O Brasil registrou uma das maiores quedas da edição 2026 do Ranking Mundial de Competitividade (World Competitiveness Ranking), elaborado pelo IMD World Competitiveness Center, em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC). O país perdeu sete posições e passou a ocupar o 65º lugar entre 70 economias avaliadas, reforçando os desafios estruturais que limitam a capacidade de crescimento sustentável da economia brasileira.
A queda interrompe a recuperação observada em 2025, quando o Brasil havia avançado para a 58ª posição. O novo resultado coloca o país novamente entre as economias menos competitivas do mundo.
O que é o Ranking Mundial de Competitividade?
O levantamento do IMD é um dos principais indicadores globais de competitividade econômica. O estudo mede a capacidade de um país criar e manter um ambiente favorável para o desenvolvimento dos negócios, atração de investimentos, geração de empregos e aumento da produtividade.
A metodologia utiliza centenas de indicadores econômicos e institucionais, além de pesquisas com executivos e líderes empresariais de diversos países. O ranking é estruturado em quatro pilares principais:
- Desempenho econômico;
- Eficiência governamental;
- Eficiência empresarial;
- Infraestrutura.
Ao todo, são analisados mais de 300 indicadores relacionados a temas como educação, inovação, mercado de trabalho, finanças públicas, ambiente regulatório, produtividade, tecnologia e qualidade institucional.

Educação, produtividade e juros altos puxam queda do Brasil
Segundo o estudo, alguns dos piores desempenhos brasileiros em 2026 ocorreram justamente em áreas consideradas essenciais para o aumento da produtividade.
Entre os fatores que mais prejudicaram a posição do país estão:
- Custo de capital elevado;
- Alto endividamento corporativo;
- Baixa qualidade da educação básica;
- Escassez de mão de obra qualificada;
- Deficiências em habilidades financeiras e linguísticas;
- Baixa produtividade da força de trabalho.
O ranking mostra que o Brasil ocupa posições próximas das últimas colocações globais em vários desses indicadores, o que compromete a capacidade de competir com economias mais desenvolvidas e até mesmo com países emergentes.
Queda na competitividade reduz investimentos e limita o crescimento
A competitividade está diretamente relacionada à capacidade de um país atrair investimentos, gerar empregos e aumentar a renda da população.
Quando um país apresenta baixa competitividade, as empresas enfrentam maiores custos para produzir, contratar e expandir seus negócios. Isso reduz investimentos e limita o crescimento econômico.
Entre os impactos mais relevantes estão:
- Menor atração de capital estrangeiro;
- Crescimento econômico mais lento;
- Menor geração de empregos qualificados;
- Redução da produtividade;
- Menor capacidade de inovação;
- Perda de participação no comércio internacional.
Para investidores internacionais, rankings desse tipo funcionam como um termômetro do ambiente de negócios. Quanto melhor for a posição de um país, maior tende a ser sua capacidade de receber recursos produtivos de longo prazo.
Caminho para a recuperação
Especialistas apontam que o avanço da competitividade brasileira depende de reformas estruturais e investimentos contínuos em capital humano.
Entre as medidas frequentemente defendidas estão:
Reforma educacional
A melhoria da qualidade da educação básica e da formação técnica é considerada uma das principais prioridades para elevar a produtividade da economia.
Redução do custo de capital
Juros elevados encarecem investimentos e dificultam a expansão das empresas. A redução sustentável desse custo é vista como fundamental para aumentar a competitividade nacional.
Simplificação tributária
A implementação da reforma tributária pode reduzir burocracias e custos operacionais para empresas, aumentando a eficiência econômica.
Melhoria do ambiente regulatório
Segurança jurídica, previsibilidade regulatória e digitalização dos serviços públicos são fatores frequentemente apontados como essenciais para atrair investimentos.
Incentivo à inovação
Investimentos em pesquisa, tecnologia e transformação digital podem aumentar a produtividade das empresas brasileiras e ampliar sua competitividade internacional.
Perspectivas
Apesar da queda expressiva em 2026, o Brasil ainda apresenta pontos fortes reconhecidos internacionalmente, como o potencial do mercado consumidor, a matriz energética renovável, a capacidade de atração de investimentos estrangeiros e o dinamismo empreendedor.
No entanto, o novo resultado do ranking mostra que esses diferenciais continuam sendo insuficientes para compensar problemas históricos relacionados à educação, produtividade, eficiência governamental e ambiente de negócios. Sem avanços nessas áreas, o país pode permanecer entre as economias menos competitivas do mundo nos próximos anos.


