IBOV 138.420 +0,82% USD/BRL 5,18 -0,34% EUR/BRL 5,62 +0,11% Bitcoin US$ 61.450 -0,38% Ethereum US$ 1.627 -0,67% Selic 9,75% estável IPCA 12m 3,84% -0,12pp Petróleo Brent US$ 82,40 +1,21%

Você perde o sono por causa das contas? Pesquisa mostra que dinheiro já afeta a saúde mental da maioria dos brasileiros

Por

·

Para milhões de brasileiros, pensar em boletos, cartão de crédito ou nas contas que vencem no fim do mês se tornou uma preocupação constante. O problema é que o impacto não fica apenas no bolso: ele também afeta o sono, o humor, os relacionamentos e até a disposição para trabalhar.

Duas pesquisas recentes mostram que as dificuldades financeiras têm provocado um nível elevado de estresse na população. Um levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), realizado em parceria com o Datafolha, revela que 47% dos brasileiros convivem com alto estresse financeiro, enquanto outros 48% apresentam um nível considerado médio.

Já uma pesquisa da Serasa, feita com o Instituto Opinion Box, aponta que 84% dos entrevistados afirmam que os problemas com dinheiro já prejudicaram a saúde mental em algum momento.

Contas já afetam a saúde mental da maioria dos brasileiros
Os números ajudam a explicar uma realidade que muitos brasileiros conhecem bem: quando as contas apertam, o impacto costuma ir muito além do orçamento | Foto: Reprodução / Canva

O dinheiro virou motivo de preocupação constante

Segundo o estudo da Anbima, quase metade da população afirma trabalhar mais do que gostaria apenas para conseguir pagar as despesas do dia a dia. Ao todo, 49% dos entrevistados disseram que aumentaram a carga de trabalho para conseguir manter as contas em ordem.

A preocupação acompanha as pessoas mesmo quando o expediente termina. A pesquisa mostra que 37% dos brasileiros têm dificuldade para dormir por causa da situação financeira, enquanto 29% afirmam que o dinheiro já provocou discussões dentro de casa.

Quando essa pressão se prolonga, muitas pessoas passam a evitar conversar sobre o assunto, o que pode dificultar ainda mais a busca por soluções.

O impacto vai além da ansiedade

O levantamento da Serasa detalha como esse estresse aparece no dia a dia. Entre quem afirma ter a saúde mental afetada pelas dificuldades financeiras, 48% relatam mudanças no humor e na estabilidade emocional. Outros 44% dizem que a autoestima foi prejudicada. Também aparecem efeitos sobre a energia e a produtividade. Cerca de 32% afirmam sentir menos disposição, enquanto 30% relatam perda de concentração no trabalho ou nos estudos.

Outro dado chama atenção: sete em cada dez brasileiros já perderam o sono por preocupação com dívidas, e 65% dizem esconder seus problemas financeiros de familiares ou amigos.

Nem sempre é possível procurar ajuda

Além de provocar sofrimento emocional, a falta de dinheiro também dificulta o acesso ao tratamento psicológico. Segundo a pesquisa da Serasa, 49% dos entrevistados deixaram de procurar atendimento psicológico porque não tinham condições financeiras de pagar consultas ou terapias.

O levantamento mostra ainda que as dificuldades econômicas afetam a forma como muitas pessoas se relacionam com quem está ao redor.

Entre os entrevistados:

  • 45% sentem culpa ao pedir dinheiro emprestado;
  • 41% evitam conversar sobre a situação financeira;
  • 29% acabam se afastando de amigos e familiares.

Esses comportamentos mostram que o estresse financeiro pode gerar isolamento justamente no momento em que o apoio de outras pessoas pode fazer diferença.

Mulheres e adultos de meia-idade estão entre os mais afetados

A pesquisa da Anbima também identificou quais grupos concentram maior nível de estresse relacionado ao dinheiro. Entre as pessoas classificadas com alto estresse financeiro, 53% são mulheres.

Já na divisão por idade, 37% têm entre 45 e 64 anos, faixa etária que reúne o maior percentual de entrevistados nessa condição | Foto: Repprodução / Canva

Educação financeira aparece como parte da solução

Embora programas de renegociação de dívidas possam ajudar quem está inadimplente, a Anbima avalia que medidas desse tipo precisam ser acompanhadas de iniciativas de educação financeira.

A ideia é incentivar um planejamento melhor das finanças e evitar que as famílias voltem a enfrentar dificuldades semelhantes no futuro.

Apesar do cenário preocupante, a pesquisa da Serasa também aponta um dado positivo. Para 95% dos brasileiros, cuidar da saúde mental é tão importante quanto cuidar da saúde física, e quase um em cada cinco entrevistados considera o equilíbrio emocional ainda mais importante.

Os levantamentos reforçam que organizar o orçamento não significa apenas controlar gastos. Em muitos casos, também representa uma forma de reduzir a ansiedade, melhorar a qualidade de vida e diminuir os efeitos que o estresse financeiro pode causar no dia a dia.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

Newsletter

As principais notícias de finanças no seu e-mail

Análises de mercado, economia e negócios. Sem spam, cancele quando quiser.

Publicidade