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O que é o El Niño? Governo anuncia plano de R$ 9,8 bilhões para reduzir impactos no Brasil

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O Ministério da Saúde anunciou na última semana um pacote de medidas para preparar o Sistema Único de Saúde (SUS) para os impactos do El Niño e das mudanças climáticas no Brasil. O plano, chamado AdaptaSUS, prevê investimento de R$ 9,8 bilhões até 2035 e reúne 27 metas e 93 ações voltadas ao fortalecimento da rede pública diante de eventos climáticos extremos, como ondas de calor, secas, enchentes e deslizamentos.

Ações devem aumentar a capacidade de prevenção e resposta da saúde pública aos efeitos das mudanças no clima | Foto: Reprodução / Canva

Entre as principais medidas estão a criação de oito Centros Integrados de Saúde e Clima, a ampliação da Força Nacional do SUS, o lançamento de um sistema de alertas para calor extremo e o reforço no fornecimento de medicamentos, vacinas, água potável e equipamentos para situações de emergência. A iniciativa foi apresentada durante a COP30.

O que é o El Niño?

O El Niño é um fenômeno climático natural que ocorre quando as águas da região central e leste do Oceano Pacífico ficam mais quentes do que o normal. Esse aquecimento altera a circulação dos ventos e modifica o comportamento do clima em diversas partes do mundo. Embora aconteça longe do território brasileiro, o fenômeno influencia diretamente o regime de chuvas, as temperaturas e a ocorrência de eventos climáticos extremos no país.

Segundo o Ministério da Saúde, o atual episódio de El Niño começou em junho e seus efeitos podem se estender por 2026 e 2027, com impactos que variam conforme a região.

No Norte, a expectativa é de redução das chuvas e queda no nível dos rios. Esse cenário pode dificultar o transporte de pessoas, alimentos, medicamentos e atendimento médico em comunidades ribeirinhas, além de favorecer queimadas e incêndios florestais.

No Nordeste, a tendência é de menos chuva e maior escassez de água. Com reservatórios recebendo menos água, o abastecimento e a produção agrícola também podem ser afetados. O calor intenso ainda aumenta o risco de incêndios em áreas de vegetação.

No Centro-Oeste, o principal efeito esperado é o aumento das temperaturas e da baixa umidade do ar, condições que favorecem queimadas. Algumas áreas, no entanto, podem registrar chuvas dentro da média.

No Sudeste, os efeitos costumam variar. Algumas regiões enfrentam períodos prolongados de calor e estiagem, conhecidos como veranicos, enquanto outras registram chuvas intensas. As ondas de calor também elevam o consumo de energia elétrica.

Já o Sul costuma ser a região mais impactada pelo excesso de chuvas durante episódios de El Niño. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul podem registrar temporais mais frequentes, enchentes, alagamentos e deslizamentos de terra.

Como o SUS pretende se preparar?

O AdaptaSUS foi estruturado em cinco frentes de atuação:

  • coordenação entre União, estados, municípios e Defesa Civil;
  • fortalecimento da capacidade de resposta dos serviços de saúde;
  • comunicação com gestores e população;
  • vigilância e emissão de alertas;
  • reforço de medicamentos, vacinas, água potável e outros insumos.

A proposta é antecipar riscos, proteger principalmente as populações mais vulneráveis e garantir uma resposta mais rápida em situações de emergência.

Uma das principais novidades é a implantação de oito Centros Integrados de Saúde e Clima nas cinco regiões do país. As unidades serão instaladas em Belo Horizonte, Belém, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Santarém e na Bahia. O primeiro centro será inaugurado na Bahia.

Cada unidade contará com equipes formadas por epidemiologistas, meteorologistas, geógrafos especializados em análise espacial e cientistas de dados. Esses profissionais irão acompanhar os riscos climáticos em tempo real, emitir alertas antecipados e orientar gestores, profissionais de saúde e a população.

Ferramenta vai emitir alertas para todo o país

Outra medida anunciada é o Painel Nacional de Monitoramento e Previsão de Excesso de Calor e Equidade em Saúde. A plataforma disponibilizará previsões diárias para os 5.570 municípios brasileiros com até cinco dias de antecedência.

O sistema cruzará informações meteorológicas com indicadores de vulnerabilidade social para identificar quais regiões apresentam maior risco durante períodos de calor extremo.

Força Nacional do SUS será ampliada

O plano também prevê a expansão da Força Nacional do SUS para oito bases distribuídas pelas cinco regiões brasileiras. As equipes terão capacidade para chegar a qualquer emergência em até 12 horas e iniciar as ações necessárias em até 72 horas, utilizando viaturas, equipamentos e sistemas de comunicação.

Segundo o Ministério da Saúde, a descentralização dessas bases ampliará em até 20 vezes a capacidade de resposta rápida da rede pública em casos de desastres e emergências sanitárias.

Pesquisa e orientações para enfrentar o calor

Além das medidas de atendimento, o governo anunciou investimentos em pesquisa sobre os impactos das mudanças climáticas na saúde. A nova edição do PET-Saúde Clima contará com 197 projetos, 12,6 mil bolsas e investimento de R$ 266 milhões.

O Ministério da Saúde também reforçou orientações para reduzir os efeitos do calor extremo, como beber água mesmo sem sede, evitar exposição ao sol nos horários mais quentes do dia, manter ambientes ventilados, verificar o uso correto de medicamentos contínuos e utilizar soro fisiológico em casos de ressecamento dos olhos ou das narinas.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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