Os Estados Unidos anunciaram uma mudança importante na política comercial aplicada ao Brasil. Em nova ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump, foram retiradas as tarifas adicionais de 40% impostas a diversos produtos brasileiros desde julho. A decisão atinge especialmente itens agrícolas, como carne bovina, café, cacau, frutas, açaí, vegetais, além de alimentos processados, bebidas, fertilizantes, minérios, combustíveis fósseis e derivados de petróleo.

O documento tem efeito retroativo a 13 de novembro, data que coincide com o encontro entre o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, em Washington. O tema tarifário foi tratado na reunião bilateral, e autoridades brasileiras saíram do encontro com expectativa de uma mudança, que agora se confirma.
Medida derruba tarifa de 40% e vale para cargas que chegaram aos EUA desde 13 de novembro
A medida representa um alívio para exportadores brasileiros, que vinham sentindo forte impacto no mercado americano desde a adoção das sobretaxas. O café foi um dos segmentos mais atingidos. Como principal fornecedor do produto aos Estados Unidos, o Brasil enfrentou uma carga total de quase 50% entre a tarifa original e as cobranças extras aplicadas no início do ano.
Com isso, o preço do café subiu perto de 20% no mercado americano em setembro, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O encarecimento reduziu vendas, provocou queda no consumo e aumentou a rejeição de eleitores americanos à medida, contribuindo para vitórias de candidatos democratas em eleições municipais.
Negociações diplomáticas aceleraram a retirada das tarifas
O governo brasileiro vinha pressionando pela revisão das sobretaxas desde abril. Segundo a Casa Branca, as conversas entre Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva foram determinantes para a mudança. A ordem executiva publicada nesta quinta-feira menciona um diálogo entre os dois presidentes ocorrido no início de outubro, quando ambos concordaram em iniciar negociações específicas para rever as barreiras comerciais.
Além desse contato direto, o documento cita recomendações de autoridades americanas, que consideraram que algumas importações brasileiras não deveriam mais estar sujeitas às tarifas, principalmente por envolverem produtos que os Estados Unidos não produzem em escala suficiente, como café e banana.
A retirada das tarifas também abre caminho para novas etapas de negociação. Segundo Mauro Vieira, o processo deve seguir pelos próximos 60 a 90 dias, período no qual os dois países discutirão ajustes finais para um acordo setorial.
Notas oficiais reforçam clima positivo entre os dois países
O governo brasileiro reagiu rapidamente ao anúncio. Em nota, o Itamaraty declarou ter recebido a decisão com “satisfação”, destacando que a retirada das tarifas é resultado direto do diálogo mantido ao longo dos últimos meses. O ministério ressaltou a coincidência de datas entre a reunião de Mauro Vieira e Marco Rubio e a retroatividade estabelecida pela Casa Branca, apontando o episódio como um sinal de avanço nas negociações.
A nota completa do Itamaraty informou que o Brasil “reitera sua disposição para continuar o diálogo como meio de solucionar questões entre os dois países, em linha com a tradição de 201 anos de excelentes relações diplomáticas”.
Também houve manifestação do Ministério da Agricultura. De acordo com o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luis Rua, a retirada das tarifas recoloca produtos brasileiros em “condições equilibradas” de competição no mercado americano e ajuda a estabilizar preços.
No setor privado, entidades celebraram o resultado. Para o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), a isenção representa um momento de “celebração”, já que o país volta a disputar o mercado em igualdade. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) também divulgou nota, afirmando que a reversão das tarifas “reforça a estabilidade do comércio internacional e mantém condições equilibradas para todos os países envolvidos”.
Impactos imediatos para o comércio brasileiro
O relaxamento das barreiras comerciais deve gerar efeitos rápidos nas exportações. No caso do café, as vendas ao mercado americano já tinham despencado nos últimos meses. Segundo o Cecafé, as exportações para os Estados Unidos caíram 54% em outubro, comparado ao mesmo mês do ano anterior. Em 2024, o Brasil exportou cerca de US$ 1,9 bilhão em café para os EUA.
O setor de carnes também deve sentir melhora. Antes do tarifaço, os Estados Unidos eram o segundo maior comprador global de carne bovina do Brasil, respondendo por aproximadamente 12% do volume exportado.
Com o fim das tarifas, a expectativa é que os dois setores recuperem mercado rapidamente, especialmente devido à competitividade dos produtos brasileiros e ao cenário de preços reduzidos para o consumidor americano, que vinha pressionando politicamente pela retirada das sobretaxas.


