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EUA e Otan avançam em discussões sobre presença americana na Groenlândia e Trump recua tarifas contra a Europa

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Estados Unidos e Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) avançaram nas conversas sobre um possível acordo que pode permitir aos americanos controlar pequenas áreas da Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca. A informação foi divulgada nesta quarta-feira, 21 de janeiro, pelo jornal americano The New York Times, e aponta que a proposta em debate prevê a cessão de porções específicas da ilha para uso estratégico, principalmente para a instalação de bases militares.

O tema ganhou força após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que houve progresso nas negociações com a Otan envolvendo a Groenlândia e a região do Ártico. A declaração ocorreu após uma reunião com o secretário-geral da aliança, Mark Rutte.

Trump avança com a Otan em relação à Groenlândia
Segundo Trump, a estrutura do entendimento atende aos interesses dos Estados Unidos e dos países membros da Otan, embora os termos não tenham sido detalhados | Foto: Reprodução / Wikimedia

Modelo em discussão

Segundo as informações divulgadas, a proposta em análise prevê que a Dinamarca permita que os Estados Unidos tenham controle direto sobre pequenas áreas da Groenlândia. Nessas regiões, os americanos poderiam instalar bases militares e manter presença permanente. O modelo não envolve a transferência da soberania da ilha nem a venda formal do território.

Com isso, os Estados Unidos passariam a administrar pontos específicos da Groenlândia, enquanto o controle político e administrativo geral continuaria com a Dinamarca. O formato é comparado a acordos já existentes em outros países, nos quais potências mantêm bases militares em territórios estrangeiros sem que isso represente anexação.

Ainda não está confirmado se esse modelo já faz parte da estrutura formal do acordo mencionada por Trump. O presidente afirmou apenas que as conversas tratam de temas ligados à segurança e à presença estratégica no Ártico.

Segurança do Ártico

As discussões entre os países da aliança têm como foco garantir a segurança da região do Ártico por meio de ações conjuntas. Segundo a entidade, o objetivo é coordenar esforços entre os sete países membros que possuem territórios na região.

De acordo com a Otan, Dinamarca, Groenlândia e Estados Unidos avançam em negociações para impedir qualquer tipo de presença da Rússia e da China na ilha. A avaliação é que a Groenlândia ocupa uma posição estratégica para o controle e monitoramento da área.

Trump também afirmou que existem conversas adicionais sobre um projeto chamado de “Domo de Ouro”, relacionado à Groenlândia. O presidente não apresentou detalhes sobre a iniciativa, mas indicou que ela faz parte do conjunto de negociações estratégicas em andamento. Em entrevistas posteriores, afirmou que explicará os termos em outro momento e disse que o acordo teria duração permanente.

Impacto nas relações com a Europa

O avanço das negociações teve reflexo direto na relação dos Estados Unidos com países europeus. Trump anunciou que não irá impor tarifas que estavam previstas para entrar em vigor em 1º de fevereiro. Dias antes, ele havia ameaçado aplicar taxas a países da Europa que, segundo ele, estariam contrariando interesses americanos ligados à Groenlândia.

Com o andamento das conversas, o presidente recuou da medida e indicou que houve progresso no diálogo com a Otan e com a Dinamarca. Até o momento, não foram divulgados prazos nem documentos oficiais sobre a conclusão de um acordo.

Declarações públicas e reação da Dinamarca

No mesmo dia, durante discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Trump voltou a tratar publicamente do tema. Ele afirmou que não pretende usar força militar para tomar a Groenlândia, mas reiterou o interesse dos Estados Unidos no território.

“Eu não preciso usar a força. Eu não quero usar a força. Eu não usarei a força. Tudo o que os Estados Unidos estão pedindo é um lugar chamado Groenlândia”, disse. No discurso, também fez críticas à Europa e à Dinamarca e voltou a defender que a ilha deveria ter passado ao controle americano após a Segunda Guerra Mundial, quando tropas dos Estados Unidos ocuparam a região para protegê-la de forças alemãs.

Após as declarações, o governo dinamarquês reafirmou que não há negociações em curso para a venda da Groenlândia e reiterou que o território não está disponível para transferência de soberania.

Apesar disso, as conversas diplomáticas seguem em andamento no âmbito da Otan, com foco em segurança regional e presença estratégica no Ártico. O tema deve continuar no centro das discussões internacionais, dada a relevância geopolítica da Groenlândia e os interesses envolvidos entre Estados Unidos, Europa e grandes potências globais.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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