Os brasileiros podem sentir um novo aumento nos preços dos alimentos nos próximos meses. A combinação entre a guerra no Oriente Médio e a previsão de um El Niño mais intenso no segundo semestre preocupa o setor supermercadista, que vê risco de novos reajustes em produtos básicos consumidos diariamente pelas famílias.
O alerta foi feito pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), que aponta que fatores internacionais e climáticos devem continuar pressionando os custos de produção, transporte e distribuição de alimentos até o fim do ano.

Petróleo mais caro pode refletir nos alimentos
Um dos fatores apontados pela Abras é o conflito entre Estados Unidos e Irã, que vem provocando instabilidade no mercado internacional de petróleo.
Desde o início da guerra, em fevereiro deste ano, os preços do petróleo chegaram a atingir US$ 120 por barril. Embora tenham recuado nos meses seguintes, continuam registrando fortes oscilações diante das incertezas sobre o Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde circula cerca de 20% das exportações mundiais da commodity.
Nesta semana, após novos ataques e sanções entre os dois países, os contratos futuros voltaram a subir mais de 5%, aproximando-se dos US$ 80 por barril.
O petróleo influencia diretamente os custos da economia porque é utilizado na produção de combustíveis. Com diesel e gasolina mais caros, aumentam também as despesas com transporte de mercadorias, o que pode chegar ao consumidor na forma de reajustes nos supermercados.
El Niño preocupa produtores e varejo
Outro motivo de atenção é a previsão de formação do El Niño nos próximos meses. O fenômeno climático ocorre quando as águas do Oceano Pacífico ficam mais quentes do que o normal, alterando o regime de chuvas e as temperaturas em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil.
Para este ano, a expectativa é que o evento alcance cerca de 63% de intensidade, podendo ficar entre os mais fortes registrados desde 1950.
Essas alterações climáticas costumam afetar a produção agrícola. Dependendo da região, podem ocorrer secas prolongadas, excesso de chuva ou ondas de calor, reduzindo a produtividade das lavouras e diminuindo a oferta de alimentos.
Segundo a Abras, o cenário será acompanhado ao longo dos próximos meses porque, caso a previsão se confirme, a pressão sobre os preços poderá aumentar ainda mais.
Feijão, arroz e hortaliças lideram aumentos
Os dados mais recentes mostram que os alimentos já vêm registrando alta em 2026. O Abrasmercado, indicador que acompanha os preços de 35 produtos de consumo básico, apontou aumento de 2,16% em maio. Com isso, o valor médio da cesta passou para R$ 854,91.
No acumulado do ano, a elevação chega a 6,82%. Entre os itens que mais ficaram caros está o feijão, que subiu 6,44% apenas em maio e acumula alta de 41,09% desde janeiro. Também registraram aumento o arroz, com avanço de 2,16% no mês, e o leite longa vida, que teve alta de 0,77%.
No setor de frutas, legumes e verduras, os reajustes foram ainda maiores. A batata ficou 44,69% mais cara em maio, enquanto o tomate subiu 20,62% e a cebola, 16,80%. No acumulado do ano, esses produtos apresentam aumentos de 75,84%, 86,17% e 48,88%, respectivamente.
Nordeste registra maior alta mensal
A pesquisa também mostra diferenças entre as regiões do país. O Nordeste apresentou a maior variação de preços em maio, com alta de 2,79%. Mesmo assim, continua sendo a região onde a cesta custa menos, com valor médio de R$ 772,51.
Já o Norte segue com o maior custo do país. Após aumento de 1,88%, a cesta básica alcançou R$ 939,79. Apesar da inflação dos alimentos, o consumo das famílias continua crescendo.
Em maio, o indicador de consumo dos lares brasileiros avançou 3,93% na comparação com o mesmo mês de 2025. Em relação a abril, a alta foi de 2,23%. No acumulado do ano, o crescimento chega a 2,47%.
A expectativa da Abras é de que o consumo das famílias encerre 2026 com expansão de 3,2%, mesmo em um cenário marcado por pressão nos preços de produtos essenciais.


