A sensação de que o ano só começa depois do Carnaval pode até ser cultural, mas, do ponto de vista econômico, a festa já está a todo vapor. Para 2026, a expectativa é de recorde histórico de movimentação financeira, com impacto bilionário no turismo, no comércio e na geração de empregos em todo o país.
Segundo estimativa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), o turismo nacional deve faturar R$ 18,6 bilhões em fevereiro, alta de 10% em relação ao mesmo período do ano passado, quando a marca foi de R$ 16,9 bilhões. Se confirmada, será o melhor desempenho para o mês desde o início da série histórica, em 2011.
Já o Ministério do Turismo (MTur) estima que o Carnaval envolva 65 milhões de pessoas em todos os estados, um crescimento de 22% na comparação com 2025. Para o público das classes C, D e E, que sente de forma mais direta os impactos no emprego e na renda, esses números representam oportunidade de trabalho temporário, aumento nas vendas e reforço no orçamento familiar.
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Capitais concentram bilhões e milhões de foliões
Os maiores impactos econômicos devem se concentrar nas chamadas “capitais do Carnaval”, como Salvador, Recife, Olinda, Rio de Janeiro e São Paulo, que juntas devem reunir mais de 40 milhões de foliões, segundo estudo do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (IBEVAR) em parceria com a FIA Business School, escola de negócios que oferece cursos na área de gestão e finanças.
Em Salvador, a projeção é que o público ultrapasse 11 milhões de pessoas, com a chegada de 1,2 milhão de turistas entre os dias 12 e 18 de fevereiro. A expectativa é de ocupação hoteleira acima de 90%.
Na Bahia, a Fecomercio Bahia estima que a festa arrecade R$ 12,4 bilhões em fevereiro. Em Pernambuco, a movimentação deve chegar a R$ 10,79 bilhões no mês, considerando a circulação de mercadorias.
No Rio de Janeiro, a previsão é de que 8 milhões de pessoas circulem pela cidade, com impacto de R$ 5,7 bilhões na economia local, segundo a Riotur.
Já em São Paulo, a expectativa é reunir 16,5 milhões de foliões, gerar R$ 3,4 bilhões e criar cerca de 50 mil empregos temporários. O número de blocos também cresceu: serão 627 desfiles em 2026, acima dos 601 do ano passado.
Comércio, supermercados e bares lideram ganhos
O impacto econômico do Carnaval não se limita ao turismo. Segundo especialistas ouvidos pela FecomercioSP, os setores mais beneficiados são os ligados ao consumo imediato e ao lazer, como supermercados, hipermercados, bebidas, fantasias, roupas temáticas, higiene e beleza, além de hotelaria, bares e restaurantes.
Para quem trabalha como ambulante, vendedor informal ou pequeno comerciante, a festa representa uma das principais oportunidades de renda do ano. Muitos profissionais conseguem faturar, em poucos dias, o equivalente a semanas de trabalho comum.
Ao mesmo tempo, parte desse consumo é sustentada por financiamento de curto prazo. O levantamento aponta que os juros altos pressionam o orçamento das famílias e dificultam a recomposição financeira após a temporada de despesas.
Isso significa que, embora o Carnaval movimente bilhões, também exige planejamento para evitar que a conta pese nos meses seguintes.
Alta carga tributária encarece a folia
Outro ponto que impacta diretamente o bolso do consumidor é a carga tributária sobre produtos típicos da festa.
Levantamento da Associação Comercial de São Paulo mostra que o whisky lidera o ranking de tributação, com 56,40% de impostos. Chope e máscara de lantejoulas aparecem com 44,39% e 46,38%, respectivamente. Fantasias de Carnaval têm carga de 45,66%, bijuterias 42,43% e colar havaiano 38,97%.
Em entrevista a Forbes, o economista Ulisses Ruiz de Gamboa, do Instituto de Economia Gastão Vidigal (IEGV/ACSP), explicou que a carga tributária segue elevada e impacta diretamente o orçamento das famílias. Para ele, alternativas como reutilizar fantasias ou apostar na criatividade podem ajudar a reduzir gastos.
Recorde histórico e desafio para o bolso
A projeção de até R$ 20 bilhões movimentados confirma o peso do Carnaval para a economia brasileira. A festa gera empregos temporários, aquece pequenos negócios e fortalece o setor de serviços em um período tradicionalmente importante para o comércio. No fim das contas, o maior Carnaval da história pode ser também uma grande oportunidade, desde que venha acompanhado de planejamento e consciência financeira.


