O apagão que atingiu a cidade de São Paulo e a região metropolitana provocou perdas expressivas ao comércio e ao setor de serviços, segundo levantamento divulgado pela FecomercioSP, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo. De acordo com a entidade, os prejuízos chegaram a R$ 2,1 bilhões em faturamento não realizado entre a última quarta-feira, dia 10, e o domingo, dia 14 de dezembro de 2025.
O período coincide com fortes ventanias que atingiram a capital paulista e municípios vizinhos, causando danos à infraestrutura elétrica. Em meio às falhas no fornecimento, mais de 2,2 milhões de imóveis chegaram a ficar sem energia, afetando residências, estabelecimentos comerciais e empresas prestadoras de serviços.
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Serviços concentram maior parte das perdas
Segundo os dados da FecomercioSP, o setor mais impactado foi o de serviços, que deixou de gerar aproximadamente R$ 1,4 bilhão em faturamento durante os dias de interrupção no fornecimento de energia. Esse montante representa cerca de dois terços do prejuízo total estimado para a economia local no período analisado.
O pior momento ocorreu logo na quarta-feira, dia 10, quando o setor de serviços deixou de faturar cerca de R$ 541 milhões em apenas um dia. Atividades como restaurantes, bares, salões de beleza, academias, clínicas, escritórios e empresas de transporte foram diretamente afetadas pela falta de energia, que comprometeu desde o atendimento ao público até o funcionamento de sistemas eletrônicos básicos.
A FecomercioSP aponta que muitos estabelecimentos precisaram suspender atividades, reduzir horários de funcionamento ou operar de forma limitada, especialmente aqueles que dependem de equipamentos elétricos, sistemas de pagamento digital e refrigeração.
Comércio também registra perdas relevantes
O comércio varejista também sentiu os efeitos do apagão, ainda que em menor proporção em relação aos serviços. A estimativa da federação indica que o setor deixou de faturar cerca de R$ 700 milhões no mesmo intervalo, valor que completa o total de R$ 2,1 bilhões em perdas somadas entre comércio e serviços.
Lojas de rua, shoppings centers e pequenos comércios de bairro enfrentaram dificuldades para abrir as portas ou manter operações regulares. Em muitos casos, a falta de energia inviabilizou o uso de máquinas de cartão, iluminação adequada e sistemas de controle de estoque, afetando diretamente as vendas.
Para pequenos comerciantes, o impacto tende a ser ainda mais sensível, já que a interrupção das atividades ocorre em um período de custos fixos elevados, como aluguel, folha de pagamento e reposição de mercadorias.
Comparação com apagões anteriores
De acordo com a FecomercioSP, as perdas registradas agora superam as observadas no apagão ocorrido em outubro de 2024, quando chuvas intensas também causaram interrupções no fornecimento de energia elétrica em São Paulo. Naquela ocasião, o prejuízo estimado para os setores de comércio e serviços foi de aproximadamente R$ 2 bilhões, valor que, corrigido pela inflação acumulada até 2025, equivale a cerca de R$ 2,1 bilhões em valores atuais.
A comparação evidencia a recorrência de impactos econômicos significativos associados a eventos climáticos extremos e falhas na infraestrutura urbana, especialmente em grandes centros urbanos como São Paulo, onde a atividade econômica depende fortemente da continuidade dos serviços essenciais.
Efeitos no dia a dia da população
Para a população, especialmente das classes C e D, os efeitos do apagão vão além dos números macroeconômicos. A interrupção no funcionamento de comércios e serviços afeta o acesso a produtos básicos, alimentação fora de casa, transporte e serviços essenciais, além de comprometer a renda de trabalhadores informais e autônomos que dependem do movimento diário.
Em muitos bairros, moradores relataram dificuldades para realizar compras simples, sacar dinheiro ou utilizar serviços de entrega. Estabelecimentos que operam com margens reduzidas enfrentaram perdas de mercadorias perecíveis, o que também se reflete nos preços ao consumidor em momentos posteriores.
Levantamento e fonte dos dados
Os dados foram divulgados oficialmente pela FecomercioSP e têm como base estimativas de faturamento médio diário dos setores de comércio e serviços no estado de São Paulo. A federação monitora regularmente os impactos econômicos de eventos climáticos, falhas de infraestrutura e paralisações, com o objetivo de dimensionar os efeitos sobre a atividade produtiva e subsidiar debates sobre planejamento urbano e resiliência econômica.