Os Estados Unidos deram mais um passo na escalada das tensões comerciais com o Brasil ao propor uma tarifa adicional de 25% sobre uma ampla lista de produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano. A medida foi anunciada após a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que apontou supostas práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses americanos.
A proposta ainda passará por consulta pública e avaliação do governo americano, mas já acende um alerta para setores estratégicos da economia brasileira que dependem das exportações para os Estados Unidos. A decisão final deverá ser tomada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, após a conclusão do processo regulatório previsto para julho.

O que motivou a nova tarifa
Segundo o relatório do USTR, os EUA identificaram seis áreas consideradas problemáticas nas relações comerciais com o Brasil:
- Comércio digital e sistemas de pagamento eletrônico, incluindo críticas ao Pix;
- Tarifas e acordos preferenciais concedidos a outros países;
- Proteção da propriedade intelectual;
- Barreiras ao etanol norte-americano;
- Combate ao desmatamento ilegal e questões ambientais;
- Combate à corrupção.
O governo estadunidense argumenta que essas práticas criam desvantagens para empresas do país e restringem o acesso de produtos e serviços americanos ao mercado brasileiro. O Brasil, por sua vez, tem contestado as acusações e considera a investigação incompatível com as regras multilaterais da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Quais setores brasileiros podem ser mais afetados
Embora a proposta preveja diversas exceções, uma parcela relevante das exportações brasileiras para os EUA poderá enfrentar aumento de custos e perda de competitividade.
Entre os segmentos potencialmente mais impactados estão:
- Produtos manufaturados;
- Máquinas e equipamentos industriais;
- Produtos químicos;
- Autopeças;
- Produtos metalúrgicos;
- Bens intermediários utilizados pela indústria americana.
Empresas exportadoras brasileiras podem ser obrigadas a reduzir margens de lucro para manter contratos ou buscar novos mercados para compensar eventuais perdas de vendas nos Estados Unidos.
Produtos que ficaram fora da proposta
O governo americano decidiu excluir da possível sobretaxa diversos produtos considerados estratégicos para sua própria economia ou cuja produção doméstica é insuficiente.
Entre os itens preservados estão:
- Carne bovina;
- Café;
- Frutas tropicais;
- Castanhas;
- Produtos derivados do coco;
- Aeronaves civis;
- Motores aeronáuticos;
- Componentes e peças do setor aeroespacial.
A exclusão desses produtos reduz parcialmente o impacto imediato da medida, especialmente para o agronegócio e para a indústria aeronáutica brasileira
Impactos para a economia brasileira
Os Estados Unidos permanecem entre os principais parceiros comerciais do Brasil. Em diversos setores industriais, o mercado americano representa uma parcela importante das receitas de exportação, por isso, uma tarifa de 25% pode:
- Reduzir a competitividade dos produtos brasileiros;
- Diminuir o volume exportado para os EUA;
- Pressionar o câmbio e a balança comercial;
- Afetar investimentos em setores voltados à exportação;
- Gerar insegurança para empresas com forte presença no mercado americano.
Ao mesmo tempo, a manutenção das negociações entre os dois governos pode abrir espaço para acordos que reduzam ou eliminem parte das tarifas antes da decisão final.
Próximos passos
O USTR abriu prazo para recebimento de manifestações do setor privado americano e uma audiência pública está prevista para 6 de julho. Já o relatório final deverá ser divulgado no dia 15 de julho de 2026. Somente após essa etapa, Donald Trump decidirá se implementará integralmente a tarifa de 25% ou se realizará ajustes na proposta.
Para o Brasil, a nova ameaça tarifária representa mais um capítulo da disputa comercial iniciada em 2025, que já havia resultado em tarifas sobre aço, alumínio e outros produtos brasileiros.
O desfecho das negociações poderá definir o rumo das relações econômicas entre as duas maiores economias das Américas nos próximos meses.