O Tribunal de Contas da União, conhecido pela sigla TCU, é o órgão responsável por fiscalizar a aplicação de recursos públicos e a atuação de entidades da administração federal. Entre suas atribuições está o acompanhamento das ações de autarquias, como o Banco Central do Brasil, também chamado de BC ou BCB, responsável pela supervisão do sistema financeiro nacional.
No caso do Banco Master, o TCU passou a atuar após a liquidação da instituição financeira, decretada pelo Banco Central em 18 de novembro. O objetivo do tribunal é verificar se houve falhas na supervisão do banco e se os procedimentos adotados pela autoridade monetária seguiram os critérios legais e técnicos exigidos.
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A inspeção determinada pelo relator do caso no TCU
O ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso no TCU, determinou de forma individual a abertura de uma inspeção no Banco Central. A medida tinha como finalidade apurar a condução do processo que levou à liquidação do Banco Master e avaliar se alternativas menos gravosas foram consideradas, como a venda da instituição para outro banco.
Segundo informações publicadas por veículos como o g1 e a Folha de S.Paulo, a inspeção deve ser suspensa após recurso apresentado pelo Banco Central. Com isso, o processo tende a ser analisado pelo plenário do TCU, instância colegiada formada por todos os ministros da Corte.
Recurso do Banco Central e debate jurídico
No recurso apresentado em 6 de janeiro, o Banco Central argumentou que inspeções desse tipo só podem ser determinadas por decisão colegiada do TCU, e não por ato individual de um ministro. O processo corre sob sigilo, o que limita o acesso público aos documentos analisados.
Na decisão inicial, Jhonatan de Jesus havia apontado que o relatório enviado pelo Banco Central ao TCU não estava acompanhado do conjunto completo de provas documentais. O ministro solicitou que a área técnica reconstruísse toda a cronologia do caso, incluindo propostas privadas de compra do banco e eventuais divergências internas no BC sobre essas alternativas.
Liquidação do Banco Master e suspeitas de fraude
A liquidação do Banco Master ocorreu no mesmo dia em que seu controlador, Daniel Vorcaro, foi preso durante operação policial. Posteriormente, ele obteve habeas corpus e passou a responder em liberdade, sob monitoramento por tornozeleira eletrônica. O banco é suspeito de envolvimento em fraudes bilionárias, que estão sendo investigadas pela Polícia Federal.
Entre os pontos investigados estão operações envolvendo cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos supostamente inexistentes revendidos ao Banco Regional de Brasília, conhecido como BRB. Esse valor equivale a doze bilhões e duzentos milhões de reais. O BRB chegou a tentar a compra do Banco Master, mas a operação foi vetada pelo Banco Central em setembro.
Impacto para o Fundo Garantidor de Créditos
A quebra do Banco Master é considerada a maior da história em termos de impacto para o Fundo Garantidor de Créditos, o FGC. A entidade privada funciona como um sistema de proteção para investidores, cobrindo aplicações de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira, o equivalente a duzentos e cinquenta mil reais.
Segundo o FGC, cerca de 1,6 milhão de investidores do banco, que mantinha aproximadamente R$ 41 bilhões em títulos como Certificados de Depósito Bancário, os CDBs, poderão ser ressarcidos dentro do limite de garantia. O montante corresponde a quarenta e um bilhões de reais em ativos.
Atuação do STF e investigações paralelas
Além do TCU, o caso também é analisado no Supremo Tribunal Federal, o STF. A investigação criminal está sob relatoria do ministro Dias Toffoli. Segundo declarações do presidente do TCU, Vital do Rêgo Filho, apenas o STF teria competência para reverter uma decisão de liquidação, o que foi descartado pelo tribunal de contas.
No Congresso Nacional, o deputado federal Carlos Jordy afirmou ter apoio suficiente para a abertura de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, a CPMI, com o objetivo de investigar o Banco Master.
Conexões políticas e questionamentos públicos
O caso também trouxe à tona relações políticas envolvendo o controlador do banco. Doações eleitorais realizadas por familiares de Daniel Vorcaro chamaram atenção, incluindo repasses de R$ 3 milhões para a campanha presidencial de Jair Bolsonaro e R$ 2 milhões para a campanha ao governo de São Paulo de Tarcísio de Freitas.
Os valores correspondem, respectivamente, a três milhões de reais e dois milhões de reais. Essas doações seguiram os limites previstos na legislação eleitoral, que permite contribuições de até 10% da renda bruta do doador no ano anterior à eleição.
O papel institucional do TCU no sistema financeiro
No contexto da crise do Banco Master, o TCU atua como órgão de controle externo, analisando a legalidade e a regularidade das ações do Banco Central. A Corte não tem competência para interferir diretamente na política monetária ou na supervisão cotidiana do sistema financeiro, mas pode apontar falhas, recomendar ajustes e encaminhar informações a outras instâncias.
A análise do caso envolve a verificação de documentos, decisões administrativas e fundamentos legais que embasaram a liquidação. O processo segue em andamento, com parte das informações protegidas por sigilo, enquanto diferentes órgãos continuam apurando responsabilidades administrativas, civis e criminais relacionadas à atuação do Banco Master.


