O mercado de criptomoedas vive um dos seus momentos mais turbulentos dos últimos anos. O bitcoin (BTC), moeda digital mais conhecida do mundo, caiu mais de 10% nesta quinta-feira, 5 de fevereiro, e puxou uma forte desvalorização em todo o setor. Com isso, o mercado global perdeu cerca de US$ 2 trilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 11 trilhões, em valor desde o pico da moeda registrado no início de outubro.
Para quem investe ou acompanha esse mercado, o movimento acende um alerta. Para quem está de fora, ajuda a entender por que as criptomoedas são consideradas ativos de alto risco.
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Bitcoin atinge menor nível desde a eleição nos Estados Unidos
Durante a tarde, o bitcoin chegou a ser negociado abaixo de US$ 66 mil, cerca de R$ 360 mil, o menor valor desde outubro de 2024, período anterior à vitória de Donald Trump na eleição presidencial dos Estados Unidos.
Por volta das 17h10, no horário de Brasília, a criptomoeda era negociada a cerca de US$ 65.500, acumulando queda superior a 10% apenas no dia. No recorte mais amplo, o bitcoin já recua 11% na semana e soma perdas de aproximadamente 23% no ano, segundo dados de mercado.
Outras criptomoedas também caem forte
A queda não ficou restrita ao bitcoin. A ethereum (ETH), segunda maior criptomoeda em valor de mercado, também registrou perdas expressivas. O ativo caiu cerca de 8% no dia, sendo negociado a US$ 1.956, o equivalente a aproximadamente R$ 10.800.
Na semana, a desvalorização da ETH chega a quase 14%, enquanto no acumulado do ano as perdas já somam cerca de 34%.
Quanto o mercado já perdeu no total?
De acordo com dados da plataforma de analises para o mercado de criptos, a CoinGecko, o mercado global de criptomoedas atingiu um valor máximo de US$ 4,3 trilhões no início de outubro, cerca de R$ 24 trilhões. Desde então, o setor perdeu aproximadamente US$ 2 trilhões, o equivalente a R$ 11 trilhões.
Somente no último mês, a perda estimada foi de US$ 800 bilhões, cerca de R$ 4,4 trilhões, o que mostra a velocidade da saída de recursos.
O que explica a queda das criptomoedas?
A desvalorização acontece em um momento de menor apetite ao risco nos mercados globais. Investidores têm reduzido a exposição não apenas a criptomoedas, mas também em ações de tecnologia, metais preciosos e outros ativos considerados mais voláteis.
O ouro e a prata, por exemplo, passaram a registrar oscilações mais intensas após meses de compras especulativas. A prata acumulou queda de 16,6%, sendo negociada a cerca de US$ 73,41, aproximadamente R$ 400 por onça.
No mercado de ações, índices importantes dos Estados Unidos também recuaram. O S&P 500 (principal índice da Bolsa de Valores dos Estados Unidos) caiu para perto das mínimas de duas semanas, enquanto o Nasdaq (outra Bolsa de Valores dos Estados Unidos conhecida por reunir grandes empresas de tecnologia) atingiu o menor nível em mais de dois meses, pressionado especialmente por empresas ligadas à inteligência artificial.
ETFs e política monetária entram no radar
Parte da pressão sobre as criptomoedas vem das retiradas de recursos de ETFs, fundos negociados em bolsa que investem em bitcoin. Segundo analistas do banco alemão Deutsche Bank, esses fundos têm registrado saídas bilionárias mês após mês desde a desaceleração do mercado em outubro de 2025.
Em janeiro, os ETFs de bitcoin à vista nos Estados Unidos tiveram saídas superiores a US$ 3 bilhões, cerca de R$ 16,5 bilhões, após retiradas de aproximadamente US$ 2 bilhões em dezembro e US$ 7 bilhões em novembro.
Outro fator que pesa é o cenário político e monetário nos Estados Unidos. A possível indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, elevou temores de uma política mais dura contra a inflação.
“O mercado teme um perfil mais rígido, que pode reduzir o balanço do Fed”, afirmou Manuel Villegas Franceschi, da equipe de pesquisa do banco suíço Julius Baer em entrevista a CNN. Segundo ele, menos dinheiro circulando tende a prejudicar ativos como as criptomoedas.
O que o investidor comum precisa considerar?
Para o pequeno investidor, especialmente das classes C, D e E, o episódio reforça a importância de cautela. Criptomoedas podem oferecer ganhos rápidos em momentos de alta, mas também acumulam perdas severas em períodos de estresse no mercado.
Economistas recomendam evitar colocar dinheiro que fará falta no curto prazo e lembrar que esse tipo de ativo deve ocupar apenas uma parcela limitada do orçamento, sempre dentro de um planejamento financeiro mais amplo.


