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Países mais dependentes de importações expõem riscos globais; Brasil segue caminho oposto com superávit comercial

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Um levantamento com base em dados do Banco Mundial mostra que algumas economias compram do exterior volumes equivalentes, ou até mesmo superiores, a tudo o que produzem em um ano, o que aumenta a exposição a crises internacionais.

Dependência de importações pode colocar economias de países em risco.
Em um cenário marcado por tensões geopolíticas, conflitos regionais e mudanças nas rotas de comércio internacional, a dependência de importações voltou ao centro do debate econômico global | Foto: Reprodução / Canva

O ranking dos países mais dependentes de importações considera a participação das compras externas no Produto Interno Bruto (PIB), indicador que representa toda a riqueza produzida por uma economia. Quando essa taxa ultrapassa 100%, significa que o país importa mais bens e serviços do que o valor total que gera internamente.

Pequenos países lideram ranking de dependência

No topo da lista está Hong Kong, cujas importações equivalem a 178% do PIB. O número elevado se explica pelo papel do território como um dos maiores centros logísticos do mundo: grande parte dos produtos entra, passa por Hong Kong e segue para outros destinos. Como as importações são contabilizadas pelo valor total, o índice acaba inflado.

Outros polos financeiros e comerciais aparecem logo em seguida, como Luxemburgo, San Marino e Singapura, todos com importações superiores a 140% do PIB.

Fora desses grandes centros, o ranking é dominado por pequenos países insulares (cercados por água, localizados em ilhas) ou com território limitado, como Nauru, Seychelles e Kiribati. No total, 26 dos 30 países mais dependentes de importações têm população inferior a 10 milhões de habitantes, o que dificulta a manutenção de uma produção agrícola, industrial e energética diversificada.

O que esses países mais compram do exterior

A dependência não se limita a bens de consumo. Em muitos casos, envolve itens essenciais para o dia a dia da população. Em Cuba, por exemplo, até 80% dos alimentos são importados. Já os Emirados Árabes Unidos compram fora cerca de 90% dos alimentos consumidos no país.

Em outras regiões, o peso maior está na energia. Hong Kong importa praticamente todos os combustíveis fósseis usados para abastecer residências, empresas e transportes. Esse tipo de dependência torna os preços internos mais sensíveis a guerras, sanções comerciais, crises climáticas e oscilações cambiais.

Brasil tem perfil diferente e saldo positivo no comércio

Enquanto muitas economias enfrentam um alto grau de dependência externa, o Brasil segue em uma posição distinta. Dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) mostram que o país encerrou 2025 com superávit comercial de US$ 63,8 bilhões (cerca de R$ 319 bilhões), resultado da diferença positiva entre exportações e importações.

A China manteve-se como o principal parceiro comercial brasileiro, respondendo por 28,69% das exportações totais, com compras que somaram US$ 100 bilhões (aproximadamente R$ 500 bilhões) em 2025, alta de quase 6% em relação ao ano anterior. As importações brasileiras de produtos chineses alcançaram US$ 70,9 bilhões (cerca de R$ 354,5 bilhões), gerando um superávit bilateral de US$ 29,1 bilhões (aproximadamente R$ 145,5 bilhões) para o Brasil.

Os Estados Unidos ficaram na segunda posição entre os destinos das exportações brasileiras, com US$ 37,7 bilhões (cerca de R$ 188,5 bilhões) vendidos. Já as importações vindas do país somaram US$ 45,2 bilhões (aproximadamente R$ 226 bilhões), o que resultou em déficit para o Brasil nessa relação. Mesmo com a queda de 6,57% nas exportações, impactadas por tarifas aplicadas a alguns produtos, os EUA ainda representaram 10,8% das vendas externas brasileiras.

Na terceira colocação aparece a Argentina, com US$ 18,1 bilhões (cerca de R$ 90,5 bilhões) em exportações brasileiras e US$ 12,9 bilhões (aproximadamente R$ 64,5 bilhões) em importações. O saldo permaneceu positivo para o Brasil, reforçando a importância do comércio regional.

Exportações ajudam a reduzir vulnerabilidade externa

Entre os principais produtos exportados pelo Brasil em 2025 estão óleos brutos de petróleo, soja, minério de ferro, carne bovina e café torrado. A diversidade e o peso desses itens ajudam o país a manter uma posição mais equilibrada no comércio internacional, reduzindo a dependência de compras externas para itens essenciais.

Embora o Brasil também importe bens relevantes, como máquinas, equipamentos, fertilizantes e produtos industriais, o saldo positivo indica maior capacidade de financiar essas compras com recursos gerados pelas exportações.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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