O Banco do Brasil assinou um contrato de R$ 2,3 bilhões com os Correios para a prestação de serviços postais em todo o país e também no exterior. O acordo terá duração de cinco anos e substitui o contrato anterior, firmado em 2021, com os valores atualizados pela inflação.
O Banco do Brasil é uma instituição financeira de economia mista, com atuação em todo o território nacional, enquanto os Correios são a empresa pública responsável pelos serviços postais no Brasil.

Contrato substitui acordo firmado em 2021
Segundo o comunicado da instituição financeira, o acordo abrange serviços postais convencionais, especiais e telemáticos, utilizados para o envio de cartas, documentos e outras remessas ligadas às atividades do banco.
A contratação foi feita sem processo de concorrência entre outras empresas. De acordo com o Banco do Brasil, isso ocorreu porque a maior parte dos serviços contratados está dentro do monopólio postal exercido pelos Correios, situação prevista na legislação brasileira.
Conforme informações divulgadas pelo banco, cerca de 99% dos objetos postados fazem parte desse regime exclusivo, como o Franqueamento Autorizado de Cartas (FAC) e as remessas de documentos. Apenas aproximadamente 1% dos serviços contratados corresponde a modalidades abertas à concorrência, como o Sedex.
Banco explica contratação sem licitação
Ainda segundo o Banco do Brasil, a decisão foi tomada de forma independente e seguiu os procedimentos internos da instituição. O banco informou que realizou análises técnicas, avaliação jurídica e a formalização contratual antes da assinatura do acordo.
O novo contrato é firmado em um momento de dificuldades financeiras enfrentadas pelos Correios. A empresa pública passa por um processo de reestruturação após registrar resultados negativos nos últimos anos.
Correios enfrentam reestruturação financeira
No primeiro trimestre de 2026, os Correios tiveram prejuízo líquido de R$ 3,158 bilhões. No mesmo período de 2025, a perda havia sido de R$ 1,725 bilhão, o que representa um aumento significativo no resultado negativo.
De acordo com o relatório contábil da estatal, esse desempenho está relacionado à queda contínua das receitas obtidas com os serviços postais tradicionais e ao aumento da concorrência em áreas mais rentáveis, especialmente no mercado de logística voltado ao comércio eletrônico.
No fim de 2025, os Correios também contrataram um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a cinco instituições financeiras, entre elas o próprio Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, como parte do processo de reorganização financeira.
Apesar desse cenário, o novo contrato representa a manutenção de uma parceria já existente entre as duas empresas. Segundo o Banco do Brasil, a maior parte das atividades postais necessárias para o funcionamento da instituição depende dos serviços exclusivos prestados pelos Correios, o que torna inviável a contratação de outros fornecedores para essas operações.
Com vigência prevista até 2031, o acordo garante a continuidade dos serviços de envio de correspondências e documentos utilizados diariamente pelo banco em suas operações no Brasil e no exterior.


