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EUA propõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e aumentam pressão sobre exportações

Os Estados Unidos deram mais um passo na escalada das tensões comerciais com o Brasil ao propor uma tarifa adicional de 25% sobre uma ampla lista de produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano. A medida foi anunciada após a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que apontou supostas práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses americanos.

A proposta ainda passará por consulta pública e avaliação do governo americano, mas já acende um alerta para setores estratégicos da economia brasileira que dependem das exportações para os Estados Unidos. A decisão final deverá ser tomada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, após a conclusão do processo regulatório previsto para julho.

Proposta dos EUA de taxar produtos brasileiros em 25% acende alerta na economia e passa por consulta no dia 06 | Foto: Reprodução/ Unsplash
Proposta dos EUA de taxar produtos brasileiros em 25% acende alerta na economia e passa por consulta no dia 06 | Foto: Reprodução/ Unsplash

O que motivou a nova tarifa

Segundo o relatório do USTR, os EUA identificaram seis áreas consideradas problemáticas nas relações comerciais com o Brasil:

  • Comércio digital e sistemas de pagamento eletrônico, incluindo críticas ao Pix;
  • Tarifas e acordos preferenciais concedidos a outros países;
  • Proteção da propriedade intelectual;
  • Barreiras ao etanol norte-americano;
  • Combate ao desmatamento ilegal e questões ambientais;
  • Combate à corrupção.

O governo estadunidense argumenta que essas práticas criam desvantagens para empresas do país e restringem o acesso de produtos e serviços americanos ao mercado brasileiro. O Brasil, por sua vez, tem contestado as acusações e considera a investigação incompatível com as regras multilaterais da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Quais setores brasileiros podem ser mais afetados

Embora a proposta preveja diversas exceções, uma parcela relevante das exportações brasileiras para os EUA poderá enfrentar aumento de custos e perda de competitividade.

Entre os segmentos potencialmente mais impactados estão:

  • Produtos manufaturados;
  • Máquinas e equipamentos industriais;
  • Produtos químicos;
  • Autopeças;
  • Produtos metalúrgicos;
  • Bens intermediários utilizados pela indústria americana.

Empresas exportadoras brasileiras podem ser obrigadas a reduzir margens de lucro para manter contratos ou buscar novos mercados para compensar eventuais perdas de vendas nos Estados Unidos.

Produtos que ficaram fora da proposta

O governo americano decidiu excluir da possível sobretaxa diversos produtos considerados estratégicos para sua própria economia ou cuja produção doméstica é insuficiente.

Entre os itens preservados estão:

  • Carne bovina;
  • Café;
  • Frutas tropicais;
  • Castanhas;
  • Produtos derivados do coco;
  • Aeronaves civis;
  • Motores aeronáuticos;
  • Componentes e peças do setor aeroespacial.

A exclusão desses produtos reduz parcialmente o impacto imediato da medida, especialmente para o agronegócio e para a indústria aeronáutica brasileira

Impactos para a economia brasileira

Os Estados Unidos permanecem entre os principais parceiros comerciais do Brasil. Em diversos setores industriais, o mercado americano representa uma parcela importante das receitas de exportação, por isso, uma tarifa de 25% pode:

  • Reduzir a competitividade dos produtos brasileiros;
  • Diminuir o volume exportado para os EUA;
  • Pressionar o câmbio e a balança comercial;
  • Afetar investimentos em setores voltados à exportação;
  • Gerar insegurança para empresas com forte presença no mercado americano.

Ao mesmo tempo, a manutenção das negociações entre os dois governos pode abrir espaço para acordos que reduzam ou eliminem parte das tarifas antes da decisão final.

Próximos passos

O USTR abriu prazo para recebimento de manifestações do setor privado americano e uma audiência pública está prevista para 6 de julho. Já o relatório final deverá ser divulgado no dia 15 de julho de 2026. Somente após essa etapa, Donald Trump decidirá se implementará integralmente a tarifa de 25% ou se realizará ajustes na proposta.

Para o Brasil, a nova ameaça tarifária representa mais um capítulo da disputa comercial iniciada em 2025, que já havia resultado em tarifas sobre aço, alumínio e outros produtos brasileiros.

O desfecho das negociações poderá definir o rumo das relações econômicas entre as duas maiores economias das Américas nos próximos meses.

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