O governo federal anunciou um investimento de R$ 9,8 bilhões para preparar o Sistema Único de Saúde (SUS) diante dos efeitos cada vez mais frequentes das mudanças climáticas no Brasil. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante a apresentação do plano AdaptaSUS na COP30, conferência sobre clima realizada em Belém.
O objetivo do pacote é garantir que postos de saúde, UPAs e hospitais continuem funcionando mesmo durante enchentes, ondas de calor, temporais severos e outros eventos extremos que têm provocado fechamentos e interrupções de atendimentos em diversas regiões do país.

Segundo o Ministério da Saúde, o plano reúne 27 metas e 93 ações a serem executadas até 2035, incluindo obras, compra de equipamentos e novas estratégias de prevenção.
Por que o SUS precisa se adaptar ao clima?
Em todo o mundo, problemas climáticos já afetam diretamente o funcionamento de unidades de saúde. Dados citados por Padilha mostram que um em cada 12 hospitais no planeta precisa interromper atendimentos em algum momento devido a eventos climáticos extremos, como enchentes que invadem prédios, apagões prolongados ou falta de água.
No Brasil, esse risco é ainda maior, porque muitas unidades estão em áreas vulneráveis. Casos recentes, como enchentes no Sul, queimadas na Amazônia e ondas de calor no Sudeste, mostraram que o clima impacta não só as cidades, mas também o atendimento de saúde. Hospitais precisam fechar setores, pacientes têm dificuldade de chegar às unidades e regiões inteiras ficam sem serviços básicos.
Para o ministro, a crise climática se tornou também uma crise de saúde pública. Ele afirma que o Brasil precisa de um SUS capaz de prever, resistir e responder a esses impactos para não deixar a população sem atendimento em momentos críticos.
Onde o dinheiro será aplicado?
Dos R$ 9,8 bilhões, parte será usada na construção de novas unidades de saúde mais resistentes a enchentes, calor extremo e falhas de energia. Outra parte será destinada à compra de equipamentos preparados para continuar funcionando mesmo em situações extremas, como geradores de energia, sistemas de armazenamento de água, refrigeração reforçada e estruturas de proteção.
Essas medidas fazem parte do Novo PAC Saúde, que financia obras com padrões mais rígidos de construção. O governo estima que unidades adaptadas terão menor risco de fechar em situações de emergência, reduzindo interrupções de atendimento e prejuízo aos pacientes.
Governo lança guia para orientar construções e reformas?
Padilha também apresentou o Guia Nacional de Unidades de Saúde Resilientes, que reunirá orientações para a construção e reforma de UBS, UPAs e hospitais. O documento terá instruções sobre materiais mais adequados, sistemas de energia reserva, captação de água, ventilação, reforço estrutural e padrões de segurança.
Um grupo técnico vai detalhar as normas. Esse grupo inclui especialistas do Ministério da Saúde, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e representantes dos conselhos de saúde.
O que está previsto no plano AdaptaSUS?
O AdaptaSUS reúne ações para fortalecer o atendimento em um cenário de clima extremo. Entre as prioridades, estão:
- Reforçar sistemas de alerta, que avisam com antecedência sobre riscos como enchentes e ondas de calor;
- Ampliar a vigilância em saúde, para acompanhar doenças que aumentam com o calor ou com a falta de saneamento, como dengue e diarreias;
- Capacitar equipes para atender em situações emergenciais;
- Investir em infraestrutura, garantindo que unidades continuem funcionando sem interrupções;
- Fortalecer pesquisa e dados, criando sistemas integrados para acompanhar os efeitos do clima sobre a saúde.
O plano também prevê ações de comunicação e educação para orientar a população sobre riscos climáticos e medidas de proteção.


