Publicada nesta segunda-feira, 17 de novembro, a pesquisa “Raio-X da Vida Real”, do Data Favela, é crucial para desmistificar a imagem de que o envolvimento com o crime, especificamente o tráfico de drogas, é sinônimo de enriquecimento e glamour. Os dados, coletados em um estudo inédito com exatas 3.954 entrevistas, revelam que a realidade é muito mais prosaica: trata-se, majoritariamente, de uma resposta desesperada à falta de acesso e oportunidades.
A percepção de que o “bandido quer enriquecer” é quebrada pelo simples fato de que, para a maioria, o crime é uma alternativa de sustento imediato, não um projeto de acumulação de capital.

O principal motor para o ingresso nas redes criminosas do tráfico de drogas é a falta de dinheiro/necessidade econômica. Nacionalmente, 49% dos entrevistados citaram esse como o fator preponderante. Em alguns estados, esse percentual é ainda mais elevado, como no Maranhão (95%), Roraima (80%) e no Distrito Federal (62%).
Apesar de ser a razão para o ingresso, a atividade criminosa não garante enriquecimento para a maioria. A renda auferida é, em geral, insuficiente para uma independência financeira: 63% dos entrevistados ganham até dois salários mínimos mensais (R$ 3.040,00). Essa baixa remuneração é um fator tão presente que 36% dos entrevistados exercem uma segunda atividade remunerada para complementar a renda. A vida no crime é, na verdade, instável, de altíssimo risco e pouco compensatória financeiramente.
A prova máxima de que a busca é por oportunidade, e não por ostentação, reside no sonho de consumo, que se centra na segurança e estabilidade familiar. O que se busca é, essencialmente, a superação do ciclo de vulnerabilidade social que deu origem à situação criminal.


