
O vice-presidente da República e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, afirmou à CNN Brasil que a iniciativa reforça a possibilidade de desenvolver a economia amazônica mantendo a floresta em pé. O programa está alinhado as políticas de bioeconomia, que buscam reduzir a dependência de atividades que pressionam o desmatamento, como exploração ilegal de madeira e garimpo.
O investimento também chega em um momento em que estudos reforçam a vulnerabilidade econômica dos países sul-americanos diante das mudanças climáticas. Projeção publicada pela CNN Brasil em novembro de 2025, com base em relatório da ONU (Organização das Nações Unidas), estima que Brasil e países vizinhos podem perder até 33% do PIB nas próximas décadas caso deixem de adotar medidas eficazes de mitigação e adaptação climática.
Possíveis impactos para o consumidor de baixa renda
A expansão dessas cadeias produtivas pode significar maior oferta de produtos derivados da sociobiodiversidade a preços acessíveis. O crescimento da industrialização local tende a ampliar a competitividade, reduzir custos logísticos e diversificar o mercado.
Outro ponto relevante é a geração de emprego e renda nas regiões amazônicas. O fortalecimento de cooperativas tende a ampliar oportunidades formais e informais de trabalho. Esses efeitos podem influenciar indicadores nacionais de consumo, especialmente em setores como alimentação, cosméticos e produtos naturais.
Perspectivas para os próximos anos
Com duração prevista até 2029, o Coopera + Amazônia tem como foco ampliar a capacidade de produção, melhorar as estruturas de processamento e fortalecer o papel das cooperativas na economia regional. A expectativa é que, ao final do projeto, as cadeias apoiadas avancem em produtividade, agregação de valor e geração de renda local, em linha com as diretrizes de desenvolvimento sustentável.