O custo da cesta básica aumentou em 24 das 27 capitais brasileiras entre dezembro e janeiro, pressionado principalmente pelos preços do tomate e do pão francês, segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). As maiores altas foram registradas em Manaus, Palmas e Rio de Janeiro.
Na capital amazonense, a cesta básica ficou 4,44% mais cara no período. Em Palmas, no Tocantins, a alta foi de 3,37%, enquanto no Rio de Janeiro os preços avançaram 3,22%. O movimento reforça a dificuldade das famílias em lidar com o custo da alimentação no início do ano, período marcado por despesas extras como impostos, material escolar e transporte.
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Tomate lidera altas e dispara em algumas capitais
Entre os itens que mais pressionaram o orçamento, o tomate foi o principal destaque. O alimento registrou aumento de preço em 26 capitais, com o maior avanço observado em Cuiabá, onde o valor subiu 63,54% em janeiro.
De acordo com a Conab, a alta está relacionada à menor oferta de frutos de qualidade, o que reduziu a disponibilidade no mercado e elevou os preços. O tomate também foi o item que mais encareceu no IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de janeiro, com alta de 20,52%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Apesar do cenário geral de aumento, algumas capitais registraram alívio pontual. Em São Luís, no Maranhão, por exemplo, o preço do tomate recuou 16,96%, refletindo condições locais de oferta mais favoráveis.
Pão francês também pesa no orçamento
Outro vilão da cesta básica foi o pão francês, que ficou mais caro em 22 capitais. Novamente, Manaus liderou a alta, com avanço de 3,06% no mês.
O aumento está ligado principalmente à elevação dos custos de energia e ao encarecimento da farinha de trigo, que é majoritariamente importada. A dependência do mercado externo torna o preço do pão mais sensível às variações cambiais e aos custos logísticos.
Alguns itens aliviam, mas não compensam
Apesar da pressão exercida por tomate e pão, alguns produtos apresentaram queda de preço e ajudaram a conter uma alta ainda maior da cesta básica. O leite integral, por exemplo, ficou mais barato em todas as capitais.
Em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, a redução chegou a 8%. Segundo a Conab, a queda está relacionada aos altos estoques de derivados lácteos, que aumentaram a oferta e reduziram os preços ao consumidor. Mesmo assim, o alívio foi insuficiente para neutralizar o impacto dos alimentos que mais subiram.
Alimentação consome quase metade do salário mínimo
Os dados da Conab mostram que, em janeiro, 46% da renda de quem recebe um salário mínimo foi destinada à compra de alimentos básicos. Embora o percentual represente uma queda de 2% em relação a dezembro, o comprometimento segue elevado e reforça a perda do poder de compra das famílias de baixa renda.
Além da cesta básica, o grupo de alimentação e bebidas registrou alta de 0,23% em janeiro, de acordo com o IPCA. Além do tomate, as carnes também pressionaram o índice, com aumento de 0,84% no mês.
O que esperar para os próximos meses?
Os preços de itens como tomate tendem a apresentar volatilidade ao longo do ano, já que dependem de fatores climáticos e safras. Já produtos atrelados a insumos importados, como o pão francês, seguem sensíveis ao câmbio e aos custos de produção.
Para o consumidor, o cenário reforça a importância do planejamento do orçamento doméstico, da substituição de itens quando possível e do acompanhamento dos preços regionais, especialmente em um momento em que a alimentação continua sendo um dos principais focos de pressão sobre a renda.


