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El Niño ameaça safra 2026/27 e pode encarecer alimentos no Brasil

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O provável retorno do fenômeno El Niño na segunda metade de 2026 acende o alerta para o setor agropecuário e o mercado financeiro. Organismos internacionais indicam alta probabilidade de o fenômeno se desenvolver, trazendo secas, enchentes e ondas de calor que afetam diretamente a produção agrícola mundial.

No Brasil, a principal preocupação é que esses eventos coincidam com o planejamento e desenvolvimento da safra 2026/27, ameaçando culturas estratégicas como soja, milho, café, cana-de-açúcar e algodão.

O que é o fenômeno El Niño?

O El Niño é o aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, uma alteração que modifica os padrões de chuva e temperatura globalmente.

Segundo a Organização Meteorológica Mundial (WMO), as chances de o fenômeno se consolidar entre junho e agosto de 2026 são de 80%, subindo para 90% de persistência até novembro, com intensidade de moderada a forte.

Retorno do El Niño na segunda metade de 2026 acende alerta para o agronegócio e pode impactar a produtividade no campo | Foto: Reprodução/ Pexels
Retorno do El Niño na segunda metade de 2026 acende alerta para o agronegócio e pode impactar a produtividade no campo | Foto: Reprodução/ Pexels

Como o El Niño pode afetar o Brasil

Os impactos variam de acordo com a geografia do país, conforme alertado em notas técnicas recentes do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden):

  • Sul: Chuvas acima da média e enchentes, gerando perdas por excesso de umidade e gargalos na colheita e na logística.
  • Norte e Nordeste: Seca intensificada e redução de chuvas, elevando o risco de queimadas e prejudicando lavouras que dependem de precipitação regular.
  • Centro-Oeste: Ondas de calor e estiagem prolongada, o que ameaça o calendário de plantio da soja e da segunda safra de milho.
  • Sudeste: Alternância entre calor extremo e temporais, impactando diretamente as culturas de café, cana-de-açúcar e hortifrutigranjeiros.

Desafios para a safra 2026/27 e histórico de prejuízos

Como maior exportador mundial de soja e um dos líderes na produção de milho, o Brasil enfrenta riscos de quebra de produtividade e aumento nos custos operacionais. Embora algumas culturas no Centro-Sul possam se beneficiar do excesso de chuvas, o balanço geral costuma ser desafiador, principalmente para os ciclos da soja, milho segunda safra, café, feijão, algodão e cana-de-açúcar.

O histórico do fenômeno reforça o sinal de alerta. O evento de 2023/2024 provocou recordes de temperatura e enchentes graves no Sul do país. Tradicionalmente, anos de El Niño reduzem a oferta agrícola, encarecem o frete logístico e os seguros rurais, além de pressionarem os preços internacionais das commodities.

Impacto econômico: inflação, PIB e os reflexos na Bolsa

Eventuais perdas na safra 2026/27 vão repercutir diretamente na macroeconomia e no mercado financeiro por quatro canais principais:

  • Pressão no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): A menor oferta de alimentos eleva os preços ao consumidor, pressionando a inflação e forçando o Banco Central a manter a taxa básica de juros da economia brasileira (Selic) em patamares elevados.
  • Desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB): Como o agronegócio representa cerca de um quarto do PIB nacional, perdas no campo reduzem o ritmo de crescimento do país e afetam a entrada de dólares.
  • Receita de exportações: Uma quebra na produção de soja, milho, café e açúcar compromete o saldo da balança comercial e as receitas externas.
  • Volatilidade na Bolsa de Valores (B3): A instabilidade climática mexe com os preços dos contratos futuros de grãos e eleva o risco para empresas listadas que dependem do agro, como indústrias de proteína animal e seguradoras.

Cenário global e perspectivas

O alerta da Organização Meteorológica Mundial (WMO) se estende a outros grandes produtores como Índia e Austrália, indicando que o fenômeno pode gerar novos recordes de temperatura global até 2027.

Embora o cenário de formação do El Niño seja de alta confiabilidade, ainda há incertezas sobre a sua intensidade final. Para os produtores rurais e investidores brasileiros, os próximos meses exigirão monitoramento constante e o uso de estratégias de proteção financeira e manejo para mitigar os riscos de uma das safras mais desafiadoras dos últimos tempos.

Sobre o autor Fernanda Evarista

Jornalista com qualificação em gestão esportiva e atuação na captação de recursos para a realização de projetos sociais de alto impacto

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