O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) iniciou nesta segunda-feira, 19 de janeiro, o pagamento aos clientes que tinham dinheiro aplicado no Banco Master, liquidado pelo Banco Central do Brasil (BC) no fim de 2025. O ressarcimento envolve principalmente investidores que compraram Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e outros produtos protegidos pelo fundo.
Segundo o FGC, cerca de 800 mil pessoas físicas e jurídicas têm direito à devolução dos valores. Até o último domingo, 18 de janeiro, aproximadamente 570 mil investidores já haviam iniciado o pedido de ressarcimento, mas 377 mil concluíram todas as etapas necessárias para liberar o pagamento.

Como funciona o pagamento do FGC?
O Fundo Garantidor de Créditos é uma associação privada mantida pelos próprios bancos. Ele funciona como uma rede de proteção para correntistas e investidores quando uma instituição financeira quebra ou é liquidada. Pela regra atual, cada pessoa tem direito a receber até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira. Esse valor já inclui o dinheiro aplicado e os rendimentos acumulados até a data da liquidação.
No caso do Banco Master, o pagamento começou cerca de dois meses após a decretação da liquidação extrajudicial, que também atingiu o Banco Master de Investimento e o Letsbank. Os valores são pagos à vista, em parcela única, diretamente na conta indicada pelo investidor.
Quem tinha, por exemplo, R$ 200 mil aplicados em CDBs do banco receberá todo esse valor de uma só vez. Já quem ultrapassava o limite de R$ 250 mil poderá sacar apenas até esse teto pelo FGC. O valor excedente entra no processo de liquidação conduzido pelo BC e só poderá ser recuperado se houver recursos disponíveis ao final.
Passo a passo para pedir o ressarcimento
Para pessoas físicas, o pedido deve ser feito exclusivamente pelo aplicativo oficial do FGC, disponível para celulares Android e iOS. O processo inclui cadastro, conferência de dados e assinatura digital do termo de solicitação. Após essa etapa, o pagamento ocorre em até dois dias úteis.
Empresas devem fazer a solicitação pelo Portal do Investidor, no site do FGC. O representante legal informa os dados da empresa e aguarda o envio das instruções por e-mail. O depósito é feito em conta-corrente ou poupança vinculada ao mesmo CNPJ.
Algumas corretoras já avisaram seus clientes sobre a liberação do pedido. O FGC reforça que não cobra taxas, não faz contato por WhatsApp ou SMS e não autoriza intermediários. Qualquer abordagem fora dos canais oficiais deve ser tratada como tentativa de golpe.
Quais investimentos estão protegidos?
O FGC cobre produtos considerados simples e de baixo risco dentro do sistema bancário. Entre eles estão:
- Certificado de Depósito Bancário (CDB) e Recibo de Depósito Bancário (RDB): investimentos em que o cliente empresta dinheiro ao banco e recebe juros em troca;
- Letra de Crédito Imobiliário (LCI): aplicação usada para financiar o setor imobiliário, geralmente isenta de Imposto de Renda para pessoas físicas;
- Letra de Crédito do Agronegócio (LCA): semelhante à LCI, mas voltada ao financiamento do agronegócio, também com isenção de Imposto de Renda.
Esses produtos são comuns entre investidores justamente por contarem com a proteção do FGC.
Por outro lado, não têm cobertura do fundo aplicações como debêntures, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e fundos de investimento. Nesses casos, não há devolução automática: todo o valor investido entra na fila da liquidação e depende da existência de recursos ao final do processo.
Por que o Banco Master foi liquidado?
O Banco Master foi liquidado oficialmente em 18 de dezembro de 2025, após o Banco Central concluir que a situação financeira da instituição era insustentável. O banco vinha oferecendo investimentos com juros muito acima da média do mercado, o que elevou os riscos e acendeu alerta nos órgãos de fiscalização.
Tentativas de venda, como a negociação com o Banco de Brasília, não avançaram. Questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência e menções ao banco em investigações acabaram interrompendo todas as propostas. Com isso, o BC decretou a liquidação e acionou o FGC para proteger os investidores dentro dos limites legais.
Apesar do volume elevado de pagamentos, o FGC informou que possui liquidez de R$ 125 bilhões, valor suficiente para cumprir os ressarcimentos previstos. O número de credores ficou abaixo da estimativa inicial de 1,6 milhão, o que reduziu o impacto total.
Quem ainda não solicitou o pagamento deve acessar apenas os canais oficiais do FGC, conferir as informações com atenção e acompanhar as notificações no aplicativo ou no site.