O socialista António José Seguro foi eleito presidente de Portugal na última semana, com 66,8% dos votos válidos, segundo a Comissão Nacional de Eleições. A vitória já era apontada por pesquisas eleitorais, mas o resultado confirmou uma vantagem ampla: Seguro venceu em todos os distritos portugueses, que são as principais divisões administrativas do país, embora não tenham autonomia política semelhante à dos estados brasileiros.

Vitória ampla nos grandes centros
O presidente eleito teve desempenho expressivo nos principais centros urbanos. Em Lisboa, Porto e Coimbra, superou a marca de 70% dos votos, consolidando apoio forte nas regiões mais populosas. Já Ventura ultrapassou 40% apenas nos distritos da Madeira, Faro e Portalegre, em segundo turno inédito no país.
Apesar da derrota nacional, o líder do Chega registrou desempenho relevante entre os eleitores portugueses residentes no exterior. Com 94,4% dos consulados apurados, Ventura liderava fora do país com 51,3% dos 82,6 mil votos válidos. No Brasil, onde vivem milhares de portugueses e descendentes com dupla cidadania, o candidato da direita alcançou 58,7% dos 7.269 votos válidos.
O que faz o presidente em Portugal?
Portugal adota um regime semipresidencialista. Nesse modelo, o presidente é eleito pelo voto direto da população, mas o governo do dia a dia é conduzido pelo primeiro-ministro, que depende do apoio do Parlamento.
Atualmente, o primeiro-ministro é Luís Montenegro, da coligação liderada pelo Partido Social Democrata (PSD), partido de centro-direita.
Embora não governe diretamente, o presidente tem funções importantes. Ele pode:
- Vetar leis aprovadas pelo Parlamento;
- Dar posse ao primeiro-ministro;
- Dissolver o Parlamento e convocar novas eleições;
- Atuar como chefe das Forças Armadas;
- Exercer o chamado “poder moderador” em momentos de crise política.
Com um governo minoritário em funcionamento, o novo presidente poderá ter papel relevante na manutenção da estabilidade institucional.
Campanha moderada e polarização
Seguro fez campanha defendendo moderação e diálogo, posicionando-se como alternativa de estabilidade em um cenário político cada vez mais polarizado. Após a confirmação do resultado, declarou que “os vencedores dessa noite são os portugueses e a democracia”.
Já Ventura reconheceu a derrota, mas destacou que o Chega sai fortalecido da disputa. Fundado em 2019, o partido cresceu rapidamente, saltando de 1,3% dos votos naquele ano para 22,8% nas eleições legislativas de 2025. Hoje, é a segunda maior força no Parlamento português, com 60 cadeiras.
Ao alcançar cerca de um terço do eleitorado na eleição presidencial, Ventura consolida sua posição como principal liderança da direita radical portuguesa.
Eleição sob tempestades
A votação ocorreu enquanto o país enfrentava fortes tempestades e estava oficialmente em estado de calamidade pública. Houve pedido de adiamento por parte da campanha de Ventura, mas as autoridades eleitorais mantiveram o calendário, permitindo apenas ajustes pontuais em algumas localidades. Mesmo com as condições climáticas adversas, o comparecimento foi semelhante ao do primeiro turno.


