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Tesouro aprova empréstimo de R$ 12 bilhões para os Correios em meio a greve de trabalhadores

O Tesouro Nacional aprovou nesta quinta-feira, 18 de dezembro, um empréstimo de R$ 12 bilhões para os Correios, com garantia da União. A liberação faz parte do plano de reestruturação financeira da estatal, que busca equilibrar as contas e manter sua atuação no mercado. A decisão ocorre em um momento delicado para a empresa, já que trabalhadores iniciaram uma greve por tempo indeterminado em nove estados.

Correios tem empréstimo de R$12 bilhões aprovado pelo Tesouro
Com a aprovação, caso os Correios não consigam honrar as parcelas do financiamento, o governo federal assume o pagamento da dívida | Foto: Reprodução / Divulgação / Correios

Crédito aprovado e condições do financiamento

O empréstimo foi autorizado após o Tesouro avaliar que a proposta atendia aos critérios exigidos para empresas estatais com plano de reequilíbrio financeiro aprovado. O valor total da operação é de R$ 12 bilhões, com taxa de juros fixada em 115% do CDI, índice usado como referência no mercado financeiro.

Esse percentual ficou abaixo do teto de 120% do CDI, definido pelo próprio Tesouro. Uma tentativa anterior de captação havia sido negada justamente por ultrapassar esse limite. Segundo o órgão, a nova operação garante uma economia estimada de R$ 5 bilhões em juros em comparação com a proposta rejeitada semanas atrás.

Após a autorização, os contratos passam agora para a fase de negociação entre os bancos e os Correios, com acompanhamento da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e do Tesouro Nacional.

Entrada da Caixa ajudou a melhorar a proposta

A redução dos juros foi possível após a entrada da Caixa Econômica Federal no grupo de instituições que apresentaram a proposta. Com isso, a Caixa passou a integrar o conjunto de bancos responsáveis pelo financiamento, ao lado de:

  • Banco do Brasil;
  • Bradesco;
  • Itaú;
  • Santander;
  • Caixa Econômica Federal.

Dias antes da aprovação, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já havia informado que o valor em análise era de R$ 12 bilhões e que o governo concluiria a avaliação do plano de reestruturação da estatal até esta semana.

Segundo o ministro, a recuperação financeira dos Correios passa também pela busca de parcerias com empresas públicas e privadas, como forma de ampliar receitas e reduzir custos.

Greve atinge nove estados, mas serviços continuam

Enquanto o empréstimo foi aprovado, sindicatos de trabalhadores dos Correios iniciaram uma greve por tempo indeterminado, que começou na quarta-feira, 17 de dezembro. O movimento ocorre em protesto contra medidas adotadas pela empresa e pela falta de um novo acordo coletivo e reajuste salarial.

A paralisação envolve sindicatos dos estados do Ceará, Paraíba, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Dos 36 sindicatos que representam os empregados da estatal, 24 não aderiram à greve.

Segundo os Correios, todas as agências seguem abertas e as entregas estão sendo realizadas normalmente em todo o país. A empresa informou que 91% dos trabalhadores permaneceram em atividade no primeiro dia da paralisação. Medidas operacionais foram adotadas para evitar impactos nos serviços essenciais.

Os sindicatos afirmam que a greve foi motivada pela falta de avanço nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) e pela ausência de reajuste salarial. Entre as principais reivindicações estão:

  • Reposição da inflação nos salários;
  • Manutenção de direitos previstos no ACT;
  • Adicional de 70% nas férias;
  • Pagamento de 200% para trabalho aos fins de semana;
  • Concessão de um “vale-peru” no valor de R$ 2.500.

Diante do impasse, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) apresentou, também na quarta-feira, 17 de dezembro, uma proposta de ACT válida por dois anos. O texto busca preservar benefícios, garantir estabilidade e manter as condições de trabalho, mesmo em um cenário financeiro considerado difícil.

Em nota, os Correios reafirmaram o compromisso com o diálogo e informaram que a proposta do TST será analisada em assembleias das entidades que representam os trabalhadores.

Momento decisivo para a estatal

A aprovação do empréstimo bilionário e a paralisação parcial dos funcionários mostram os desafios enfrentados pelos Correios. Enquanto o governo tenta dar fôlego financeiro à empresa, a categoria pressiona por garantias salariais e manutenção de direitos.

Os próximos dias serão decisivos tanto para a definição do acordo coletivo quanto para a execução do plano de reestruturação, que deve determinar o futuro da estatal e sua capacidade de continuar prestando serviços em todo o país.

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