A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do Ozivy, o primeiro medicamento similar ao Ozempic (medicamento utilizado sob prescrição médica para tratar obesidade e diabete) liberado no mercado brasileiro. Desenvolvido com semaglutida sintética, princípio ativo do medicamento, pela farmacêutica nacional EMS, o produto promete mexer com as estruturas de um mercado bilionário.
O grande atrativo para o consumidor é o preço. A fabricante projeta uma redução de custo que pode tornar o tratamento consideravelmente mais acessível em comparação ao medicamento de referência da Novo Nordisk (produtora do Ozempic).
A liberação da Anvisa marca o início de uma nova fase para o segmento das chamadas canetas emagrecedoras no país. O movimento regulatório ocorre logo após o fim da patente da semaglutida no Brasil, que expirou em março de 2026.

O que é o Ozivy e o enquadramento da Anvisa
O Ozivy utiliza exatamente o mesmo princípio ativo do medicamento de referência: a semaglutida. Inicialmente, o produto foi autorizado pela agência reguladora para o tratamento de adultos com diabetes tipo 2, servindo como um complemento à dieta e aos exercícios físicos.
Assim como o concorrente famoso, a administração do remédio será feita de forma semanal. O paciente utilizará uma caneta injetável que já vem preenchida de fábrica para facilitar a aplicação.
Do ponto de vista técnico e regulatório, a Anvisa não classificou o Ozivy como um medicamento genérico. Como as regras brasileiras para produtos biológicos são bastante específicas, o tratamento recebeu o enquadramento de “medicamento novo”.
Impacto no bolso do consumidor e projeção de preços
O fator econômico é o principal pilar de interesse para o público geral e investidores. Embora o valor máximo oficial ainda dependa da aprovação da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), a EMS já desenhou a sua estratégia comercial para o lançamento.
A chegada do medicamento ao mercado deve ocorrer entre junho e julho de 2026. A dinâmica de preços projetada para o varejo brasileiro funcionará de forma bem delineada.
- O medicamento de referência atual (Ozempic) mantém uma média de preço nas farmácias brasileiras que oscila entre R$ 800,00 e R$ 1.000,00 por unidade.
- O similar nacional (Ozivy) chegará ao varejo com uma projeção de desconto de pelo menos 30% em relação ao preço do concorrente direto.
- A fabricante planeja também disponibilizar programas de adesão e descontos adicionais diretamente nas farmácias para garantir a fidelização do cliente e a continuidade do tratamento.
Mercado de R$ 15 bilhões e o impacto nas empresas do setor
Projeções de analistas de mercado apontam que o segmento de canetas para controle glicêmico e emagrecimento (“canetas emagrecedoras”) deve movimentar cerca de R$ 15,6 bilhões no Brasil em 2026.
A EMS possui grandes metas para os primeiros doze meses de comercialização do Ozivy. A empresa projeta um faturamento superior a R$ 500 milhões já no início das vendas.
Além disso, a companhia estima a venda de aproximadamente 1,2 milhão de unidades no primeiro ano de circulação do produto. Para suportar esse volume, a companhia investiu cerca de R$ 1,2 bilhão em sua estrutura industrial em Hortolândia, no interior de São Paulo.
O foco do aporte foi a produção nacional de biotecnologia e canetas injetáveis. Esse cenário de abertura regulatória também mexe com outras gigantes do setor.
Empresas nacionais, como a Hypera e Eurofarma, acompanham de perto os desdobramentos. O objetivo é lançar seus próprios produtos semelhantes ou fechar novas parcerias comerciais no curto prazo.