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2025 deve terminar como um dos anos mais quentes da história, dizem cientistas do C3S

O ano de 2025 está perto de entrar para a história como o segundo ou terceiro ano mais quente já registrado, repetindo uma sequência de recordes que tem mostrado, mês após mês, o avanço da crise climática.

Os dados foram divulgados pelo Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus (C3S), da União Europeia, na última terça-feira, 9 de dezembro, e chegam logo após a COP30, realizada no mês passado, em que os governos não conseguiram alcançar um novo acordo robusto para reduzir emissões de gases de efeito estufa.

Pesquisa C3S aponta que 2025 pode ser um dos anos mais quentes da história
Segundo o C3S, o mundo está prestes a completar três anos seguidos com temperatura média global acima de 1,5 °C, um limite que serve como referência internacional para medir os riscos do aquecimento | Foto: Reprodução / Canva

O alerta dos cientistas não é apenas técnico. Ele reforça que as mudanças observadas não acontecem de forma natural ou isolada: decorrem, sobretudo, da queima de combustíveis fósseis, como petróleo, gás e carvão, que libera grandes quantidades de CO₂ e modifica o equilíbrio térmico do planeta.

Um marco climático que deixa de ser projeção e vira realidade

O período acima de 1,5 °C não significa, do ponto de vista técnico, que a meta deve ser considerada oficialmente descumprida. O limite do Acordo de Paris de 2015 leva em conta a média ao longo de décadas, justamente para evitar conclusões precipitadas em anos pontuais de anomalias. Mesmo assim, especialistas e órgãos internacionais têm reforçado que essa margem está cada vez mais distante de ser alcançada.

A própria ONU (Organização das Nações Unidas) já afirmou que não é mais realista imaginar um cenário em que o aquecimento médio fique dentro desse teto sem cortes muito mais rápidos e profundos nas emissões globais.

A Organização Meteorológica Mundial já havia apontado, neste ano, que os últimos dez anos foram, sem exceção, os mais quentes desde o início dos registros. Isso reforça que a elevação das temperaturas é persistente, crescente e diretamente ligada às atividades humanas.

A cientista Samantha Burgess, líder estratégica de clima no C3S, resumiu em nota oficial a preocupação de forma clara: “Esses marcos não são abstratos, eles refletem o ritmo acelerado da mudança climática”.

Ou seja, cada recorde não é apenas um número a mais no boletim mensal, mas sim um indicativo de que eventos extremos estão se tornando mais comuns e mais intensos.

Eventos extremos mostram os efeitos do calor fora dos gráficos

Os impactos do aquecimento já são visíveis em diferentes regiões do planeta. Em 2025, o calor extremo ajudou a desencadear desastres de grande escala, como o tufão Kalmaegi, que matou mais de 200 pessoas nas Filipinas no mês passado. A Espanha também enfrentou os maiores incêndios florestais das últimas três décadas, resultado da combinação de altas temperaturas, baixa umidade e vegetação seca.

Casos como esses se repetem todos os anos, mas os cientistas alertam que a frequência e a intensidade estão aumentando. Eventos que antes eram considerados raros passaram a ocorrer em intervalos muito menores. Essa mudança se explica porque, quando o planeta fica mais quente, os sistemas atmosféricos se tornam mais energéticos, favorecendo tempestades mais fortes, secas prolongadas e ondas de calor mais longas.

Embora fatores naturais também influenciem nas oscilações anuais, o C3S destaca que há uma tendência contínua de aquecimento, documentada por décadas de registros e pesquisas. O órgão aponta, de forma categórica, que a principal causa dessa elevação é o aumento das emissões de CO₂ oriundas de atividades industriais e energéticas intensivas em combustíveis fósseis.

Um desafio político em um mundo dividido

Os novos números chegam em um momento geopolítico complexo. Enquanto alguns países tentam avançar em políticas de corte de emissões, outras nações caminham no sentido contrário.

Nos Estados Unidos, por exemplo, compromissos climáticos estão sendo revertidos, o que reduz o peso internacional de metas mais ambiciosas. Em paralelo, alguns governos têm buscado flexibilizar prazos e metas, enfraquecendo o esforço global que tenta manter o aquecimento sob controle.

A COP30, realizada no mês passado, terminou sem que os participantes chegassem a um consenso sobre novas ações concretas para acelerar a redução de emissões. Com isso, cresce a preocupação de especialistas sobre como o mundo pretende enfrentar as próximas décadas, especialmente diante do ritmo acelerado das mudanças climáticas.

Um planeta mais quente exige respostas mais rápidas

Os dados apresentados pelo Copernicus (programa de observação da Terra da União Europeia, que monitora o planeta e o seu ambiente usando dados de satélites) reforçam que o relógio climático está correndo.

Mesmo sem violar tecnicamente a meta de 1,5 °C, o planeta já convive com consequências típicas de um cenário mais extremo. A tendência observada também indica que superar essa marca ao longo de décadas é apenas uma questão de tempo, caso não haja um corte substancial no uso de combustíveis fósseis.

Os registros do C3S, que remontam a 1940 e são comparados com séries históricas iniciadas em 1850, mostram um retrato consistente: o aquecimento global não é um fenômeno isolado, mas sim uma trajetória contínua.

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