Uma megaoperação realizada recentemente no Rio de Janeiro expôs estimativas de que o Comando Vermelho, conhecido como CV, fatura aproximadamente R$ 6 bilhões por ano, segundo dados da segurança pública do Rio de Janeiro.
Esse montante coloca o CV entre os grupos criminosos mais “lucrativos” do Brasil em termos de economia paralela. O número é, no entanto, uma estimativa, pois atividades ilícitas não costumam ter registros oficiais.
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Contexto nacional: crime organizado movimenta R$ 146 bi
Para dimensionar esse valor, vale compará-lo com estimativas macro do crime organizado no Brasil. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o crime organizado como um todo faturou cerca de R$ 146 bilhões em 2022.
Esse valor engloba diversos grupos, atividades e modalidades criminais, como tráfico, contrabando, bebidas ilícitas, extração ilegal e outros. Portanto, a cifra estimada para o CV representa uma fração significativa desse universo.
Gastos internos mostram estrutura armada robusta
Além da estimativa de receita, investigações recentes trouxeram ao público dados sobre os custos internos do CV. Uma planilha da Polícia Civil revelou que, em apenas um mês, o CV gastou mais de R$ 5 milhões em armas e munições.
Os registros mostram aquisição de 44 mil cartuchos nos calibres 7,62 e 5,56, além da compra de 14 fuzis, incluindo um armamento de calibre .50, com alto poder de destruição. Esses números reforçam que parte expressiva da receita do grupo é destinada ao equipamento bélico.
Esquema financeiro bilionário revelado por investigação
Uma matéria da revista Veja trouxe mais detalhes sobre o fluxo financeiro do CV. A reportagem revela que, entre março e julho de 2024, uma célula movimentou cerca de R$ 23 milhões por meio de depósitos feitos em nome de empresas de fachada.
Também é reportado que, em um período de 18 meses, essa mesma estrutura chegou a movimentar R$ 16 bilhões em operações bancárias suspeitas, segundo registros investigativos de autoridades estaduais.
Esses dados evidenciam que o controle financeiro do CV ultrapassa a mera venda de drogas e inclui lavagem de dinheiro via empresas falsas, laranjas e operações sofisticadas no sistema bancário.
Custos com esconderijos reforçam poder centralizado
Outro dado que ajuda a dimensionar o poder econômico da facção é o valor pago por líderes para manutenção de refúgios. Os integrantes da cúpula do CV desembolsam quantias mensais que variam entre R$ 50 mil e R$ 150 mil por esconderijo, especialmente no Rio de Janeiro.
Esse gasto, feito continuamente, exige receitas elevadas e constantes para manter operações sofisticadas de proteção, deslocamento e logística.
Impacto econômico e comparações
Quando se compara com empresas legais de grande porte, esse faturamento estimado coloca o CV em patamar surpreendentemente alto. Por exemplo, o valor de R$ 6 bilhões é superior ao faturamento anual de empresas nacionais de porte médio.
O volume financeiro do crime organizado também afeta a economia formal: perda de arrecadações, evasão fiscal, aumento de custos de segurança privada e impacto sobre investimentos em áreas afetadas por controle territorial de facções.
Riscos das estimativas e limites das evidências
É importante destacar que todas essas cifras são estimativas baseadas em investigações policiais, operações de inteligência e reportagens especializadas. O crime organizado atua em sigilo, sem registros públicos obrigatórios, o que dificulta obter dados exatos.
Por exemplo, a movimentação de R$ 5 milhões em armas ou os R$ 16 bilhões em depósitos suspeitos representam apenas parcelas do modelo financeiro da facção, que inclui operações ilegais diversas espalhadas por diferentes estados.


