O mapa das relações familiares no Brasil mudou de direção em 2024. Depois de anos marcados por oscilações no comportamento dos casais, o país registrou mais casamentos civis e menos divórcios, segundo as Estatísticas do Registro Civil divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O movimento chama atenção porque ocorre após um período de instabilidade econômica e social, que havia impactado tanto a formação quanto a dissolução de famílias. Agora, com dados consolidados, é possível entender como as escolhas dos brasileiros estão se reorganizando.

Mesmo sendo uma variação moderada, ela marca uma retomada no ritmo de oficialização das uniões.
No sentido oposto, o país contabilizou pouco mais de 428 mil divórcios, uma queda de 2,8% em relação ao ano anterior. Essa redução aproxima os números do patamar observado antes das intensas mudanças nos arranjos familiares durante a pandemia.
Casamentos avançam no país, mas ritmo varia entre as regiões
O crescimento dos casamentos não ocorreu de forma homogênea. Segundo o IBGE, a Região Centro-Oeste liderou a alta, com avanço de 2,6%. O resultado indica um aumento no interesse pela formalização da união entre casais, seja por motivos legais, patrimoniais ou pessoais. Também houve aumento nas regiões Sul e Sudeste, embora em ritmo menor.
A exceção ficou com o Nordeste, que registrou queda de 1,4% nas celebrações. O levantamento reforça que fatores econômicos regionais, dinâmica do mercado de trabalho e custos de moradia podem influenciar diretamente a decisão de formalizar um relacionamento.
Quando se observa a proporção de casamentos por população adulta, o Brasil registrou 5,6 casamentos civis por mil habitantes com 15 anos ou mais. As maiores taxas ocorreram justamente nas regiões que apresentaram crescimento mais rápido: Centro-Oeste (6,6 por mil habitantes) e Sudeste (6 por mil). Já Nordeste e Sul apresentaram as menores médias, com 4,7 e 5,2 por mil habitantes, respectivamente.
Esses números ajudam a entender como o casamento civil segue relevante. Apesar do crescimento de uniões informais, ele continua sendo a forma legal mais utilizada para organizar direitos e deveres, especialmente patrimoniais e familiares.
Divórcios diminuem e voltam ao patamar pré-pandemia
Enquanto mais casais oficializaram a união, menos decidiram se separar. Em 2024, foram registrados 428 mil divórcios, considerando apenas casais de sexos diferentes. A queda de 2,8% em relação a 2023 mostra que a tendência de alta, observada nos primeiros anos pós-pandemia, perdeu força.
A maior parte dos divórcios (81,8%) ocorreu por meio de decisões judiciais em primeira instância. O restante foi realizado por escrituras extrajudiciais, alternativa que se tornou mais comum entre casais sem filhos menores e que buscam processos mais rápidos.
No recorte regional, somente a Região Norte viu os divórcios aumentarem, com alta de 9,1%. O crescimento pode refletir mudanças demográficas, maior acesso a cartórios ou reorganização tardia das relações interrompidas durante anos anteriores. Já as demais regiões apresentaram queda: Centro-Oeste (-11,8%), Nordeste (-3,1%), Sudeste (-2,5%) e Sul (-1,4%).
Entre os estados, os maiores índices foram observados em Rondônia (4,9%) e no Distrito Federal (3,8%). Já Amapá (0,9%) e Roraima (0,2%) registraram os menores percentuais. Esses números reforçam que a dinâmica familiar no país também é afetada por fatores locais, como renda, urbanização, mobilidade e cultura.
Considerando a relação entre uniões e dissoluções, o IBGE aponta que, em 2024, ocorreram 45,7 divórcios para cada 100 casamentos civis entre pessoas de sexos diferentes. Essa proporção indica uma redução na velocidade de dissolução das uniões, mesmo com a manutenção de fatores sociais que influenciam separações formais.
O que os números revelam sobre a vida das famílias brasileiras?
Os dados do IBGE não investigam diretamente os motivos dessas mudanças, mas ajudam a desenhar um cenário. O aumento nos casamentos pode estar ligado à reorganização financeira das famílias após anos de instabilidade, enquanto a redução dos divórcios sugere que muitos casais podem ter retomado projetos interrompidos, ajustado rotinas ou buscado estabilidade jurídica.
Por outro lado, especialistas costumam apontar que mudanças demográficas — como envelhecimento populacional, adiamento da maternidade e menor número de casais jovens — continuam influenciando a estrutura familiar do país. O casamento civil, mesmo com novas formas de união, segue sendo a via legal mais utilizada para garantir direitos em herança, previdência, guarda de filhos e compartilhamento de bens. .


