A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) para quem ganha até R$ 5 mil por mês vai provocar um impacto direto no bolso dos professores da educação básica em todo o país. Segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mais de 600 mil docentes deixarão de pagar Imposto de Renda, elevando para 51,6% o total de professores totalmente isentos do tributo.
A mudança está prevista na Lei n.º 15.270/2025, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e passa a valer a partir de 2026. Antes da nova regra, apenas 19,7% dos professores da educação básica não pagavam Imposto de Renda. Com a atualização da tabela, o número mais do que dobra.

Quem será beneficiado pela nova regra?
A nova lei amplia a isenção total do Imposto de Renda para rendimentos mensais de até R$ 5 mil e cria uma faixa de desconto parcial para salários de até R$ 7.350. Com isso, muitos professores que antes pagavam imposto passam a ficar livres do desconto ou a pagar menos.
Conforme o Ipea, professores que recebem o piso nacional do magistério, fixado em R$ 4.867,77 em 2025, serão um dos grupos mais beneficiados. Para esses profissionais, o ganho médio anual será de R$ 5.079,84, valor que, na prática, funciona como um salário extra ao longo do ano.
Impacto maior na rede privada
O estudo mostra que o efeito da nova tabela não será igual para todos. Na rede privada de ensino, a mudança será mais sentida. Após a reforma, 82,2% dos professores de escolas particulares ficarão totalmente isentos do Imposto de Renda. Já na rede pública, o percentual de isentos será de 42,5%.
Essa diferença ocorre porque, em geral, os salários da rede privada são mais baixos e há maior número de jornadas parciais, o que faz com que mais professores se enquadrem no novo limite de isenção.
Professores com mais de um vínculo também sentem efeitos
A nova regra também beneficia professores que acumulam mais de um vínculo de trabalho. Entre os docentes com apenas um emprego na educação básica e renda mais baixa, 60,7% passam a ser isentos e 21,1% terão redução do imposto, somando 81,8% com algum ganho.
Já entre os professores com múltiplos vínculos, que representam cerca de 17,5% da categoria, 32,3% ficarão isentos e 26,1% terão redução no valor pago. Para aqueles que, além da docência, exercem outra atividade profissional, 40,2% passam a ser isentos e 20,9% terão desconto no imposto.
Diferenças entre estados
O impacto da isenção também varia conforme o estado. Segundo o levantamento, Alagoas, Minas Gerais, Paraíba, Tocantins e Roraima terão mais de 60% dos professores totalmente isentos do Imposto de Renda. Esses números indicam que, nesses estados, grande parte dos docentes recebe salários abaixo do novo teto de isenção.
No outro extremo, alguns estados concentram maior número de professores que continuarão pagando a alíquota máxima de 27,5%. O caso mais evidente é o do Distrito Federal, onde 63,4% dos docentes permanecem nessa faixa, reflexo de salários médios mais elevados. Situação semelhante ocorre em estados como Amapá, Pará e Goiás.
Como o estudo foi feito?
Para chegar aos resultados, os pesquisadores do Ipea utilizaram dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), que reúne informações sobre vínculos formais de trabalho no país. Os salários foram corrigidos pela inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado até outubro de 2025.
No cálculo, não foram considerados o 13º salário nem deduções legais, como gastos com saúde, educação ou dependentes. O objetivo foi analisar apenas a base tributável mensal, permitindo comparar a situação antes e depois da nova tabela do Imposto de Renda.


